terça-feira, 30 de outubro de 2007

Entre a canalhice e a sobrevivência

Edição de Artigos de terça-feira do Alerta Total http://alertaototal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

O Brasil é um país que precisa sempre de novos escândalos, para agüentar o bárbaro tranco da existência sofrida. Como a vida aqui seria insuportável, sem a exposição sempre fresquinha de imoralidades variadas a freqüentarem nosso dia-a-dia!

As massas se entretêm, as classes médias aparentam indignação e todos os salafrários e anunciados moralistas, quando não envolvidos, fazem ar de revoltados em comentários enfurecidos. Quando têm a oportunidade, cometem os mesmos atos vis.

Acredita-se que a instituição do escândalo nacional surgiu de maneira natural e espontânea, numa sociedade criada e nutrida por bandalheiras das mais escabrosas desde que a família real portuguesa aqui aportou. É só pesquisar a história.

É a capacidade de aparentar indignação (no que parece revolta íntima, por não ser pivô beneficiário da mutreta denunciada), o que distingue nacionais dos habitantes de países ditos desenvolvidos com organização social divergente.

No Brasil, o feio é se deixar flagrar na irregularidade. Pessoas que não possuem renda para tanto, apresentam padrão de vida completamente dissociado dos seus pagos, mas tratadas como vestais. São larápios respeitados, louvados bem-sucedidos!

Não são incomodados pela Receita Federal (que dá a impressão de existir apenas para molestar assalariados). Tudo flui como se no melhor dos mundos: carrões, barcos, mansões cinematográficas, os mandatários, especialmente, vivem como nababos.

O genial Aparício Torelly, o Barão de Itararé, costumava dizer que “-Negociata é todo aquele grande e bom negócio do qual fomos excluídos”. Que faria a maioria de nossos mandatários se não estivesse envolvida em negociatas vergonhosas? Certamente não cuidaria do país, do qual não entende nem gosta.

A formalidade e pompa herdadas do Estado português servem apenas como biombo na escamoteação de malfeitos, pouca-vergonha e roubalheira. É “excelência” pra lá e pra cá, como se existisse respeito. Somos sociedade nelsonrodrigueana, putrefata e dolorida.

Isso não quer dizer que as outras sociedades do planeta sejam melhores, até porque fica difícil estabelecer o que é melhor ou pior no comportamento da chamada raça humana. O fato é que brasileiros, conjuminados com os que habitam esse vasto continente sul-americano, são diferentes.

Quando Dom Pedro I embarcou no navio inglês Warspite, que iria levá-lo de volta à Europa (7 de abril de 1831), a oficialidade inglesa ficou impressionada com suas más maneiras. Ao observar sua esposa, D. Amélia, passando do escaler para o navio, sua majestade gritou e todos ouviram:

“-Lembre-se, querida, de que está sem calças.”

Quem é capaz de identificar comportamento mais canalha? E como um ato de canalhice pode ser mensurado ou aferido? Sem contar que D. Amélia era sua segunda esposa. A primeira, D. Leopoldina, morreu grávida de três meses e as suspeitas da época a colocam como vítima de maus tratos infligidos por Sua Majestade Imperial.

Hoje, longe do oficialismo dourado de nossa história, sabe-se que D. Pedro I costumava aplicar “corretivos” na esposa que devem ter apressado sua morte.

O fato é que o imperador tanto a castigou e humilhou, impondo-lhe inclusive a companhia da amante, a marquesa de Santos (Domitila de Castro), que na vizinhança da morte ela se queixava de “dores na perna e chorava como criança”.

O nosso tipo de canalhice é diferente. Não somos como a Inglaterra ou os EUA, que se apoderam do mundo ameaçando e matando, espoliando seus recursos naturais. Não somos os canalhas espoliadores, somos os espoliados.

Vem desde bem longe a submissão aos interesses estrangeiros, na concessão do futuro das gerações de nossos descendentes pelo suborno, entrega do patrimônio e venda da alma, muitas vezes, em troca de medalhas e comendas. Introjetamos o espírito do dominado, o colonizado. O assaltado acomodado.

