sábado, 29 de setembro de 2007

Ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer?

Edição de Artigos de Sábado do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Arlindo Montenegro

“LA LOI C’EST MOI” ou “L’ETAT C’EST MOI”. “A Lei sou eu” ou “O estado sou eu” é frase atribuída a Luis XIV, um Luis que viveu há 500 anos, construiu o palácio de Versalhes e reinou na França por 54 anos. Um Luis monarca absoluto... que estava acima da Lei.

Dizem que ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa se não for obrigado por Lei. Como as Leis são feitas para que os juizes interpretem, são quase sempre utilizadas como facas de dois gumes, cortam do lado que a consciência do juiz escolher naquele momento específico.

Nunca, jamais, ninguém acreditaria que um juiz, do alto da sua honorabilidade, interpretasse a Lei para o lado da balança onde as moedas pagas estivessem pesando mais. Seria de esperar, sempre, a retidão, o equilíbrio, a consciência da Justiça administrada para o bem comum, para salvaguardar direitos escritos ou costumeiros.

De um Juiz supremo ninguém escapa: a própria consciência, que parece ser a voz de Deus soando no interior e apontando caminhos e escolhas apropriadas. Existem aqueles em que a consciência parece ser a voz do capeta, é inegável. São estes que, além de tripudiar sobre os fracos, corrompem as nações e buscam fazer e aplicar Leis em benefício pessoal, benefício do grupo que integram, leis para os amigos, leis para ignorar, leis que contradizem uma outra lei. Há os que utilizam freqüentemente a lei traduzida para o mais forte mandando para a cucuia qualquer interesse público, qualquer tradição. É a Lei utilizada como instrumento para o exercício da violência, para submeter indivíduos ou grupos contra a vontade racional.

Não existe lei contra a consciência de abandonar uma religião por outra. Nem contra trocar e cônjuge. Também não existe lei contra a escolha de amigos, time de futebol ou partido político. Não existe Lei que proíba a expressão do pensamento. Matar sim, é proibido por Lei em todos os quadrantes. Nem existe Lei que proíba o governante de criar situações em que o crime organizado promova a matança de mais de 50.000 inocentes por ano.

É estranho que alguém seja acusado de traidor, quando percebe, ganha consciência de que a defesa de certas idéias não passam de um equívoco, de um erro, de traição ao seu povo. Quando percebe que uma ideologia com discurso de bondade, esconde o intento de aplicar a violência mais sangrenta e devastadora para alcançar o poder e mantê-lo de modo hegemônico, ditatorial absoluto, submetendo a população sem escolha à vontade de uns poucos ou de um único ditador. Abandonar um comportamento deste modelo fanático é traição.

Ao contrário, desprezar leis, tradições morais, religião, ética conservadora, e adotar a ligeireza, a pressa, as idéias ultrapassadas, tornar-se refém do proselitismo sobre a bondade religiosa dos incultos, aceitar a imoralidade do estelionato praticado contra a consciência, integrar a defesa de pessoas e grupos que utilizam emboscadas verbais e que se dedicam à destruição da vida dos contrários e inocentes, alinhar-se ao exército internacional na luta fratricida que fere e destrói famílias e sonhos. Fanatismo, não é traição ao estado anterior de consciência e cultura. Não é traição ao acordo social anterior.

Em suma, nos dias correntes no Brasil é crime ser contra o partido do governo. É criminalizado quem fale contra as intenções estratégicas deste grupo que engana tantos em tão pouco tempo. Que ilude católicos, que alicia humanistas inconformados com o curso natural da vida atribuindo culpas à estrutura da sociedade, como se fosse esta independente da natureza, mobiliza pseudo intelectuais para estuprar o raciocínio lógico embelezando fórmulas marxistas e finalmente compram consciência a peso de ouro. Nos dias correntes, no Brasil é crime nas casas do congresso barrar as leis originárias de decretos, que facilitam os governistas a perpetuar-se no poder e mudar a estrutura do estado democrático. É crime punir ladrões governistas.

É crime histórico admitir que durante os vinte anos de governos militares, foi implantada silenciosamente a mais poderosa máquina de investimentos e relacionamentos, de educação e obras de infra estrutura que mudou a face do país, propiciando a inserção e respeito como nação soberana alinhada aos intentos de construção democrática, conservadora, aplicada ao estudo e à pesquisa, trabalhando sob a proteção das Forças Armadas a serviço da nacionalidade, isto é, Forças Armadas garantindo a tranqüilidade para o trabalho das pessoas, das famílias, dos estudantes – sonhos, esperanças e realizações humanas. Garantindo a expressão das crenças religiosas. Garantindo a materialização da promessa simbólica: “Ordem e Progresso”. A versão corrente é: os milicos deram um golpe e os comunistas reagiram para restaurar a democracia. Discurso pra enganar trouxa ou estudante preguiçoso. A cronologia dos fatos é outra:

Lembrando bem, as Forças Armadas tomaram o poder para evitar a expansão de movimentos da esquerda armada que já atuava desde 1962. A guerrilha nordestina de Francisco Julião, integrada por camponeses, embrião do MST, recebeu treinamento e armas de Cuba. Como Francisco Julião não administrou bem os recursos cubanos, a mulher e os filhos menores ficaram abrigados (reféns) em Cuba, desde antes de 1964, até a ascenção de Slvador Allende no Chile, onde ficou até a decretação da Anistia.

