domingo, 30 de dezembro de 2007

Pica-Pau, eles não sabem o que fazem! Ou sabem?

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Jorge Serrão

Quer uma prova de que a vida é muito engraçada? O Pica-Pau sempre foi da Universal (Studios). Agora em 2008, o bicho promete ser uma das armas do dono da Universal (a Igreja) para infernizar a vida da Rede Globo. A Record já soltou uma chamada para a visar que a “Turma do Pica-Pau” pode ser mobilizada, a qualquer momento, para alavancar o Ibope. Espera-se que a famosa e estridente risada do "Woody Woodpecker" leve os programadores globais aos prantos. Será? A Turma do Bispo Macedo quer provar que o santo do Pica-Pau é forte.

A "Turma do Pica-Pau" faz parte de um pacote de produções comprado pela Record da distribuidora Universal, que inclui também filmes e séries, como a festejada "Heroes". Mas herói mesmo é o Pica-Pau. O passarinho endiabrado é um dos fenômenos da televisão brasileira. O desenho foi exibido pela primeira vez no Brasil em 19 de setembro de 1950, na TV Tupi. Seu toc-toc entrou em cena um dia após a inauguração primeira emissora no Brasil. E nunca mais saiu do ar.

O Pica-Pau sempre foi carismático. O personagem foi criado em 1940 pelo cartunista Walter Lantz. Logo de cara, foi vítima de preconceito. O chefe de departamento da Universal Estúdios, Bernie Kreisler, rejeitou o novo desenho, com o título de "Toc Toc". Reclamou com Lantz que o Pica-Pau era a coisa mais feia que já tinha visto. Seu criador, no entanto, apostou na fera. O desenho virou, rapidamente, um sucesso esmagador.

O Pica-Pau merece todos os parabéns possíveis. Mas aqueles que querem transformá-lo no fiel da balança da audiência televisiva bem que mereciam uma cutucada, bem por baixo, do Pica-Pau. Até porque a guerra santa pela audiência na televisão brasileira se transforma, facilmente, numa batalha insana para ver quem consegue produzir mais baixaria. Lógico, tudo devidamente adequado a uma audiência ignorante como a nossa. Afinal, somos o “País de Tolos”! Mas as emissoras de tevê não precisam exagerar tanto na dose glamour às avessas.

Pica-Pau, por favor, cutuque por baixo a consciência dos nossos “gênios” da televisão. Perdoai-os. A primeira impressão é que eles não sabem o que fazem. Mas se sabem (e arrogância e vaidade deles jura que sabem), é porque o intestino tomou o lugar de seus cérebros. A programação de tevê, em todas as redes, atinge níveis bostejantes. Parece uma competição para o Ibope constatar quem consegue fazer mais mal à audiência, com a questionável qualidade intelectual dos programas.

No jornalismo, com raríssimas exceções, a solução é apertar o botão da descarga. A desinformação sempre foi uma tendência histórica da nossa mídia. Mas a glamourização da burrice é imperdoável. O telespectador perde a paciência ao ser sempre tratado como burro ou idiota que é incapaz de raciocinar. Nem todo mundo é Homer Simpson. Mas os editores-chefe de telejornais, travestidos de auto-proclamados donos da verdade, editam e veiculam matérias a partir do princípio de que, do outro lado da telinha, só tem gente que não pensa. Pode até ter. No Brasil, esse risco é real.

O etnocentrismo (só vale a sua “verdade” e não a dos outros) é imperdoável. O jornalismo não pode e nem deve desrespeitar inteligência alheia. Subestimá-la é pior ainda. O jornalismo deve cumprir a missão de informar. E não promover espetáculos de vaidade e desinformação – como a maioria dos telejornais hoje veiculados. Rostinhos lindos e falsamente simpáticos não conseguem suprir a demanda por novidades ou informações de verdade.

A estética parece rica. Mas o conteúdo jornalístico dos programas é pobre. Eles sequer conseguem noticiar. Informar, nem se fala! Peca-se por preguiça de apuração dos fatos. As notícias são jogadas no ar. Sem pé nem cabeça, ou descoladas de outros fatos. Parece que tudo que acontece não tem relação com coisa alguma. Tudo parece distante do mundo real dos simples mortais.

