sábado, 29 de setembro de 2007

O Brasil caminha para a desordem geral

Edição de Artigos de Sábado do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Existe insuportável clima de cansaço na vida política brasileira, sensação de um já ter-se vivido toda bandalheira e patifaria ao alcance (apesar de ser percebida eterna repetição dos fatos com muita insistência), coisa classificada de paramnésia ou déjà-vu.

O que se verifica, também, é crescente clima de radicalização, atmosfera moral que nossas chamadas autoridades se recusam a admitir ou enxergar com clareza. Muito embora a maioria se preocupe com xingamentos e encontros desagradáveis em aeroportos e áreas públicas.

Diz-se que “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Na sexta-feira, pela terceira vez, cerca de 300 pessoas fizeram passeata no Rio de Janeiro, desde o bairro da Gávea ao Jardim Botânico, quando cantaram o Hino Nacional e pediram a saída de Renan Calheiros da Presidência do Senado.

Como é que se pode exigir respeito e cumprimento às leis, por parte de cidadãs e cidadãos, quando o mais descarado cinismo domina o quadro político-administrativo? As situações são sempre semelhantes, na confirmação de desastrosas previsões.

O Congresso Nacional trabalhava de terça-feira a quinta-feira. Agora, nem isso. Os parlamentares da nova safra que chegaram com garra e determinação, já se mostram frustrados, decepcionados.

Dois deles comentavam na última quinta-feira (27), que agora só é preciso estar presente na quarta-feira, porque “todo mundo chega na terça e vai embora na quinta”. Ninguém faz nada, numa pauta dominada por Medidas Provisórias nascidas no Palácio do Planalto.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, que assumiu o cargo envergando todas as fardas (de bombeiro, no aeroporto de Guarulhos, a general, nas horas vagas), é apontado pelo canto dos olhos pela maioria da tropa que agora o intitula de mero fanfarrão.

Foi perda de crédito das mais velozes, no exercício da função. Jobim, fraudador confesso da desmoralizada Constituição, já está deixando o dito pelo não dito, no caso da crise da aviação, queimando-se junto ao Exército Brasileiro na exoneração do general Maynard Santa Rosa e na do general Rômulo Bini Pereira.

Na quinta-feira (27), pesquisa divulgada pela Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), deveria servir de alerta a respeito do ambiente de desconfiança que está colocando o Brasil inteiro no canto da lona.

Ela atestou que 81,9% da população não confiam nos políticos e que a Câmara dos Deputados merece a confiança de apenas 12,5%. Já o Senado projetou índice de confiança de 14,6%. Mais de 80% da população não acreditam no Congresso Nacional.

Na mesma quinta-feira, o Supremo Tribunal Federal – STF -, foi palco de bate-boca entre dois de seus ministros: Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes. Este último, nomeado para o cargo pelo então presidente lesa-pátria, FHC (1995-2003), já teve sério desentendimento com o procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza.

Seres mortais comuns não estão distantes apenas do entendimento da linguagem utilizada pelos ministros do STF nas suas decisões. Ficam sem entender, também, a razão de determinadas figuras serem soltas e depois presas novamente, tão somente para ganharem outra vez a liberdade e a impunidade.

Foi o ministro do STF, Marco Aurélio de Mello, quem soltou Cacciola que agora foi preso em Mônaco e para onde o ministro da Justiça, Tarso Genro, efetuou viagem de sonhos para apressar o retorno ao Brasil. O que preocupa é isso: o sentimento de saturabilidade na crise que se atravessa estimula a ebulição de desfecho imprevisível.

Márcio Accioly é Jornalista.

7 comentários:

Arlindo Montenegro disse...

Pois é isto mestre Accioly: a tática é mesmo confundir, gerar notícias que parecem incongruentes, dar o dito por não dito, mentir descaradamente, impedir e desmoralizar os que ainda conservam um pouco de espírito crítico, bagunçar o coreto. No momento em que a irritação chegue ao auge, apresentam-se as soluções salvadoras: para moralizar, para atender o clamor da nacionalidade e instaurar a ditadura socialista. Estamos no canto, encurralados... resta a palavra e a esperança...