Afinal, os portugueses chegaram subornando e matando os poucos que tentaram resistir. Em Pernambuco, por exemplo, foi eliminada a maior parte dos que buscaram construir nação diferente. Veja-se frase profética do libertador Simon Bolívar, analisando o continente de colonização ibérica:

“-Nunca seremos afortunados, nunca!”.

A entrega indiscriminada de nossas reservas e recursos já se mostra disseminada. Como se evolução genética na área social. A canalhice de nossos dirigentes é clara e explícita. Ela já não engana a mais ninguém, somente aos tolos e imbecis.

Escolhemos a submissão, a entrega indiscriminada, a renúncia aos nossos direitos, a estruturação governamental de fancaria, na qual os poderes constituídos acobertam crimes e desvios, pregando o combate aos mesmos crimes e desvios.

Somos nação doente, sucumbindo na desmoralização da incúria e da indiferença. Diferentemente daqueles que nos espoliam e fomentam nossa miséria (na cumplicidade dos que supostamente nos dirigem), seremos dizimados pela fome e pela violência, numa terra repleta de incontáveis fundos.

Márcio Accioly é Jornalista.

5 comentários:

Arlindo Montenegro disse...

Êta pagininha "abra os olhos!" Prá quê? A visão é dantesca. Se correr o bicho pega, se ficar...
Usar óculos escuros adianta? Isto é um atoleiro ou um grande campo de concentraçao sofisticado, moderno, globalizado?
O contundente é pensar que nós os senectos, contribuimos para estes momentos de desespero. E não adianta ficar pelado em público...A robalheira e o cinismo são as "virtudes" da moda institituida e aprovada por marx, stalin, hitler, goebels,guevara,pol pot,stédile,lula,castro,marighella,papa doc, e tantas centenas de heróis da violência contra a vida.

Unknown disse...

Meu querido Jorge serrão,será que nós ainda temos alguma chance nessa vida de ver a canalhice toda ser minoria,ou pelo menos veremos uma virada de paradigma na sociedade Brasileira? Estou cançado de apenas escrever, estou cançado da falça democracia, estou cançado desse povo que fica a lamber os pelos calmamente como um gato a quem a realidade é indiferente. Precisamos atacar mais e melhor, fazermos a verdadeira contra revolução.

BRAGA disse...

Infelizmente, srs. Montenegro e Edgard, tá feia a coisa. A família está sendo detonada pela grande mídia (novelas e cia). A violência está disseminada na família, na forma de omissão, falta de respeito, pseudoliberalismos dos pais e atitudes modernosas. A metásteses está atingindo o tecido social de forma insidiosa e nefasta. O que deveria servir de referência está podre. Os sentimentos éticos e morais foram para o espaço. Plim-plim!
O povo, de um modo geral, é bem “chegado”!
Pergunto: que país colonizado por portugueses safados e boçais deu certo?
Braga

Anônimo disse...

A HUMANIDADE NÃO PASSARÁ DO ANO 2012 SEGUNDO AS PROFECIAS DE TODOS OS MAIS FAMOSOS PROFETAS.
ESTA CORJA QUE ESTA PERPETRANDO TODAS ESTAS BARBARIDADES SÃO ESPIRITOS DAS TREVAS QUE REECARNARAM PELA ULTIMA VEZ ANTES DE VOLTAREM AO INFERNO DE ONDE VIERAM, O MUNDO SERÁ PURGADO... PORTANTO SÓ FALTA APENAS 5 ANOS!!!
NÃO FICARÁ PEDRA SOBRE PEDRA... TODAS AS ILUSÕES MATERIALISTAS VÃO CAIR JUNTO COM ESSA HUMANIDADE PODRE. RESTA ORAR E SE PREPARAR PARA O DIA 21 DE DEZEMBRO DE 2012.

Anônimo disse...

Abôrto é um problema de quem quer fazer. Que tenho a ver se minha vizinha fizer? Se for em minha família quero ter liberdade para fazer ou não. E o que outros tem com isto? Temos muito trabalho com quem já nasceu pois o planeta está super povoado e não há oportunidade para todos. Que cada um cuide de sua vida e não se meta com a dos outros. Ou vá criar abandonados (quero ver).