O bom jornalismo é filho da pauta. Mas a pauta na televisão parece inexistente. Ou, se existe, é esquizofrênica. Parece desacoplada do mundo a sua volta. Os jornalistas que as concebem são alienados, burros, malucos – ou todas essas coisas combinadas de maneira estulta. O diagnóstico da doença pouco importa. O grava é que o telespectador já percebe esta fragilidade da mídia desinformativa. A reação dele é mudar de canal, desligar a tevê ou não dar a menor bola para o que é veiculado pelo anti-jornalismo, ignorando-o de forma consciente.

No seu genial livro “Recordações do Escrivão Isaías Caminha”, no começo do século passado, o genial Lima Barreto já definia a imprensa brasileira como “o engenhoso aparelho de aparições e eclipses, provocando ilusões, ressurgimentos, glorificações”. Naquela época pré-tevê e pré-rádio, o vidente Lima Barreto já advertia para “a estupidez das multidões fáceis de iludir”. Na visão barretiana, a mídia seria um mero espaço de barganha, de troca de favores, privilégios, concessões e, sobretudo, muita vaidade.

Os jornalistas são bem assim. De novo, apelamos para o sábio Lima Barreto, e sua constatação de que os jornalistas são profissionais “de uma lastimável limitação de idéias, cheios de fórmulas, de receitas, curvados aos fortes, adstritos a um infantil fetichismo de estilo e guiados por conceitos obsoletos e um pueril e errôneo critério de beleza”. Não é à toa que, para respaldar Barreto, está publicado no Eclesiastes da Bíblia: “Vaidade das Vaidades, Tudo é Vaidade”. Ou, como preferem os eruditos: “Vanitas vanitatum et ominia Vanitas”.

O atual fenômeno midiático brasileiro, sobretudo na televisão, deixa claro que as emissoras de televisão abusam de sua liberdade de expressão e manifestação. Por isso, usam e abusam de qualquer artifício para (se) vender mais que a concorrência ou obter mais audiência. Neste cenário, as relações de interesse (pessoal ou de uma determinada empresa de comunicação) se colocam sempre acima da ética, da moral e do bem-comum. Não se pode esperar muito de uma mídia oportunista, desonesta, promotora e reprodutora da ignorância Ou melhor, não se pode esperar nada!

Essa mídia idiota (e imbecilizante) distorce a realidade conforme lhe convém ou é conveniente aos interesses de seus “patrões” ou financiadores. Que em 2008, o espírito endiabrado e sacana do Pica-Pau infernize a vida de todos aqueles que contribuem para a merda de mídia que temos no Brasil. Vingança, Pica-Pau!

Jorge Serrão, jornalista radialista e publicitário, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. http://alertatotal.blogspot.com/ e http://podcast.br.inter.net/podcast/alertatotal

10 comentários:

Anônimo disse...

Não só o jornalismo tlevisivo vive uma grande pobreza, mas a mídia em geral, mesmo a melhor. É como se houvesse uma esquizofrenia, porque há muitos fatos e poucos comentários que unem os fatos. Por exemplo, qual a conexão existente entre as operações Navalha, Hurricane e Xeque-mate? A conexão portuguesa de São Paulo é a mesma do Rio e de Brasília? Onde entra a China, a Austrália e a África na busca de petróleo e o que significam Brasil, Colômbia e Venezuela no esquema? Tudo é decorrência da guera do Iraque? A devastação de nossos minerais tem a ver com a carência mundial de energia e com o crescimento fabuloso da China? Etc. etc. etc. Não há ponto de apoio nas interpretações, porque elas precisam ficar escondidas. Só você fala da City de Londres, por exemplo. Como se explica que FHC foi subserviente a ela e não está no poder? Lula também é. Então PT e PSDB brigam sóde mentirinha, uma vez que acreditam nos mesmos ideais? E de quem é Marcos Valério? É fogo!
Agora o nosso rico dinheirinho vai ser vigiado. Será que a lavagem de diheiro, o tráfico, o tráfico de influências, o superfaturamento e as fraudes também vão ser?

BOOTLEAD disse...

Parabéns pelo artigo Jorge!

É isso aí, o Brasil não tem "mídia", tem "mérdia".