Arlindo Montenegro disse...

É isto, mestre Accioly: eles confundem, mentem, geram expectativas, dão o dito por não dito e o mal feito por não provado... É a tática a confusão, da desmoralização completa das instituições. Chega o momento crítico, com um fato criado e o tal que não sabe de nada faz o discurso eloquente de salvador da nação. E na confusão se instaura a ditadura de esquerda sem máscaras que eles desejam.
Já notou que de todas as dotações orçamentárias, para a educação, para a saúde e outros setores, a esta altura não liberaram nem a metade? Algumas não chegaram a 20%. Mas nas manchetes, são favas contadas.
Resta-nos, ainda, a palavra e a esperança.

BRAGA disse...

Prezado Marcio: boa noite.
No início da década de 60 já vi esse filme. A essência do processo é o mesmo. Mudam as táticas.
Eles vão se ferrar de novo.
Aí, todos nós, óhhhh!
Vamos conhecer uma ditadura de fato.
De esquerda é que não vai ser.
Fica pergunta, como iremos viver numa democracia?
Braga.

JRP disse...

O saco está no limite...
Quando estourar, sai de baixo!

Anônimo disse...

A Pouka Lipze Nau Já não lembro a quanto tempo leio coisas assim. Me sinto como micróbio, lutando por pequenas mudanças ao longo de bilhões de anos. Cada dia vejo o quanto a bolsa subiu ou desceu, e nem tenho um tostão furado. Todos esperam que continuemos acreditando que existe uma uma luz em um fim de túnel ou em outro buraco qualquer. Me sinto intimidado, ano após anus, pelo medo do desemprego, da falta de dinheiro, do monstro do SPC, de que minha mulher não me dê mais. A cada dia é uma historinha ligeiramente diferente. E vamos, e vamos fumados, bêbados ou em santos daimes. Teriamos que ter peito para decretar o Ano de Não Pagamento do Cartão de Crédito. Invadir Brasilia com toneladas de Contas a Pagar. Irmos para a praia com o Balde Devidamente Chutado.
Cansei.

Anônimo disse...

A Pouka Lipze Nau Já não lembro a quanto tempo leio coisas assim. Me sinto como micróbio, lutando por pequenas mudanças ao longo de bilhões de anos. Cada dia vejo o quanto a bolsa subiu ou desceu, e nem tenho um tostão furado. Todos esperam que continuemos acreditando que existe uma uma luz em um fim de túnel ou em outro buraco qualquer. Me sinto intimidado, ano após anus, pelo medo do desemprego, da falta de dinheiro, do monstro do SPC, de que minha mulher não me dê mais. A cada dia é uma historinha ligeiramente diferente. E vamos, e vamos fumados, bêbados ou em santos daimes. Teriamos que ter peito para decretar o Ano de Não Pagamento do Cartão de Crédito. Invadir Brasilia com toneladas de Contas a Pagar. Irmos para a praia com o Balde Devidamente Chutado.
Cansei.

Seo Véio do Saco disse...

A Pouka Lipze Nau Já não lembro a quanto tempo leio coisas assim. Me sinto como micróbio, lutando por pequenas mudanças ao longo de bilhões de anos. Cada dia vejo o quanto a bolsa subiu ou desceu, e nem tenho um tostão furado. Todos esperam que continuemos acreditando que existe uma uma luz em um fim de túnel ou em outro buraco qualquer. Me sinto intimidado, ano após anus, pelo medo do desemprego, da falta de dinheiro, do monstro do SPC, de que minha mulher não me dê mais. A cada dia é uma historinha ligeiramente diferente. E vamos, e vamos fumados, bêbados ou em santos daimes. Teriamos que ter peito para decretar o Ano de Não Pagamento do Cartão de Crédito. Invadir Brasilia com toneladas de Contas a Pagar. Irmos para a praia com o Balde Devidamente Chutado.
Cansei.