quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

A morte de Ottomar de Sousa Pinto

Edição de Artigos de Quarta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

No dia 24 de setembro de 2005, festa de Nossa Senhora do Livramento (padroeira do município roraimense de Caracaraí), quem visse o abatimento físico do governador Ottomar de Sousa Pinto (PSDB), ficaria impressionado. Mesmo assim, ele realizou grande parte do percurso da procissão a pé, apesar de apelos familiares.

Tinha assumido o governo há menos de um ano, por força de decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que afastou Flamarion Portela por abuso de poder econômico, num processo que veio se arrastando desde 2002.

Todos os que interagiam com Ottomar (aliado ou adversário mais ferrenho), sabiam de sua incrível energia e apego à vida. E também de sua capacidade de renascer sempre, como se dispusesse de incontáveis fôlegos e vidas.

Em 1991, poucos dias depois de se submeter a delicada cirurgia cardíaca (colocara safenas e mamárias), podia ser encontrado despachando normalmente no Palácio Hélio Campos.

Elegeu-se governador em 1990, na primeira eleição direta, quando o então território federal passou à condição de estado. Anteriormente, seu mandato fora indireto (1979-83), nomeado pelo regime militar (1964-85), na gestão do general Figueiredo (1979-85).

Ao sair do governo, em 83, era dado como politicamente morto. Hostilizado por grupos políticos que abominavam seu caráter autoritário e centralizador, embarcou no pequeno aeroporto de Boa Vista sob impropérios e apupos. Na ocasião, o único a emprestar-lhe mão amiga foi o ex-prefeito da Capital, Júlio Martins.

Mas Ottomar voltou e contrariou prognósticos, mostrando vitalidade eleitoral na Constituinte de 86, quando se elegeu deputado federal juntamente com a mulher, Marluce Pinto. O então Território Federal enviava quatro representantes à Câmara.

Ottomar era assim como a fênix: sempre ressurgia das cinzas. Na Constituinte, trabalhou dia e noite para transformar Roraima em estado. Contou com inestimável apoio de velho amigo, o comandante Aníbal Barcellos (também deputado federal), que tinha sido como ele governador indireto de um outro Território Federal, o Amapá.

Em Roraima, o pernambucano Ottomar se tornou referencial: amado e odiado. Possuía jeito meio messiânico, assim como Miguel Arraes que governou Pernambuco, mas, ao contrário do cearense de Araripe, exibia lista de obras intermináveis na terra de adoção, pois era essencialmente um construtor.

Não parecia ter muita percepção do cenário social que move humores e vontades humanas, mas foi contemplado, pessoalmente, com aquilo que Maquiavel classificava de sorte: tudo que fez, inclusive alguns absurdos, deu certo! E em Roraima ele reinou.

Saiu do governo em 95 e se elegeu prefeito de Boa Vista em 98, realizando obras físicas que estão hoje catalogadas entre os cartões postais da Capital. Era apaixonado por aviões, e chegou a brigadeiro da Aeronáutica, mas nunca se arriscou a pilotar.

Em 2006, reelegeu-se no primeiro turno, dando seqüência a administração que claudicava em função de seu quadro clínico. Diabético, hipertenso, com problemas de circulação se agravando numa das pernas, Ottomar nunca aprendeu a delegar. Tinha de estar presente, conferir e acompanhar. Vivia permanentemente de prontidão.

A morte o colheu aos 76 anos, quando o imaginavam imortal. Afinal, cumprimos ciclos. Chega o instante em que temos de mergulhar no cenário desconhecido da transformação inevitável, devolvendo à terra o material que nos compõe.

Márcio Accioly é Jornalista.

4 comentários:

Anônimo disse...

Luiz Arraes:Prezado Amigo Márcio,
há quanto tempo!
Sei que você a região muito melhor que eu,mas não vejo nenhuma correlação entre meu pai,Miguel Arraes e e o governador O.Pinto que agora nos deixou.
Ainda por cima,medindo os dois pela quilometragem de asfalto.
Talvez,fosse mais prudente deixar para a história este tipo de julgamento.
Um abraço de seu amigo
Lula Arraes
PS:Gostei muito do seu livro.Cadê o resto?Você nos promete uma saga no primeiro.

Anônimo disse...

DESOBEDIENCIA JÁ!!
CID, PEDAGIOS, CPMF, LICENCIAMENTO. IPVA, SEGURO OBRIGATORIO, .....

Chega de pagar impostos sobre impostos!
Chega de engordar a boiada do porco suíno/ sen Renan Calhorda.
Chega de engordar as contas bancarias do Sr de 9 dedos e de outros familiares. nas Ilhas Cayman e URUGUAI e agora no recém fundado BANCO DO.
Chega de engordar as contas do Maluf nas Ilhas Jérsei,
Chega de engordar as contas dos amigos do 9 dedos que estão por aí rindo a toa em carros blindados.
Por isso os Americanos nos admiram.Somos heróis, leiam (Carta de Um Americano)
Somos o povo idiota que mais paga impostos e que ainda dança no carnaval e ri no futebol.
Enquanto a corja, na surdina mete a mão.
Nem diga mais na surdina, agora é na cara dura mesmo!

BASTA, seus porcos PTralhas e COMUNAS infectos!
Vocês não passarão, seus nomes estão as claras!
Vamos reagir, junto com o povo.
ABSTENCAO em massa nas próximas votações ou pressão já no STE, extinguir o voto obrigatório.
Ver exemplo dos jovens estudantes da Venezuela.

ESSA TERRA TEM DONOS E É NOSSA, DOS BRASILEIROS! COMO VOCE E EU!

Anônimo disse...

VEJAM O FILME QUE PASSARÁ EM TODAS AS TELEVISÕES NAS PRÓXIMAS HORAS:"OS FINGIDOS", ESTRELANDO PT E PSDB.
ENREDO: O "governo"(PT) finge que toda a grana da CPMF vai prá Saúde, e o PSDB finge que acredita.... tudo de mentirinha, tudo teatrinho....., e a CPMF será aprovada. E adivinha quem continuará levando ferro???

Anônimo disse...

Conheço a "HISTÓRIA" do Ottomar.
Esse sim; foi um grande homem!