domingo, 23 de setembro de 2007

Não existe diferença

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Na revista Veja desta semana, o repórter André Petry escreve texto comparativo a respeito dos desmandos na gestão peessedebista (1995-2003), e na petista (2003-200?), dizendo que a corrupção generalizada poderia atingir à “própria política”.

E se pergunta, à certa altura, se “o esquema de PT em Brasília é pior do que o do PSDB em Minas?” A impressão que se tem é a de que está tudo igual. Na contagem dos resultados aferidos, a população perde de goleada.

Na conclusão do texto, Petry advoga a expulsão do senador Eduardo Azeredo das fileiras do PSDB, como se o partido tucano fosse de repente assumir ares de vestal, corrigindo o que é absolutamente impossível de ser acertado.

A diferença básica nas duas gestões deve-se ao fato de o ex-presidente FHC ter sido capaz de impedir a instalação de qualquer CPI. O caso do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), flagrado com um amigo lobista pagando as despesas de amante jornalista com quem teve uma filha, iguala-se na forma e conteúdo.

FHC, antes de assumir o ministério das Relações Exteriores, na gestão Itamar Franco (1992-95), mandou para o exílio espanhol, na cidade de Barcelona, a jornalista Miriam Dutra com quem teve um filho quando ainda era senador.

A pensão alimentícia é outro caso ainda a ser desvendado, pois, como funcionária da TV Globo, Miriam Dutra recebia salários da emissora (prestadora de serviços ao governo federal), mas não se sabe se também algum adendo encaminhado pelo então presidente.

Para que Eduardo Azeredo seja expulso do PSDB é preciso que se expulse também FHC. O que Dom Luiz Inácio vem fazendo à frente dos destinos nacionais é dar continuidade à política entreguista de desnacionalização que teve seu ápice no governo do antecessor.

FHC cometeu crimes inomináveis de lesa-pátria, tendo inclusive levantado a possibilidade de entregar a Base de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, aos norte-americanos que iriam proibir até mesmo a circulação de brasileiros por lá.

O então deputado João Paulo Cunha (PT-SP), elaborou um livreto com 48 casos de corrupção na gestão FHC, o qual foi distribuído fartamente na campanha presidencial de 2002. Queria atingir o candidato José Serra, como conseguiu, revelando ações escabrosas do período.

Pouco tempo depois, como se sabe, João Paulo, na condição de presidente da Câmara, autorizou a entrada de policiais militares em suas dependências para agredir manifestantes que se posicionavam contra a reforma da Previdência. Uma mão lava a outra.

Ele ainda exerceu censura no Jornal da Câmara, por conta da republicação de notícia que apontava o ex-presidente da Casa, Inocêncio Oliveira (PR-PE), condenado em primeira instância por trabalho escravo em uma de suas fazendas. Caiu em desgraça ao ser flagrado com a mão no bolso de Marcos Valério do mensalão.

Se existe algum perigo na mistura de todos os ingredientes, onde integrantes da classe política são apresentados sem a mínima credibilidade, o fato é real e palpável. O que vai acontecer a partir daí, só consultando bola de cristal e perpassando exemplos históricos.

Existe coisa mais vergonhosa do que a absolvição do presidente do Senado pelos seus pares? Na votação secreta, Renan tem certeza que nunca será excluído, pois conta com a maioria, freqüentadora do mesmo cocho.

Márcio Accioly é Jornalista.

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