Feliz Ano Novo, se for possível...

Um abraço
Bootlead

Anônimo disse...

A midia tupiniquim ou botocuda e diretamente responsavel pelo grau de imbecilidade da maioria do povo brasileiro. E essa classe politica de bosta espertamente utiliza essa ignorancia em proveito proprio.
Eta braziu....

Anônimo disse...

VAMOS REEDITAR A VAIA DO MARACANÃ!



UMA ESTRONDOSA VAIA AO lulla NA HORA EM QUE APARECER NO FORTE COPACABANA.


4 milhões de pessoas vaiando o lula, será redenção do Brasiuuuuuuuu!!!

Anônimo disse...

Texto muito oportuno. Parabéns!!
Desenvolvi meu método particular de selecionar quem presta e quem não presta no jornalismo, sob qualquer formato,e se resume em observar os que dizem “horário de Brasília”, “horário local”, “horário de verão”, a Educação “patina” e por aí vai.
Não é tudo, claro, mas é um bom indicativo da mediocridade. Se não se dão ao trabalho de checar dicionários, nem textos legais que instituem ou revogam regras e leis, vão se dar ao trabalho de verificar o resto?
É ruim, hein, salgadinho!
Devem pôr a culpa nos professores,na escola,na qualidade da “Educação”, né não?Tudo é culpa dos professores agora,até a infeliz descoberta do Brasil...
Lia/Brasil/FNL

Anônimo disse...

Saudações.

2008 ??? ....
... Blá, Blá, Blá....

Chega de Blá, Blá, Blá.

ACORDEM !!!
ACORDEM !!!
ACORDEM !!!

OS COMUNAS NUNCA ESTIVERAM TÃO PROATIVOS.

ATIVIDADE ENTENDEU ?

COISA QUE A “OPOSIÇÃO” DESCONHECE !!!

O que o Hugo Chávez não conseguiu com o plebiscito, o apedeuta numa penada conseguiu na calada da noite (28 de dezembro de 2007).

NÃO ACREDITA ? ? ?

ENTÃO ATUALIZE-SE:

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Diário Oficial de 28.12.2007

LEI No 11.631, DE 27 DE DEZEMBRO DE 2007
Dispõe sobre a Mobilização Nacional e cria o Sistema Nacional de Mobilização - SINAMOB.

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Art. 11. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 27 de dezembro de 2007; 186o da Independência e
119 o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Tarso Genro
Nelson Jobim
Samuel Pinheiro Guimarães Neto
Guido Mantega
Paulo Bernardo Silva
Sergio Machado Rezende
Geddel Vieira Lima
Jorge Armando Felix
Franklin Martins
Dilma Rousseff

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www.in.gov.br/imprensa/jsp/jsp/jornaiscompletos/visualizacao/pdf/visualiza_pdf.jsp?jornal=do&secao=1&pagina=01&data=28/12/2007

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Atenciosamente.

Manoel Vigas

Criativo de Galochas disse...

Jorge,

Sem dúvida que informação e cultura é o que o País precisa ao invés de entretenimento. Mas o que fazer se o presidente "sabe nada" não dá uma ajuda aos milhares e milhares de eleitores bolsa-família?!?!?! Parabéns pelo artigo.

Mudando da água para o vinho, ao menos o desenho é mais puro e inocente que os atuais. Falando nisso, aqui vai uma dica para quem gosta do passarinho mais maluco da tv: acessem o site http://picapaubrazil.blogspot.com

Abs

Criativo de Galochas
http://criativodegalochas.blogspot.com

Anônimo disse...

Serrão, vc tem conhecimento desta lei, aprovada na calada da noite:



DOU 28/12/2007

LEI Nº 11.631, DE 27 DE DEZEMBRO DE 2007

Dispõe sobre a Mobilização Nacional e cria o Sistema Nacional de Mobilização - SINAMOB.

O Presidente da República

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a Mobilização Nacional a que se refere o inciso XIX do caput do art. 84 da Constituição Federal e cria o Sistema Nacional de Mobilização - SINAMOB.

