quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Gato escondido com rabo de fora

Edição de Artigos de Quarta-feira do Alerta Total

Por Márcio Accioly

Depois de queimar o filme por inteiro, na votação que absolveu Renan Calheiros (PMDB-AL), no primeiro processo a que foi submetido por quebra de decoro, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) corre agora em busca do tempo perdido.

Ele defendeu a escolha de dois relatores nos dois processos a que Renan ainda irá responder, posicionando-se contrariamente à decisão do senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), presidente do Conselho de Ética, que queria unificá-los num só.

Não restou a Quintanilha outra opção: mudou de posição na pressão petista, embora mantendo Almeida Lima (PMDB-SE), escolhido anteriormente para a dupla relatoria. Mas as coisas não estão nada tranqüilas na Casa.

É certo que a votação ainda será secreta, muito embora as sessões de julgamento dos senadores tenham passado a ser abertas. Renan acredita que será salvo pelo plenário. E é possível que tal aconteça. A cada novo dia, cada qual joga um balde de lama no que se encontra do outro lado, terminando por confundir na aparência.

O senador Almeida Lima, por exemplo, dedica-se ultimamente a alimentar bate-boca com alguns de seus pares. Na terça-feira (02), depois de reagir a uma provocação de Agripino Maia (DEM-RN), ele disse não ver, “em sua excelência, nenhuma condição moral ou ética superior à minha para contestar a minha indicação como relator”.

Maia rebateu, perguntando: “-A que questão moral e ética o senhor se refere? Temos o direito de saber. A minha biografia é limpa, eu não preciso falar por ela”. De maneira que existe muita eletricidade no ar e qualquer faísca mais demorada é capaz de provocar queimadura.

Sem contar os que tentam tirar proveito, confundindo incautos e desavisados. O senador Cristóvam Buarque (PDT-DF), que se sentia unha e carne com o presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP), até ser demitido por telefone do Ministério da Educação (no primeiro mandato), foi outro a se atritar com Almeida Lima.

Cristóvam iniciou sua militância política em Brasília como pedetista de carteirinha, brizolista até a raiz do cabelo. Ex-chefe de gabinete do então ministro Fernando Lyra (Justiça), foi reitor da UNB, governador do Distrito Federal e, agora, senador. Elegeu-se governador pelo PT, porque viu melhor oportunidade na legenda.

Em 1998, quando achava que o atual presidente poderia se eleger contra FHC, colocou a boca no trombone em defesa da permanência da equipe econômica do tucano, “para que não acontecesse nenhum grande sobressalto”. Ninguém entendeu.

Como é que um petista “radical” se mostrava capaz de defender Pedro Malan, Armínio Fraga et caterva? Tempo depois, compreendeu-se: foi quando ele surgiu prefaciando livro do mega-especulador George Soros, que vive da escravidão dos povos dos países por eles classificados de “emergentes”. Cristóvam já não engana tanto.

No PSDB, partido cujo presidente da República (FHC) teve um filho com a jornalista Miriam Dutra (Rede Globo) e ninguém foi jamais investigar como era paga a pensão alimentícia (se através da emissora), a situação é delicada.

O problema é que o senador Eduardo Azeredo, ex-governador de MG, juntamente com Aécio Neves (atual governador), estão envolvidos com Marcos Valério no mesmo tipo de mensalão que dizem combater no PT. Azeredo, quando viu que iria para o sacrifício, envolveu FHC no caso e colocaram panos quentes e frios.

É preciso ter memória de elefante para tantas desfeitas e malfeitos, torcendo para que Renan se enxergue perdido e entregue o serviço com relação aos demais. É a única forma de se dar uma vassourada em pelo menos um quarto dos roedores e peçonhentos.

Márcio Accioly é Jornalista.

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