quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Proibido para menores e inocentes

Edição de Quinta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

No país da galhofa, há quem se surpreenda com o fato de o deputado federal Eduardo Paes (RJ), ter pulado do PSDB para o PMDB com a mesma facilidade com que Mangabeira Unger pulou da oposição ferrenha à gestão Dom Luiz Inácio (PT-SP), para uma Secretaria com status ministerial.

Ora, que besteira! Desde quando isso aqui funciona ou funcionou? Desde quando as autoridades constituídas tiveram ou têm algum respeito com aqueles que lhes pagam salários e mordomias?

E há quem fique mais admirado, ainda, por conta de Eduardo Paes ter saído da secretaria-geral do PSDB para o colo aconchegante do governo federal. É certo que o deputado federal foi um dos mais ácidos críticos da gestão petista. Na CPI dos Correios, teve papel destacado. Mas qual a diferença entre PT e PSDB, ou PP e PMDB?

É verdade, também, que o parlamentar disse que o mais alto mandatário do país (que se gaba de ser analfabeto), é “demagogo”, “autoritário”, “populista” e “psicótico”, conforme lembrado no painel da Folha de S. Paulo da quinta-feira (04). E mais não disse, porque mais não quis dizer.

E o que é que tem isso? Alguma coisa demais? O presidente Dom Luiz Inácio não chamou o então presidente, José Sarney (1985-90), de “ladrão”, quando ainda era candidato ao Palácio do Planalto? Collor não havia dito que iria arrancá-lo “pelo bigode”, lá da cadeira do Palácio do Planalto?

E eles todos não andam agora de mãos dadas, trocando juras de compadrio e bem-querer, assim como se nada disso tivesse acontecido? Vão bem deixar de ocupar cargos e mordomias, por conta de uns adjetivos jogados lá atrás?

O PT do Maranhão, aliás, numa cartilha elaborada pelo hoje deputado federal Domingos Dutra, conta horrores a respeito do bigodudo da terra de Gonçalves Dias, deixando em maus lençóis, inclusive, o ministro Marco Aurélio de Mello, primo do ex-presidente (1990-92), Fernando Collor de Mello, hoje senador por Alagoas.

Ele diz que Sarney apelou a Collor que falou com Marco Aurélio para livrar o velho ratão do banhado, autorizando a realização de nova convenção partidária, fora do prazo, para resolver pendências eleitorais na sua candidatura ao Senado pelo Amapá.

Na roda da fortuna, ou da sorte, ou do destino, os nomes se multiplicam entre os mesmos. As pessoas comentam nas ruas que “brasileiro é bicho-frouxo”, não faz nada, tudo acontece e fica por isso mesmo, ignorando o fato de que o país registra alguma coisa em torno de cem mil homicídios por ano (os números se manipulam para baixo).

Quando se aborda a quantidade de homicídios, as classes médias dizem que “isso é assalto, é roubo”, porque gostariam de ver os setores populares resolvendo suas questões aqui em cima, removendo figurões que cometem absurdos e não são punidos.

Muitos gostam de comentar que “o brasileiro é cordial”, mas nenhum admite ser capaz de circular sozinho por áreas urbanas de cidades ensandecidas, pois sabem que a convivência social no Brasil está restrita a currais. Com cercas elétricas e guaritas.

Enquanto isso, os que deveriam primar por nossas instituições cuidam de causar a desmoralização, diariamente, amparando-se em mitos e chavões que vão cansando pela insistência. Não enxergam que a casa pode cair.

De golpe baixo em golpe desleal, as instituições vêm perdendo a credibilidade há anos e anos. Nada mais surpreende. Mesmo quando acontece de serem mudados os gatos, continua o mesmo saco. Os inimigos de hoje serão amigos amanhã e vice-versa, porque o que vale é o interesse pessoal ou de grupo e a população que pague a conta.

Márcio Accioly é Jornalista.

2 comentários:

Anônimo disse...

Boa noite,


Tenho observado, que nos últimos dias, tem havido poucos comentários dos leitores desse blog!

E... de repente esse artigo me faz pensar...

Será que estamos enjoados ou enojados de tanta infâmia???

Em mim, pelo menos, a sensação de impotência tem aumentando tanto, que até a vontade de ler, ouvir ou conversar sobre essas imundícies praticadas, constantemente, à luz do dia, na frente de crianças, por nossos "homens públicos" está desaparecendo!

É como se lêssemos a mesma notícia por anos a fio!!! Nada muda... Só piora!!!

Estou me sentindo como alguém que tem um familiar em coma há muito tempo. No início, qdo. existia a esperança de cura, toda tentativa era válida! Mas, na medida que o tempo foi passando e o paciente piorando, as esperanças foram se esvaindo, dando lugar ao desânimo e ao conformismo!!

Sei que isso é muito ruim, que não podemos nos deixar abater e fazer o jogo deles, mas até quando pagaremos, com muito trabalho e sacrifício para assistir, diariamente, a essa infinidade de espetáculos grotescos, aviltantes e acintosos sem poder fazer nada?

Anônimo disse...

É por tudo isso que anulo meu voto há duas eleições.
Não acredito mais em político.