Art. 2º Para os fins desta Lei, consideram-se:
I - Mobilização Nacional o conjunto de atividades planejadas, orientadas e empreendidas pelo Estado, complementando a Logística Nacional, destinadas a capacitar o País a realizar ações estratégicas, no campo da Defesa Nacional, diante de agressão estrangeira; e
II - Desmobilização Nacional o conjunto de atividades planejadas, orientadas e empreendidas pelo Estado, com vistas no retorno gradativo do País à situação de normalidade, quando cessados ou reduzidos os motivos determinantes da execução da Mobilização Nacional.

Art. 3º O preparo da Mobilização Nacional consiste na realização de ações estratégicas que viabilizem a sua execução, sendo desenvolvido desde a situação de normalidade, de modo contínuo, metódico e permanente.

Art. 4º A execução da Mobilização Nacional, caracterizada pela celeridade e compulsoriedade das ações a serem implementadas, com vistas em propiciar ao País condições para enfrentar o fato que a motivou, será decretada por ato do Poder Executivo autorizado pelo Congresso Nacional ou referendado por ele, quando no intervalo das sessões legislativas.
Parágrafo único. Na decretação da Mobilização Nacional, o Poder Executivo especificará o espaço geográfico do território nacional em que será realizada e as medidas necessárias à sua execução, dentre elas:
I - a convocação dos entes federados para integrar o esforço da Mobilização Nacional;
II - a reorientação da produção, da comercialização, da distribuição e do consumo de bens e da utilização de serviços;
III - a intervenção nos fatores de produção públicos e privados;
IV - a requisição e a ocupação de bens e serviços; e
V - a convocação de civis e militares.

Art. 5º Fica criado o Sistema Nacional de Mobilização - SINAMOB, que consiste no conjunto de órgãos que atuam de modo ordenado e integrado, a fim de planejar e realizar todas as fases da Mobilização e da Desmobilização Nacionais.

Art. 6º O Sinamob é composto pelos seguintes órgãos:
I - Ministério da Defesa;
II - Ministério da Justiça;
III - Ministério das Relações Exteriores;
IV - Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão;
V - Ministério da Ciência e Tecnologia;
VI - Ministério da Fazenda;
VII - Ministério da Integração Nacional;
VIII - Casa Civil da Presidência da República;
IX - Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República; e
X - Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica da Presidência da República.

Parágrafo único. O Sinamob, tendo como órgão central o Ministério da Defesa, estrutura-se sob a forma de direções setoriais que responderão pelas necessidades da Mobilização Nacional nas áreas política, econômica, social, psicológica, de segurança e inteligência, de defesa civil, científico-tecnológica e militar.

Art. 7º Compete ao Sinamob:
I - prestar assessoramento direto e imediato ao Presidente da República na definição das medidas necessárias à Mobilização Nacional, bem como aquelas relativas à Desmobilização Nacional;
II - formular a Política de Mobilização Nacional;
III - elaborar o Plano Nacional de Mobilização e os demais documentos relacionados com a Mobilização Nacional;
IV - elaborar propostas de atos normativos e conduzir a atividade de Mobilização Nacional;
V - consolidar os planos setoriais de Mobilização Nacional;
VI - articular o esforço de Mobilização Nacional com as demais atividades essenciais à vida da Nação; e
VII - exercer outras competências e atribuições que lhe forem cometidas por regulamento.

Art. 8º O Sinamob poderá requerer dos órgãos e entidades dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e de pessoas ou de outras entidades as informações necessárias às suas atividades.

Parágrafo único. Na execução da Mobilização Nacional, as requisições referidas no caput deste artigo terão prioridade absoluta no seu atendimento pelos órgãos, pessoas e entidades requeridos.

Art. 9º Os recursos financeiros necessários ao preparo da Mobilização Nacional serão consignados nos orçamentos dos órgãos integrantes do Sinamob, respeitada a característica orçamentária de cada órgão.

Art. 10. O Poder Executivo regulamentará o disposto nesta Lei.

Art. 11. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 27 de dezembro de 2007; 186º da Independência e 119º da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Tarso Genro
Nelson Jobim
Samuel Pinheiro Guimarães Neto
Guido Mantega
Paulo Bernardo Silva
Sergio Machado Rezende
Geddel Vieira Lima
Jorge Armando Felix
Franklin Martins
Dilma Rousseff

Anônimo disse...

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