domingo, 28 de outubro de 2007

Receita para o fracasso

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Estranho país o Brasil: dominado pela violência e corrupção generalizadas, com direito a espetáculo de circo e prisões (embora de curta duração), vê seu sistema econômico (dito capitalista), funcionar em clima de experiência sem igual no planeta. Aqui, nada é feito com seriedade, mas até agora quase tudo vem dando certo.

Temos um governo que recentemente testemunhou o indiciamento de 40 de seus principais integrantes pelo procurador-geral da República. O ex-ministro-chefe da Casa Civil Zé Dirceu (PT-SP), foi apontado como chefe de quadrilha que desviou milhões de reais dos cofres públicos (com direito a mensalão), mas, mesmo assim, continua forte.

É recebido pelo presidente da República, de quem ganha afagos, tendo sido acusado até mesmo de representar o Brasil em contatos internacionais, depois de afastado do cargo. Ele foi defenestrado, como se recorda, pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), que detonou inacreditável esquema dentro do Planalto.

No nosso País, qualquer fio de meada que se puxe leva a esquema de corrupção a envolver pessoas das mais “inatacáveis”. Não se tem como dedicar muita atenção a determinado assunto, pois um é logo engolido pelo outro, cada qual mais escabroso.

Veja-se, por exemplo, que nunca mais se abordou a questão dos cartões corporativos, matéria publicada pela revista Istoé Dinheiro no dia 24/08/05. Naquela época, causou furor o fato de a primeira-dama, Marisa Letícia, ter gastos registrados de 441 mil reais entre os meses de janeiro e agosto de 2004!

O presidente Dom Luiz Inácio, dizia a reportagem, que tinha então nove ecônomos (funcionários encarregados de retirar dinheiro com cartões corporativos para pagar pequenas despesas de sua excelência), contabilizou gastos em torno de um milhão e 510 mil reais, correspondentes a 189 mil mensais, de 2003 a 2005.

Quem desejar saber detalhes do que foi publicado deve acessar o site (http://www.terra.com.br/istoedinheiro/415/economia/saques_dinheiro_vivo.htm).

Trata-se de impressionante festival de gastos, capaz de deixar com água na boca todo e qualquer cadastrado no falido Programa Fome Zero (outro assunto já esquecido).

Agora, pretende-se apurar através de CPI a atividade das ONGs no Brasil. Há mais de 275 mil delas em funcionamento, grande parte recebendo recursos financeiros públicos e enriquecendo figuras das quais muitos sequer desconfiam. A própria líder do bloco governista no Senado, Ideli Salvatti (PT-SC), deverá ser investigada.

O repasse de dinheiro público às ONGs fugiu completamente ao controle, segundo palavras do procurador do Ministério Público junto ao TCU (Tribunal de Contas da União), Lucas Furtado. Ele disse ainda que “só não desvia dinheiro quem não quer”, referindo-se às ONGs que recebem os recursos.

Entre 1999 e 2006, durante as gestões FHC e Dom Luiz Inácio, foram repassados mais de 48 bilhões de reais para as Organizações Não Governamentais. O descalabro está oficializado.

Apesar de todos esses desmandos, já foi dado início às articulações para um terceiro mandato de Dom Luiz Inácio. Como a maioria dos nossos políticos calça 40, não se consegue distinguir quase ninguém, caso algum desavisado perca tempo em apenas analisar o sapato.

Percebe-se que, apesar de grande parte dos nossos governantes não possuir qualificação profissional ou moral para assumir cargos eletivos que assumem, a coisa caminha ao deus-dará e tudo é feito na base da improvisação. Até quando tudo isso será suportado, não se sabe. Mas nada é permanente ou imutável, nem mesmo a indiferença.

Márcio Accioly é Jornalista.

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