segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Hugo Chávez não é o "Curintias"

Edição de Artigos de Segunda-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

Por Jorge Serrão

O Corinthians foi rebaixado para segunda divisão do Brasileirão. Lula ficou pê da vida. Deve ter tomado um porre de raiva. Hugo Chávez sofreu sua primeira grande derrota eleitoral desde sua esmagadora vitória em 1998. Lula, no seu íntimo, gostou de saber que seu companheiro do Foro de São Paulo, ficou com poderes mais restritos. Inveja é uma merda! Chávez não poderá concorrer a uma terceira reeleição em 2013. A Constituição venzuelana vigente só lhe permite dois mandatos. Igualzinho a Lula. A não ser que alguém vire a mesa. Será?

Em Caracas já se comenta a possibilidade de o presidente recorrer à convocação de uma Assembléia Constituinte para garantir a implementação de mudanças barradas no plebiscito, entre elas a reeleição ilimitada. Isso é fácil, pois Chávez só precisa do apoio de 5% de eleitores para convocar a constituinte. O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), criado pelo presidente, deverá cuidar disto imediatamente. Nada custa lembrar que, durante a campanha, Chávez repetiu que quem votasse contra sua proposta estaria votando contra ele e sua revolução socialista.

A própria oposição dá mole para Chávez. O general da reserva e ex-ministro da Defesa da Venezuela, Raul Isaías Baduel, pediu hoje que seja realizada uma Assembléia Constituinte que reconcilie o país, após o referendo constitucional. Baduel alertou que o presidente Hugo Chávez poderá realizar mudanças drásticas com os poderes que lhe outorgou uma lei especial aprovada em janeiro. A lei dá ao presidente amplos poderes para legislar em diversos assuntos por um ano e meio.

Chávez é persistente. Promete mais briga, apesar do tom falsamente conciliatório na fase pós-eleitoral. Já minimizou a vitória apertada do “Não”. Comentou que não sofreu qualquer derrota. O presidente foi taxativo: “Para mim este é outro por enquanto". Chávez repetiu a mesma expressão de quando tentou e fracassou com seu golpe de Estado de 1992. O “por enquanto” daquela época demorou seis anos. Em 1998, Chávez venceu as eleições. Tentaram derrubá-lo com um golpe, em 2002. Mas ele resiste até hoje no poder. E quer mais: o socialismo bolivariano. Vejamos quanto vau durar o novo "por enquanto".

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) demorou a divulgar os resultados. O “Não” foi cravado por 50,7% dos eleitores. O "Sim" obteve 49,29% dos votos. Também o segundo bloco da reforma constitucional chavista foi rejeitado por 51,05% dos eleitores - enquanto 48,94% o aprovaram. Grupos de estudantes e representantes do heterogêneo "Bloco do Não" comemoraram a vitória do Não. O sub-secretário de Estado norte-americano, Nicholas Burns, também celebrou a derrota chavista.

Mas é mesmo muito cedo para soltar foguetes. Chávez ainda detém o poder. De fato e de direito. E tem mecanismos institucionais para virar o jogo novamente a seu favor. Chávez joga com as regras. Algumas até criadas por seu próprio time – graças à omissão da oposição que se absteve na eleição passada. O preço da estratégia errada é pago agora, com juros e correção. Chamá-lo de “ditador” (como muitos opositores a Lula gostam de fazer) é uma simplificação perigosa. Também é perda de tempo e gasto inútil de precioso espaço editorial praticar xingamentos imprecisos contra Chávez. A oposição a ele precisa de mqais competência. Da mesma forma como a oposição a Lula.

O personagem bolivariano – um combatente por natureza - tem a capacidade de sair vitorioso das aparentes derrotas. Chávez atribuiu à abstenção a derrota sofrida por seu projeto de reforma constitucional. O líder bolivariano garante que esses três milhões de faltosos continuam apoiando a revolução. Alega que eles apenas não foram votar. Chávez assinalou que a responsabilidade por essa abstenção deve ser buscada em suas próprias fileiras. O presidente admitiu que a derrota pode ter acontecido porque não soube explicar bem o alcance da reforma ou porque outros aspectos relacionados com a organização e mobilização de seus seguidores falharam.

Chávez não está para brincadeira. Seus planos são ambiciosos. Seus apoiadores internacionais, sobretudo na City de Londres, apostam todas as fichas em suas estratégias geopolíticas. Os banqueiros ingleses trabalham com Chávez na montagem do grande Banco Bolivariano – conforme o Alerta Total revelou hoje, com exclusividade. O banco vai funcionar como um financiador de grandes operações de fusão e aquisição na América Latina. O dinheiro fácil do petróleo em alta facilita tudo.

Um famoso e simpático ex-presidente de banco central, muito ligado a especuladores internacionais de primeira linha, é um dos operadores da grana de Chávez. Há quem aposte um Big Mac na competência do sujeito. Além do gerentão laranja, o famoso advogado, consultor de empresas e blogueiro José Dirceu de Oliveira e Silva está com Chávez nesta e noutras jogadas bilionárias.

O Corinthians não terá como virar a mesa. Nem com todo o prestígio do presidente-torcedor-pé-frio Lula da Silva. Caiu pela incompetência do time e da diretoria do clube – famosa por fazer negócios estranhos com mafiosos russos, socorridos por grandes capitalistas ingleses. Mas Hugo Chávez não é o Timão. Os parceiros britânicos de Chávez na Oligarquia Financeira Transnacional são mais profissionais. Nunca jogam para perder. E não jogam na segunda divisão. Nunca se rebaixaram a tanto. Até porque, nunca precisaram.

Por isso, é bom esperar o próximo lance do Chapolim Colorado e sua turminha, antes de comemorar. Vale repetir: Hugo Chaves não é o “Curinthians” – apesar da aparente derrota anunciada nesta “segundona-feira”.

Jorge Serrão, jornalista radialista e publicitário, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. http://alertatotal.blogspot.com/ e http://podcast.br.inter.net/podcast/alertatotal

3 comentários:

Unknown disse...

Bela análise Serrão, eu gostaria que fosse equivocada, mas fazendo uma leitura dos anos passados...

O timão pode ate pode ir para a terceira divisão, já arrancar Chavez da cadeira...

Anônimo disse...

Brasil e Corinthians: Semelhanças.

O Corinthians, nos ultimos anos, vinha sendo "administrado" por gente corruPTa, mentirosa e incomPTente...Resultado: Caiu prá Segundona! Já o Brasil....

Anônimo disse...

Bom texto. Porém, não chamar o time de centenas ou, por que não, milhares de leitores do seu blog pelo nome correto : CORINTHIANS : é um desrespeito a todos nós, corinthianos. Seria o mesmo que um escritor do qual você é fã escrever um texto se referindo ao "FLAMERDA" ou algo assim. Tome cuidado com o bairrismo. Muitos aqui são fãs do seu blog, mas gostariam de ler textos com o mínimo de respeito a uma paixão que jaz em 33 milhões de brasileiros. Sds. Rafael Martin