sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

A última contrariedade do Ottomar

Edição de Artigos de Sexta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Familiares e correligionários políticos do grupo ligado ao falecido governador Ottomar de Sousa Pinto (PSDB-RR), estão muito queixosos do senador Mozarildo Cavalcanti (PTB), por conta de sério entrevero por ele mantido com o velho brigadeiro na véspera de sua morte.

A altercação, testemunhada apenas pelo secretário de Planejamento, Haroldo Amoras, ganhou o mundo em razão de lamentações do próprio Ottomar, que comentou com alguns parlamentares federais e, inclusive, com seu ex-secretário de Segurança coronel Santos Rosa.

Desde a última sexta-feira (7), Ottomar tentava articular politicamente (com membros da bancada de Roraima), buscando aprovar a CPMF (imposto do cheque), em troca de promessas do governo federal de resolver questões pendentes com referência ao seu estado.

Ele queria terras da União para viabilizar uma saída, no estrangulamento a que Roraima se vê constrito, especialmente com a anunciada retirada dos arrozeiros da reserva indígena Raposa/Serra do Sol.

A economia do estado irá sofrer sérios transtornos com a saída dos rizicultores. Até, porque, para se viabilizar nova área, alcançando-se os mesmos níveis de produção que transformaram aquela unidade federativa em centro exportador do grão, serão necessárias algumas décadas de intensa dedicação. Nada se faz da noite para o dia.

Não parece haver interesse, por parte do governo Dom Luiz Inácio (PT-SP), em buscar alternativa. A Região Amazônica é objeto de cobiça dos países do chamado primeiro mundo, devido às imensuráveis jazidas de raros minérios que abriga.

O próprio presidente da República confessou a Ottomar, numa audiência no Planalto, estar de “saco cheio” com pressões internacionais, desejoso de homologar com rapidez a reserva. O que terminou acontecendo alguns dias depois dessa conversa.

Pois bem: na segunda-feira (10), depois de muitas tentativas para encontrar Mozarildo, o governador finalmente conseguiu alcançá-lo por telefone e se dispôs a visitá-lo no gabinete do Senado. Mas o senador avisou que não se preocupasse, pois iria ao hotel onde Ottomar se hospedara.

Chegando lá, Ottomar explicou-lhe a situação e disse que gostaria de ter a companhia de Mozarildo na audiência do dia seguinte com o presidente Dom Luiz Inácio. O governador desejava o empenho do seu voto a favor da CPMF.

Segundo Ottomar, foi “a primeira vez” (embora não soubesse ser também a última) que pediu “alguma coisa” a Mozarildo, depois de tê-lo praticamente “carregado nas costas” (palavras literais) para elegê-lo em 2006. O senador disse “Não” e fincou pé. Trocaram palavras duras e se ofenderam.

Alquebrado, o velho brigadeiro versou a respeito da ingratidão humana, embora tivesse sido ele próprio, muitas vezes, apontado como ingrato. Citou Maquiavel e outras figuras, já que era homem de vasta cultura e detentor de grande conhecimento.

Pela manhã, depois de baterem à sua porta, sem resposta, abriram-na com a cópia da chave e o encontraram sentado numa poltrona. No chão, uma garrafa plástica derramando água mineral no tapete. O governador tinha o olhar absorto, como se enxergasse através dos obstáculos e como se já nada mais importasse.

Levado ao hospital às pressas, ali chegou sem vida. O secretário Haroldo Amoras, abalado, nada comenta. O senador Mozarildo, assustado, nem votou sim nem não, presente ao sepultamento. E, assim, seguem os radiosos dias e é tecida a existência.

Márcio Accioly é Jornalista.

3 comentários:

Anônimo disse...

Da coluna do Claudio Humberto:

Todos no divã
Reúne-se pela primeira vez nesta sexta-feira, no Rio, o conselho consultivo da TV Brasil, a tevê do Lula, cuja audiência oscila entre zero e traço.
14/12/2007 | 0:00


TV Cabide
Em duas semanas, a tevê do Lula já gastou R$ 2,88 milhões com pessoal, metade com terceirizados, e investiu apenas R$ 40 mil em equipamentos.

Anônimo disse...

Márcio, seu texto fica em destaque.
Grande abraço.

Anônimo disse...

Saudades da Ditadura Militar!

Antigamente, o governo militar mantinha um órgão de censura que vetava os programas e filmes inapropriados para a população. Com isso, se evitava que os meios de comunicação sofressem punições por exercerem o seu trabalho.

O que ocorre hoje é que os meios de comunicação são punidos após o fato consumado pois os mesmos não tem como saber o que é proibido ou não tendo como único parâmetro as suscetiptibilidades feridas de algumas pessoas que adoram praticar terrorismo contra a rede Globo a fim de satanizá-la.

Oras, se algo fosse proibido na televisão dever-se-ía, a fim de evitar esses inconvenientes jurídicos, estabelecer um departamento de censura que previamente alertasse a emissora da necessidade de se cortar determinado quadro do programa por ser inconveniente para a maioria das pessoas.

Com um departamento de censuara é claro que a liberdade de imprensa não estaria mais garantida mas pelo menos pouparia nossos tribunais desse tipo de trabalho como se não tivessem mais nada para fazer do que ficar processando a Globo por causa de frescuras e pieguices de alguns sensíveis cidadãos que mais se assemelham a criancinhas feridas em sua ingenuidade infantil em que o pai falou que Papai Noel não existe.

Claro que ninguém vai assumir que a censura já está em vigor no Brasil. Afinal, o que diferencia uma ditadura de uma democracia é justamente a liberdade de imprensa. Por isso, a censura deve ser mascarada sob a forma de processos jurídicos que punem o pseudo-crime cometido e não exatamente os evitam.

Passar bem, todos vocês!