segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A ilha do Amapá

Edição de Artigos de Segunda-feira do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com

Por Gélio Fregapani

Foi anunciado em 13/02/2008 a construção de uma ponte sobre o rio Oiapoque, unindo o Amapá à Guiana Francesa. Já está em construção outra ponte, sobre o rio Tacutu, unindo Roraima à Rep. da Guiana (ex inglesa). Isto faz parte de uma decisão erroneamente adotada pelo governo, de ligar por estrada as capitais dos dois estados mais pressionados pelo estrangeiro às possessões (ostensivas ou disfarçadas) dos países que mais pressionam o Brasil sobre a Amazônia. O fato é que o Amapá para nós é uma ilha. Chegar lá, só de barco ou avião, pois é impossível fazer uma ponte na foz do Amazonas.

Com essa ponte para a Guiana Francesa o Estado deixa de ser uma ilha; localizar-se-á em outro continente. Europeu, no caso. Roraima tem ligação rodoviária com Manaus, mas a ponte no rio Tacutu abrirá mais uma frente de atração para o estrangeiro, anglo-saxão no caso.

No tempo do governo militar se ensaiou unir o Amapá a Roraima (estr. Perimetral Norte), que povoaria a fronteira e permitiria o acesso às incríveis jazidas minerais dos campos e serras de Tumucumaque, inacessíveis sem essa estrada. Agora, com uma ligação passando pelo exterior, podemos ter certeza de que a "Perimetral Norte" jamais será construída. As jazidas continuarão intocadas (exceto as de bauxita, que descem pelo rio Trombetas).

Para impedir definitivamente a construção da Perimetral Norte estão sendo colocadas no caminho duas reservas indígenas, a Wai-Wai e a Tiriós, de índios trazidos da Guiana, pela FAB, a pedido dos Estados Unidos.

Só para deixar claro: Wai-Wai não é escola de samba, mesmo que o nome pareça. Aliás, pronuncia-se Uai-Uai, pois a Funai teima em usar a pronúncia inglesa. Escreve também Ianomami com Y para que os gringos não leiam como Aianomami.

Admito que o presidente possa não ter percebido a extensão do "grande jogo" internacional, com sua visão romântica de que as fronteiras seriam para unir e não para separar, mas os assessores precisariam tê-lo alertado. Se não o fizeram são incapazes ou traidores.

Se alguém puder fazer algo para evitar esse erro estratégico, é a hora.

Gélio Fregapani é coronel da reserva do EB, escritor, apaixonado pela Amazônia, tem um livro que precisa ser lido e divulgado, "A ilha do Amapá"

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