Agitavam-se pelo país os Grupos dos Onze (Movimento – que se dizia – armado, liderado por Leonel Brizola).

A imprensa noticiava que os sindicatos operários (metalúrgicos, têxteis...) tinham seus grupos armados.

A atuação de cubanos e chineses era intensa, promovendo encontros, mostras de filmes, palestras para estudantes, operários, bancários, marinheiros e soldados.

Luiz Carlos Prestes, embora o Partido Comunista estivesse na ilegalidade fazia palestras...

A realidade era de guerra civil iminente. Pressionado, o Presidente Goulart e todo o séqüito de colaboradores populistas e comunistas, abandonou o governo e fugiu para o Uruguai. O Congresso Nacional declarou a vacância da Presidência. Só então os militares assumiram o poder e foram apoiados por grandes manifestações populares em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte...

Os que hoje ocupam os postos de poder eram jovens. Os lideres mais influentes estavam exilados desde o primeiro momento. À medida que os ativistas de esquerda e arraia miúda presa nos primeiros dias do novo governo militar, respondiam processos e eram liberados da cadeia, eram direcionados para dar continuidade à “luta” ou guerra contra as instituições democráticas e conservadoras. Aliciaram, reuniram grupos, treinaram pessoas em Cuba, na China, na Argélia para dar continuidade à guerrilha. Precisaram de poucos anos para reiniciar as ações armadas contra os empresários, contra as instituições que pouco antes tinham sido preservadas com uma revolução sem sangue.

Perderam as primeiras batalhas. Embarcaram no movimento por eleições diretas liderado por Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, políticos que continuavam atuantes, um Deputado, outro governador de estado. Os atuais senhores governantes, embarcaram travestidos de democratas. Utilizaram-se de um líder sindical, registraram um novo partido. Chegaram ao poder. Mentiram, prometeram mundos e fundos. Fizeram proselitismo continuado e continuam usando máscara de democratas.

Traição à pátria, traição à nação, traição cultural, roubo continuado, instituições inoperantes, economia e finanças, de uns poucos – banqueiros, empresários, corporações internacionais, políticos – prestigiada. E o resto que se dane! A Lei? Ora, a lei...

Arlindo Alexandre Montenegro é Apicultor.

5 comentários:

Anônimo disse...

Agora a história foi bem contada. Eu tinha 25 anos em 1964. Viví a época com conhecimento. Operário metalúrgico desde os 17 anos e estudante noturno. Foi desse jeito. Outra narrativa é mentirosa.

BRAGA disse...

Parabéns Arlindo.
“Anônimo”, eu também vivi a época com conhecimento. Em 1964 tinha 22 anos, estudava a noite e trabalhava. Vocês “perderam”, em virtude da intolerância, do formalismo e dialética ultrapassados. Trazer sistemas e ideologias estrangeiras e empurrá-las goela abaixo no Brasil. Burrice! Logo vocês que ruminavam xenofobia por todos os poros.
Incoerência. Também discordava e me arriscava, pois não tinha dinheiro para curtir o doce exílio de muitos “camaradas”.
Não ganho abono de perseguido político.
Realmente, o PT é uma Patota de Traidores. Só “acordei” em 2002.
Motivo: votei no Lula e no PT de 1989 a 2002.
Se vocês fizerem as cagadas dos anos 60, vão ver o que é ditadura.
Petralhas apedeutas. Não aprendem.

Anônimo disse...

josé,
parece que você está me confundindo, ou estou errado? Eu não faço parte da turma dos "vocês" que perderam. E também não votei no lula nem no pt em nenhum período. Em todos os momentos da história eleitoral do Brasil os eleitores têm sido esbulhados e feitos de trouxas de uma maneira ou de outra. Lá no passado era o voto de cabresto, depois veio o estado novo, depois a "ditabranda", hoje são as urnas eletrônicas. É meu caro. É dura a vida! Haja enganação e fé!

BRAGA disse...

Boa tarde anonônimo.
Reli seu comentário. Na primeira leitura, talvez não tenha entendido direito. Nunca fui de esquerda. O sistema que imperava antes de 1964, não dava chance a ninguém, que não fosse “bem nascido”, de progredir. Também não gosto de “ditabrandas” e assemelhados.
Acreditei nas propostas do Lula, por isso votei nele. Fiz a opção. Quando chegou ao poder, vi que nada mudou. Em nada ele diferia dos outros. Não voto mais em ninguém (não sou omisso!). Não troco seis por meia dúzia!
Desculpe por algum equívoco.

Anônimo disse...

não vejo mais motivos e nem relevância para ficar perdendo tempo falando do passado político, é tocar a bola pra frente e rezar para que robem menos. nunca ouvi falar em momento algum que a história política do Braisl tenha sido diferente dos dias atuais. política é uma palavra que quando ouço ja me traz noçao de enganação. marketing meu caro, mrketing.