domingo, 23 de dezembro de 2007

Criminosos à Solta

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

No Brasil, se um marginal quiser matar cidadão sem despertar suspeita e pena prisional (o que acontece até para homicídio), é só atropelar com veículo em alta velocidade e argumentar que perdeu a direção.

No último dia 13 de outubro, em Brasília, na proximidade de uma das pontes por sobre o Lago Sul (área nobre da Capital Federal), racha entre dois irresponsáveis deixou como saldo a morte de três mulheres, cujo veículo foi abalroado e jogado em cima de um poste.

O causador do acidente, Paulo César Timponi, 49 anos, professor de educação física, já havia cumprido pena de três anos de prisão, passando um ano e seis meses em regime fechado, por tráfico de drogas.

Em novembro de 2005, o ministro Paulo Medina (quem se lembra dele?), muito cioso e responsável, “negou agravo de instrumento que tentava reverter a sentença”.

Em 2007, foi a vez do próprio ministro do STJ ser defenestrado. Seguiu para casa sem punição e sem perder o alto salário, acusado de vender sentença (seu irmão foi preso na Operação Hurricane). Sua ex-excelência era acusado, também, de assédio sexual em denúncia anteriormente encaminhada à Corregedoria daquele Tribunal.

Aqui, uma coisa puxa a outra e, de repente, vem um monte de gente do mais alto naipe e calibre enredada numa teia sem fim. Nada dá em nada. O fatos vão se agravando e a população, de maneira geral, toma consciência da indiferença generalizada e da evidência de que, Justiça, só se for com as próprias mãos.

Quando Timponi matou as três mulheres em Brasília, o diretor-geral do Detran, Délio Cardoso, declarou do alto de seu garbo e imponência: “-Na minha gestão, este homem nunca mais dirige. A carteira de motorista dele está oficialmente cancelada. É questão de honra para mim”.

Pois bem: no dia 20/12, no jornal O Estado de S. Paulo, matéria assinada por Vannildo Mendes dizia o seguinte:

“O diretor do Departamento de Trânsito (Detran) do Distrito Federal, Délio Cardoso, de quem se espera conduta exemplar no trânsito, está tendo dores de cabeça para explicar uma contradição. Foi flagrado por radares cometendo 42 infrações nos últimos dez anos, a maioria por excesso de velocidade - cinco delas são consideradas graves e a lei inclui entre as penalidades a suspensão do direito de dirigir. O episódio ficou ainda mais constrangedor porque, com base em fotografias de radares, Cardoso já suspendeu a carteira de 30 mil motoristas de Brasília.”

Quem pode assegurar não ter sido por pura sorte o fato de o diretor do Detran do Distrito Federal não ter se envolvido em acidente tão grave quanto o de Timponi?

Em qualquer país sério, ele teria sido imediatamente afastado do cargo pelo governador José Roberto Arruda (DEM), pois uma pessoa que tem sob sua responsabilidade a direção de tal órgão teria de estar acima de suspeita.

Será que no Distrito Federal não existe quem tenha ficha limpa, em condições de dirigir o Detran? Estranhamente, não houve nenhuma repercussão do caso, todos ficaram convenientemente calados e é como se nada tivesse acontecido.

É bom lembrar que o próprio governador do DF, quando senador, renunciou ao mandato parlamentar, no dia 24/05/01, depois de flagrado violando o painel de votação do Senado, na companhia do falecido senador ACM.

Depois de tudo isso, nossas “autoridades” não sabem a razão de tanto descrédito e do aumento incontrolável da violência. Não existe respeito nem segurança, estamos todos vulneráveis e sujeitos à sanha dos insensatos. Quem pode acreditar em ordem e progresso?

Márcio Accioly é Jornalista.

Nenhum comentário: