domingo, 9 de setembro de 2007

America Latina: “descaso induzido” e “anestesia social”

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Javier González

Desvendar as misteriosas causas da apatia, que tanto favorece às velhas e novas esquerdas é uma das tarefas mais importantes, inclusive de sobrevivência no continente latino americano.
A apatia de amplos setores da opinião publica diante dos problemas políticos, sociais e econômicos (chavismo, criminalidade, corrupção, degradação moral, revolução tendencial, etc.) aparece como fenômeno enigmático que deixa o caminho livre para diversos tipos de populismo inspirado nas velhas e novas esquerdas. Alguns analistas constataram a existência do fenômeno, mas até o momento não foram suficientemente analisados os mecanismos psicológicos que determinam à passividade, à ausência de reação.

Formadores de opinião, intelectuais, cientistas políticos, comunicadores, etc., deveriam concentrar esforços, como prioridade, para identificar os mecanismos que causam o desinteresse e impedem reações saudáveis, proporcionais à dimensão dos problemas latino americanos. O simples fato de mostrar o problema e provocar a troca de opinião sobre as causas do desinteresse, da ausência de vontade e desmotivação já é uma contribuição inestimável para sacudir a apatia.

Os psiquiatras Harold Kaplan e Benjamim Sadock fizeram resumiram diversas experiências realizadas com seres humanos no século XX, inclusive na antiga União Soviética, para provocar situações de “desalento induzido”, quando as pessoas, expostas a situações altamente estressantes e aparentemente insolúveis tiveram suas capacidades intelectuais e emocionais prejudicadas caindo em letargia psicológica e frustração.

A doutora Eunice Alencar, da Universidade de Brasilia, explica que o “comportamento apático” aparece mais frequëntemente “em situações de frustração intensa e prolongada, depois que todas as tentativas do indivíduo para superar as barreiras se tornaram inúteis”. Quando chega a este estado de frustração “o indivíduo se torna indiferente a qualquer estímulo e incapaz de apresentar qualquer reação”.

A pesquisadora exemplifica com os casos dos prisioneiros de guerra nos campos comunistas e nazistas durante a segunda guerra mundial, quando “submetidos a constantes torturas e ameaças de morte, os prisioneiros ficavam apáticos, completamente indiferentes a tudo que acontecia... até o instinto de conservação parecia anulado.

Pero lo anterior no quiere decir que el proceso de frustración, desamparo y consecuente apatía sea algo irreversible, y que no pueda y deba haber reacciones saludables. La propia Dra. Alencar recuerda que una actitud positiva de los individuos que no se dejan desalentar o frustrar es el "esfuerzo intensificado" para "canalizar" positivamente la tensión generada por la frustración de manera a "vencer los obstáculos".

O que acontece na America Latina é similar, mesmo não sendo fruto de situações tão extremadas como a de prisioneiros de campos de concentração. Isto não significa que o desalento e apatia não sejam reversíveis e que não aconteçam mais ou devam haver reações saudáveis. A mesma pesquisadora lembra que uma atitude positiva das pessoas que não se deixam vencer é o “esforço intensificado”, para “canalizar” positivamente a tensão gerada pela frustração de modo a vencer os obstáculos.

Além do “desalento induzido” que leva ao “comportamento apático”, outros autores realizaram abordagens complementares e igualmente interessantes. O cientista político Gaudêncio Torquato referiu que no Brasil, a enxurrada de casos de corrupção nos três poderes do Estado, conduziu importantes setores da população a uma situação paradoxal: em vez de indignar-se, muitas pessoas se foram acostumando e convivendo com os fatos, como se fossem “banalidades”, quase como algo “normal”, chegando a um “processo gradual de anulação das forças” que “debilita a vontade” e origina “tédio”, “acomodação” e “anestesia social”.

Até os acontecimentos inusitados assumem “o caráter de algo normal”, o crime “passa a ser assimilado” como parte desta normalidade e assim, “a confusão e a desordem continuada contribuem para gerar a passividade”. (...) Em vários paises do continente o enigmático fenômeno da letargia ideológica e psicológica, acompanhado da anestesia moral, afeta setores decisivos da opinião pública e contribui para deixar o caminho livre para diversos tipos de neopopulismo.

Que estas considerações possam servir de reflexão para venezuelanos, colombianos, bolivianos, peruanos, argentinos, brasileiros, uruguaios... que atualmente enfrentam variados problemas socio políticos, culturais e econômicos, de modo que, cada um, em seu respectivo âmbito de atividade atue de modo a superar-se sacudindo a apatia que favorece governantes inspirados em velhas e novas idéias esquerdizantes.

“Desvendar el misterio de la apatía es actualmente una de las tareas más importantes, inclusive de supervivencia, en nivel latinoamericano”. Desvendar o mistério da apatia é atualmente uma das tarefas mais importantes para a sobrevivência (em liberdade) de toda a América Latina.

Tradução livre: Arlindo Alexandre. Fonte: Destaque Internacional - Informes de Coyuntura - Año X - No. 225 - San José de Costa Rica - 26 de agosto de 2007 - Responsable: Javier González

2 comentários:

Anônimo disse...

Sr.Arlindo,

Na América LATRINA a velha esquerda são as putas velhas e a nova esquerda são os filhos das putas.

Anônimo disse...

A última edição da revista SUPERINTERESSANTE trouxe o ranking de PRÊMIOS NOBEL conquistados por regiões ou continentes. Nem me lembro qual região teve mais conquistas, porque o que me chamou a atenção, de fato, foi a ausência da América Latina nessa matéria!!
Em compensação, se o ranking fosse de liderança comunista, ficaríamos em primeiríssimo lugar sem chance prá ninguém!!!
É a IGNORÂNCIA servindo ao OPORTUNISMO, num círculo vicioso, que num primeiro momento nos transforma em súditos, num segundo em servos e num terceiro em tribos pré-históricas!!!

Isso me lembra a ATLÂNTIDA - O CONTINENTE PERDIDO. Tô começando a acreditar que nós o achamos!!!
Ô indiarada cozida!!!