terça-feira, 18 de dezembro de 2007

O caos nosso de cada dia

Edição de Artigos de Terça-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

Dentre os muitos anunciados colapsos que se projetam para o Brasil (educação, saúde, etc.), existem pelo menos dois que merecem especial atenção (em função de veloz aproximação): transportes e sistema prisional.

Nossas cidades estão morrendo. Entupidas de automóveis que não dispõem de espaço suficiente para exigida circulação. A verdade é que não temos transporte público e a confusão é palpável em todos os lugares. A situação é preocupante.

Tem-se como certa, inclusive, a paralisação de grandes metrópoles, tais como Recife, Rio de Janeiro e outras, devido ao impressionante número de veículos nas ruas. São Paulo, como se sabe, implantou até mesmo um sistema de rodízio de automóveis que não mais funciona. Todas as soluções apresentadas até agora são paliativas.

Brasília, projetada para virar o último século com cerca de 500 mil habitantes, registrou mais de um milhão e meio de pessoas naquela passagem, e média alarmante de automóveis para cada um de seus moradores. Ela é uma das menos favorecidas pelo serviço público de transportes.

O que se verifica na prática é o total desconhecimento por parte de nossas autoridades com relação à administração pública. Não têm nenhuma vocação para esse tipo de gestão. E, dessa forma, vamos seguindo, empurrando com a barriga nossas vicissitudes, passando o bastão adiante com tranqüilidade, no aguardo da explosão final.

No Brasil, quem se apossa dos cargos públicos, com mandatos caríssimos comprados na boca das urnas, tem o objetivo constatado de locupletar-se do dinheiro público. As benesses se traduzem de várias maneiras.

Mordomias, apartamentos funcionais, cartões corporativos e propinas em todos os níveis, transformaram os “bem-sucedidos” em verdadeiros nababos. Presidente da República já houve que se elegeu combatendo “marajás” da República, embora ele próprio fosse afastado por acusações de corrupção.

Num país de dimensão continental, padecemos da falta de estradas, ferrovias e navegação de cabotagem, apesar de nossa costa marítima de 7.491 km. Com relação ao setor aéreo, os acontecimentos de recentes anos colocam a todos com a pulga atrás da orelha. Aqui, embarcar num avião é estressante aventura.

Sempre é bom estabelecer comparações. Nos EUA, por exemplo (hoje com 300 milhões de habitantes), o ano de 1830 marcou o início da era das estradas de ferro. Há mais de 170 anos! Em 1869, os trilhos que vieram do lado Atlântico encontraram os do Pacífico em Promontory, no estado de Utah, e lá estão em perfeitas condições.

Na Rússia, cerca de nove milhões de pessoas são transportadas diariamente através de 162 estações, cuja primeira fase foi inaugurada no dia 15 de maio de 1935. Mas todas as providências no nosso país são planejadas de forma emergencial.

Com relação ao sistema prisional, basta ver o que acontece nas masmorras medievais brasileiras. Não se constroem presídios e os marginais desde há muito estão correndo para o abrigo de instituições estatais, colocando o país entre os primeiros do planeta nos índices de criminalidade.

Recentemente, a CPI do Sistema Carcerário esteve na Capital de Pernambuco, quando recomendou ao governador Eduardo Campos (PSB) que demolisse o Presídio Aníbal Bruno, asilo da maior população carcerária da América Latina.

Sem contar o drama do apagão elétrico, tido como iminente na Região Nordeste. Todos dependem de chuvas e sorte para que tal não aconteça. De maneira que o novo ano vai chegando sem boas promessas. Mas todos se divertem no melhor dos mundos.

Márcio Accioly é Jornalista.

Um comentário:

Anônimo disse...

O BRASIL ESTÁ À ROLA. NÃO TEM NENHUMA CHANCE!!!!! QUEM ACHA QUE TEM SAIDA É UM INSENSATO.