sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

“Senhor Rei mandou dizer”

Edição de Artigos de Quinta-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Márcio Accioly

O incêndio no Hospital das Clínicas de São Paulo confirma, mais uma vez, que tudo no Brasil é emergencial. São necessários os desastres irreversíveis para que nossas “autoridades” comecem a agir como se a tudo acompanhassem com rigor e empenho.

O problema é o estresse gerado pela inoperância de figuras com as quais se é obrigado a conviver toda a existência. Depois que o então presidente FHC (1995-2003), o rei da sociologia (PSDB), comprou a emenda constitucional que permitiu a própria reeleição, as coisas parecem ter ficado ainda mais difíceis.

Como no nosso país os governantes não solucionam os problemas, quanto mais longa a permanência no poder mais enervante a situação. Quem acompanhou os estertores do regime militar (1964-85), consegue lembrar quão insuportável foram os últimos meses do general Figueiredo no Palácio do Planalto.

Foi quase impossível engolir com tranqüilidade os últimos inoperantes dias de sua excelência no posto, ao longo de mandato que transmitia a impressão de não querer terminar. Foram seis longos anos de verdadeira tortura (1979-85).

Aí veio José Sarney (1985-90), substituindo Tancredo Neves que morreu sem assumir, realizando gestão considerada das mais corruptas na história desse país. Suscitou, inclusive, pedido de impeachment que o deputado federal Inocêncio Oliveira, à época no PFL, apressou-se em arquivar na Presidência da Câmara.

Sarney reinou por cinco anos e saiu de forma melancólica, chamado de “ladrão” em todos os quadrantes pelo atual ocupante da cadeira presidencial. Foi substituído por Collor de Mello (1990-92), o qual prometera arrancá-lo do Palácio “pelo bigode”.

O próprio Collor caiu fora por força de impeachment (o primeiro de nossa história), apesar de absolvido mais tarde em todos os processos a que respondeu no Supremo Tribunal Federal.

Depois de Collor, veio Itamar Franco (1992-95), que pode até ter sido iludido por muitos, mas não é um ladrão dentro do modelo “clássico” de dirigentes a que somos submetidos. Ele nos deixou FHC de herança, o homem mais culto, mais preparado e que conhece mais línguas na face da Terra (comenta-se que falaria mais de 12 mil).

A desastrosa gestão FHC, onde a roubalheira correu solta (conseguiu ser mais corrupta do que a “administração” sarnenta, o ratão do banhado), colocou o país numa rota em direção a precipício que o modelo petista adotou e agravou.

Dom Luiz Inácio já foi apontado como alcoólatra, analfabeto e outros atributos, além de utilizar cartões corporativos que gastam milhões de reais em proveito próprio e de apaniguados. À frente de “governo” onde 40 graúdos já foram indiciados.

Pois bem: na aproximação do ocaso, surgem as alternativas José Serra e Geraldo Alckmin, ambos do PSDB, depois da tormenta FHC. Não esquecendo que esse incêndio do Hospital das Clínicas pode e deve ser debitado na conta daqueles dois.

Desde 2005, o Controle de Uso de Imóveis da Prefeitura de São Paulo vem exigindo reformas no prédio, sem ouvir resposta. Nada foi dito pelo então prefeito José Serra e pelo então governador Geraldo Alckmin. Claro que irão apresentar desculpas e “novas idéias”, dizendo que estiveram sempre atentos.

Eles afirmam ser cultos, honestos e responsáveis, mas só se movimentam no desastre consumado. Acham-se dignos, probos e incomparáveis, mas não sabem trocar uma lâmpada e nunca devem ter lavado um prato ou um par de meias.

Fazer as coisas dando ordens é muito bom. É só dar um grito e uma legião se mostra pronta. Para isso servem os mandatos. E, por isso, o estresse e a canseira geral.

Márcio Accioly é Jornalista e não é amigo do "Rei".

O Alerta alerta: Mais um a prova de que não existe gestão na saúde pública. Até ontem, apenas 17% do orçamento de 2007 do Hospital das Clínicas tinham sido executados. Isto demonstra que o destrutivo “curto-circuito” aconteceu, bem antes, mas na cabeça dos péssimos gestores públicos que transformam o orçamento não numa “peça de ficção”, mas, sim, num “filme de terror” para quem não se trata com caros planos de saúde privados.

Um comentário:

Anônimo disse...

Como eu fico feliz ao ver como você trata com tanta lucidez e objetividde uma admiistração devstadora para o Estado de São Paulo, como foi o governo Alckmin, com todo o seu secretariado jacu e provinciano, mas não tão inocentinho assim. Como professora há trinta e cinco anos, cito, além do tremendo arrocho e abandono da Educação, a presença do Senhor Chalita, o novo cantor da canção nova, que esteve envolvido até a última raiz de cabelos no escândalo Nossa Caixa/Secretaria da Educação, alvo de uma das 69 CPIs abafadas pelo senhor Alckmin, que respingou no Governo Serra, assim como o buraco do metrô.
Agora, temos o incêndio do Hospital das Clínicas, que provavelmente vai ser tratado do mesmo modo que o buraco. Escândalos do Chuchu. E ainda tem gente que se finge de inteligente e que vai votar nele, que diz que foi injustiçado etc.etc. Argh!