domingo, 12 de agosto de 2007

Um Festival de Medalhas


Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

Por Christina Fontenelle

Em solenidade realizada no Salão de Honra do Gabinete do Comandante do Exército, em Brasília, o General Enzo recebeu o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, para a imposição da Ordem do Mérito Militar no grau "Grã-Cruz". Participaram do evento integrantes do Alto-Comando do Exército e do Almirantado, oficiais-generais da Guarnição de Brasília e oficiais do Gabinete do Comandante do Exército.


Como todo mundo sabe, ou pelo menos deveria saber, Nelson Jobim, entre outras coisas, é aquele homem que confessou ter fraudado a Constituição brasileira de 1988 (isso mesmo, CONFESSOU TER FRAUDADO A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA), ao revelar que nela incluíra a um artigo incisos que não foram aprovados pelos constituintes. Ele foi eleito deputado pelo PMDB em 1976 e, como líder de partido, participou da Constituinte. Quinze anos depois da promulgação da Constituição, o atual ministro da defesa, confessou a "ousadia", em tom de "contador de vantagens". Mas, quando sua confissão provocou escândalo, Jobim atribuiu a falsificação ao presidente da Constituinte, Ulysses Guimarães, que, falecido 11 anos antes, já não podia se defender.

Na época da revisão constitucional, o deputado Paulo Ramos, em discurso na Câmara, denunciou que o então relator Nelson Jobim costumava se reunir cerca de três vezes por semana com um grupo de representantes de multinacionais, no Instituto Atlântico, cujo objetivo era "influir" nas mudanças da Constituição. Jobim prometeu processar o deputado, mas até hoje não o fez. Paulo Ramos continua mantendo a totalidade da denúncia.

Um estudo realizado pelos professores Adriano Benayon e Pedro Dourado de Rezende, mostra que Jobim, como relator da Revisão Constitucional, determinada pela própria Constituição para cinco anos após a sua promulgação, adicionou, na verdade, três incisos ao artigo 172 da Carta Magna, para proibir que os recursos destinados ao pagamento de juros aos bancos pudessem ser remanejados no Orçamento, o que fez com que o serviço da dívida fosse multiplicado. Dos 74 projetos de alteração da Constituição que Jobim apresentou, somente seis foram aprovados. Um deles, o que reduziu o mandato do presidente de 5 para 4 anos e outro o que promoveu a criação do Fundo Social de Emergência, em seguida usado por FHC para "emprestar" dinheiro da área social para os juros dos bancos.

Há lógica. Durante anos, Jobim, ao mesmo tempo em que era deputado federal, mantinha um escritório de advocacia em Brasília - o "Escritório Ferrão" –, no Edifício Belvedere, Asa Sul, cujos dois outros sócios eram Eliseu Padilha, futuro deputado e futuro ministro (também de FHC) e Ferrão, que dava nome ao escritório. O estabelecimento tinha fama de ser o pioneiro no lobby em favor de multinacionais, de instituições "filantrópicas" e de bancos estrangeiros, inclusive o do maior credor da dívida pública brasileira, o banco norte-americano Citibank.


Quando Jobim foi eleito deputado, portanto, o Escritório Ferrão, teoricamente, continuou a ter um representante no Congresso e outro no Ministério. Eliseu Padilha também veio a se tornar ministro de FHC, quando Jobim, em 1997, foi nomeado para o Supremo Tribunal Federal.
Nélson Jobim, como ministro e presidente do STF (Superior Tribunal Federal), entre outras medidas pró-governo - dessa vez já sob Lula e não mais sob o velho amigo FHC -, concedeu, em setembro de 2005, uma liminar que impediu que o Conselho de Ética da Câmara de abrir processo contra seis deputados do PT acusados de envolvimento com o esquema de distribuição de verbas do publicitário Marcos Valério – vulgo "mensalão".


Os beneficiados foram os deputados João Paulo Cunha (SP), Josias Gomes (BA), Professor Luizinho (SP), Paulo Rocha (PA), José Mentor (SP) e João Magno (MG). No entender de Jobim, eles não teriam tido direito a defesa prévia, mas, a bem da verdade, a decisão acabou dando mais tempo aos parlamentares acusados para renunciar e manter, assim, os direitos políticos. Não é usual que o presidente do STF tome decisões em mandado de segurança, cujo exame cabe a um dos outros dez ministros que for escolhido como relator por sorteio eletrônico – este sim feito pelo presidente da casa. Entretanto, Jobim disse que decidiu por conta própria porque considerou o caso urgente.

Foi também como presidente do STF, que Jobim aderiu à campanha do SIM ao desarmamento (para resumir), declarando que os brasileiros não estavam preparados para o uso de armas de fogo. Já naquela época, deveríamos estar, na medida em vivemos uma guerra covarde nas ruas, onde o Estado não consegue mais defender o cidadão comum - contra os bandidos, mas, contra si mesmo, ao que parece, pretende ser bem sucedido.

Chega! Já deu perfeitamente para que o leitor faça uma idéia do quão merecedor da Ordem do Mérito Militar no grau Gran Cruz o senhor atual ministro da defesa, Nelson Jobim, seja. Como bem se poderá ver, nas palavras do próprio comandante do Exército, Gen. Enzo, logo abaixo, esta honraria é concedida a personalidades civis e militares que tenham se destacado pelo valor pessoal, pelo zelo profissional e pela relevância dos serviços prestados ao Exército ou ao Estado Brasileiro.

Parabéns ao ministro! Não por esta medalha, que certamente deverá ser apenas mais uma de uma coleção de outras delas - e uma vez que este símbolo já tenha perdido completamente suas referências de valor meritório (mais uma das coisas cujo governo Lula nos deixará como legado); mas pela sua capacidade de fazer com que seus erros jamais tenham lhe fechado as portas para outras chances, e mais outras, e mais outras, e mais outras... até que, finalmente, tenha vindo a ser brindado com as continências e, aparentemente, pelo menos, com o respeito das mais altas autoridades militares do país - sim, aquelas que, um dia, fizeram um já "démodé" juramento de fidelidade e de defender à própria morte, a bandeira, a Constituição e o povo brasileiros.

Já que estamos diante de um festival de distribuição de medalhas, fica lançada aqui uma sugestão aos comerciantes de todo o país. Coloquem em suas prateleiras, em suas bancas de camelô, em seus catálogos de venda as mais diversas réplicas das medalhas que são por aqui, pelo Brasil, distribuídas. Com certeza o artigo está em moda e fará um enorme sucesso. Assim, fica mais fácil para todo mundo - cada um que compre a sua, na esquina que lhe aprouver, e para honrar o que quer que lhe pareça honorável.

Christina Fontenelle é Jornalista.

6 comentários:

Kika disse...

Cara Christina,


Essas medalhas poderiam ser distribuidas, por bom comportamento, nos presidios de segurança maxima!!!

Kika disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse...

Não verificram os antecedentes? Normalmente para se conseguir um a medalha, o processo rigoroso...

Anônimo disse...

Jobim ao se tornar "ministro" de Lula confirma todas suas imoralidades, é um aproveitador do mandão de plantão seja quem for que esteja no Planalto. O Brasil esta entregue as baratas .

Anônimo disse...

Cristina,

Nada me faz mudar a minha teoria de que isto aqui é mesmo um bananão e não tem volta.

Anônimo disse...

Medalhas...quem quer medalhas! Medalhas para todos os gostos!
Vai de medalha ai?

O espetaculo do circo da republica bananeira continua....