quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Interesses particulares e inconfessáveis

Edição de Artigos de Quinta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Eliakim Araújo

Estive em São Paulo semana passada para a inauguração do Record News, o primeiro canal de notícias 24 horas em TV aberta. O sucesso do evento foi tão grande quanto a repercussão que causou o discurso do presidente do Grupo Record, Edir Macedo, ao afirmar que “durante muito tempo fomos reféns de um grupo que mantém o monopólio da informação. Nós queremos acabar com esse monopólio”. Não citou a Globo, nem precisava.

A partir daí e de uma informação do jornalista Josias de Souza, da Folha, sobre manobras de um executivo da Globo em Brasília que tentou impedir a presença do presidente Lula no evento, denunciando uma suposta ilegalidade do novo canal, a guerra estava deflagrada, com acusações de parte a parte. Chamou-me a atenção nesse tiroteio de notas e editoriais a da Central Globo de Comunicação que acusa a Record de usar “suposto espaço jornalístico para a defesa de interesses particulares e inconfessáveis”. Novo paladino da moral e dos bons costumes, a emissora da família Marinho prefere ignorar que o Jornal Nacional já foi usado inúmeras vezes com o mesmo objetivo.

Os que têm boa memória hão de se lembrar da campanha cerrada do Jornal Nacional contra o então Ministro da Justiça do governo Figueiredo, Ibrahim Abi-Ackel, que ousou impedir a liberação de uma carga de equipamentos destinados à TV Globo. Durante várias edições, o JN acusou o ministro de envolvimento no contrabando de pedras preciosas, no qual Abi-Ackel não teve, comprovou-se depois, nenhuma participação. Mas pouca gente lembra disso. É provável até que os jovens executivos da Globo “desconheçam” o episódio. O próprio Abi-Ackel o omite em sua biografia.

Também o governador Leonel Brizola foi vítima de imensos editoriais no Jornal Nacional. Este escriba mesmo, em seus tempos de substituição dos titulares do JN, nos fins de semana e feriados, teve a oportunidade de ler alguns desses editoriais, que eram publicados no domingo no jornal O Globo e antecipados aos sábados na TV.

Ou seja , essa história de acusar a concorrente de usar o principal telejornal da casa para defender “interesses particulares e inconfessáveis” é velha, faz parte dos usos e costumes da mídia brasileira, e foi a própria Globo quem editou e ensinou a cartilha aos demais interessados.

Falar desse assunto não era o objetivo da coluna de hoje, mas não podia deixar passar em branco a oportunidade de resgatar a influência da Globo em momentos históricos do Brasil. Minha ida a São Paulo depois de dois anos, impressionou-me, na verdade, pelo trânsito caótico que encontrei na cidade. Todos, absolutamente todos, dirigem como se estivessem disputando uma corrida de fórmula um. Corta-se pela direita e pela esquerda sem nenhum respeito pelo motorista que vem atrás, este por sua vez acabou de fechar um outro competidor, e assim sucessivamente. Ninguém parece se importar, é como se houvesse um acordo tácito, uma regra geral acima de qualquer Código de Trânsito ou bom senso. Tudo isso sem falar nos buracos e nas ruas desniveladas.

Um capítulo especial no caótico trânsito da capital paulista são os motoboys. Eles estão em todas as ruas, em todos os sinais (faróis), às centenas, milhares, num desfile interminável de buzinas nos corredores formados pelas filas de carros engarrafados. Eram 250 mil em 2003, segundo o documentário “Motoboys: Vida Loca” , de Caito Ortiz, com uma media de três mortes por dia. Hoje, dizem, são mais de 500 mil.

Curiosa mesmo é a participação dos guardas, os chamados”marronzinhos” na organização do trânsito. Nenhuma. Eles se limitam a, escondidos, anotar placas de motoristas infratores, que pagam pesadas multas pela falta do cinto de segurança ou pelo uso do celular. É uma total inversão de valores, a cidade é que devia pagar multas aos motoristas, as grandes vítimas do trânsito em SP, e não o contrário.

PS. Na sexta-feira, 28/09, o colunista gastou exatos 100 minutos para ir do Morumbi a Barra Funda, no final da tarde. Pior foi o "pobre" do Luciano Hulk que perdeu um rolex avaliado em 50 mil reais que tinha acabado de ganhar de sua Angélica.

Eliakim Araújo é editor do site Direto da Redação (www.diretodaredacao.com). Foi âncora dos jornais da Globo, Manchete e SBT. Ancorou o primeiro canal internacional de notícias em língua portuguesa, o CBS Brasil.

6 comentários:

BRAGA disse...

Prezado Eliakim. Boa noite.
Minha esposa e eu acompanhamos a sua trajetória profissional desde os tempos da “Jornal do Brasil” AM, até o telejornal em Miami (USA).
Também moro em São Paulo, embora sejamos cariocas. Realmente o trânsito aqui, realmente é de lascar. “Ô loco, meu”.
Um grande abraço.

Anônimo disse...

Eliakim deveria abrir uma sociedade como Paulo Henrique Amorim: são rancorosos contra a Globo porque não os querem lá.Inveja só.Pior tipo de jornalista é o que cospe no prato em que comeu.

Anônimo disse...

provou-se que abi ackel não teve participação no contrabando de jóias?
onde cara pálida? por quem?

humberto sisley

Anônimo disse...

AO ANONIMO DAS 10:45 PM

Pior emissora é aquela que manipula informações, (pelo menos àquelas que futuramente lhe interessará com moeda de troca para favores ou em beneficio financeiro) pois soube que esta mesma emissora que causa rancores andou trocando sua dívida de contas à pagar de real para dolar afim de obter .......(e obteve)o pior que foi visto no balanço pela contratada à época e foi devidamente acobertado. Detalhe a conversão da dívida foi exatamente na véspera de 06 de março de 1995, para quem não lembra a primeira desvalorização do real e logicamente reconvertida em real.
Certos jornalistas tem a credibilidade por justamente estarem onde podem falar o que deve ser dito, se quiserem ser estrelas vão fazer novelas, que aliás anda uma baixaria.
Abraços ANONIMO

Anônimo disse...

Abi-Ackel era inocente? Onde? Na China?

E se Eliakim denuncia só agora o que acontecia sob a sua vista é tão inocente assim?

Esse é o jornalismo que enoja: o de oca$ião.

BRAGA disse...

Aos anônimos.
Rancor faz mal para a saúde.
Mas quando a Globo “pega no pé” de alguém, detona o infeliz!.
Corporativista ela é. Quantos “Tim Lopes” anônimos foram detonados de forma idêntica ao original. E a Globo não dá um pio!
Cria uma falsa imagem da minha querida e ex-cidade maravilhosa.
Hoje, vivo no “exílio” com minha família, dentro da minha Pátria, que maus governantes mandaram “prá puta que pariu!