terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Crimes e matanças no dia-a-dia

Edição de Artigos de Terça-feira no Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

Por Márcio Accioly

Sempre que se fala a respeito das condições de vida nas prisões brasileiras, masmorras medievais que não servem ao supostamente disposto (recuperar criminosos), ouve-se forte clamor de localizados setores das classes médias, numa grita que se multiplica.
Esses setores cuidam logo de associar tal abordagem ao sentimento de certa defesa “irracional” dos direitos humanos, em explícita legitimação da tortura. Mas não se toma qualquer providência com relação à verdadeira “fábrica de bandidos e loucos” em que estão transformados os nossos presídios.

Temos notícias de adolescentes encarceradas em prisões masculinas, engravidadas sob os auspícios do Estado (além de homicídios praticados por apenados, na busca pela ampliação de espaço em celas apinhadas), onde o ato de dormir só pode ser efetuado em rodízio.
Num país onde a pilhagem do dinheiro público tornou-se norma incontrolável, e os assaltantes dos recursos financeiros pertencentes à população estão, em grande parte, responsáveis pela guarda desses mesmos recursos, nada mais escandaliza.

Talvez, por isso, e só por isso, numa sociedade anestesiada por denúncias de roubos, homicídios e crimes hediondos (jamais punidos, pois patrocinados por considerável parcela dos seus dirigentes), ninguém esteja dispensando atenção à CPI do Sistema Carcerário que roda atualmente pelo país.

Fato lastimável! O Brasil está perdendo, dessa forma, excelente oportunidade de discutir a fundo uma das causas mais sérias de sua derrocada e desordem.

Somente a TV Câmara está acompanhando a CPI. Nos arquivos daquela emissora, segundo veterano profissional de imprensa (integrante da comitiva), pode ser encontrado banco de imagens capazes de transformar Sobidor, Treblinka e Auschwitz (campos de extermínio nazista), em espelhos de apropriada dimensão.

As redes de TV não se interessam pelo assunto. E, no Brasil, cuja tradição cultural é oral e visual (rádio e televisão), o assunto passa ao largo das preocupações do dia-a-dia, embora seja fator determinante na estruturação da sociedade.

O que mais impressiona nos presídios e celas de delegacias é a superlotação. De acordo com a ONU, o espaço que deve ser destinado a cada apenado é de 6m² (seis metros quadrados). Em Valparaíso (GO), em três celas com a dimensão de 12m², foram encontrados 30 prisioneiros, amontoados, impossibilitados em seus movimentos.

Não se trata de defesa pura e simples dos chamados direitos humanos, mas da constatação clara e direta de que o Estado brasileiro age, também, de forma criminosa, transformando em loucos aqueles a quem deveria cuidar e recuperar para o convívio.

Enquanto isso, cresce o número de crimes cometidos diariamente, com o esforço aberto da maioria dos dirigentes em escamotear dados oficiais, especialmente os que se referem a homicídios.

Em Pernambuco, na página mantida por conta do esforço pessoal de quatro jornalistas (http://www.pebodycount.com.br/home/index.php), tomamos conhecimento de que, em 55 dias (desde janeiro), 703 pessoas foram assassinadas.

Média capaz de deixar qualquer mandatário sem dormir, se nós vivêssemos num país que respeitasse cidadãs e cidadãos. Mas nada será feito e os dados estatísticos irão se perder em planilhas e promessas, enquanto a matança aumenta a escalada.

O certo é que, na desmoralização de um Estado ineficiente e passivo, os direitos humanos de todos, cidadãs e cidadãos, estão perdidos.

Márcio Accioly é Jornalista.

2 comentários:

Anônimo disse...

Prisão não é escolinha para "recuperar" o que nunca teve, a educação que é OBRIGAÇÃO INCONDICIONAL dos pais.

Quando o bandido comete crime SABE que vai parar num "hotel" 5 estrelas negativas, portanto, DANE-SE!!! Queimou colchão? Que durma no chão! Arrebentou telhado? Que fique ao relento!

Paulo Figueiredo disse...

Accioly, aprendi com os pescadores da minha cidade que existem duas situações de aflição extrema no mar quando as embarcações ficam descontroladas. Uma, muito grave, é quando o barco está à deriva, com o leme quebrado, mas o motor ainda funciona. O termo “à deriva” pode ser encontrado nos dicionários: sem rumo; solto, perdido; arrastado, levado.
Porém, a situação considerada gravíssima ou desesperadora é quando o barco além de estar à deriva o motor também pára de funcionar, perdendo-se todo serviço vital da embarcação, tais como bomba d’agua de porão, geração de energia elétrica, pressão de óleo, etc... Daí diz-se que o barco está “à rola”. Este termo não está, ainda, nos dicionários. À deriva, ainda pode se chegar à algum lugar. À rola, não se chega à lugar nenhum, a não ser ao fundo do mar.
Concluída a comparação, considerando a situação de descalabro e canalhice generalizada dos três poderes, da mídia e da própria babaquice popular, podemos concluir que: O BRASIL ESTÁ À ROLA.