sábado, 23 de fevereiro de 2008

Retratos de Fidel para todos os gostos


Edição de Polêmicas de Sábado do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

Por Jorge Serrão


Fidel Castro abriu mão do poder esta semana. Mas só Deus sabe se conseguirá vencer a enfermidade não revelada que o obrigou a transferir o poder, há um ano e meio, a seu irmão Raúl. Em comunicado oficial no jornal oficial Gramma, terça-feira passada, o líder cubano abriu mão da reeleição em 24 de fevereiro como chefe de Estado. “Aos meus estimados compatriotas, que me fizeram a imensa honra de me eleger em dias recentes como membro do Parlamento, lhes comunico que não aspirarei nem aceitarei – repito - não aspirarei nem aceitarei, o cargo de presidente do Conselho de Estado e comandante-chefe". Fidel admitiu não estar "em condições físicas" de encabeçar outro mandato presidencial, embora goze, segundo ele, de "domínio total" sobre suas faculdades mentais.


Fidel se afastou temporariamente do poder em 31 de julho de 2006, depois de uma operação intestinal que o manteve, segundo disse, à beira da morte. Não é visto em público desde então, exceto por fotos e vídeos. Aos 81 anos de idade, Fidel foi o governante que ficou mais tempo no poder em mais de um século. Há pouco mais de um mês, Lula fotografou Fidel, que posou sorridente, em uma poltrona, com o rosto apoiado em uma mão e vestindo agasalho esportivo Foto AFP). A história oficial (sempre mal contada) revela que Fidel sobreviveu a mais de 600 tentativas de assassinatos por parte da CIA. Verdade ou mentira? Eis a questão.


Fidel é uma lenda viva da chamada esquerda mundial. Também é um mito odiado pela chamada direita global. Já que toda ideologia é uma forma de dominação, o Alerta Total oferece aos leitores quatro retratos de Fidel. Que cada um escolha o perfil que mais bem convier.

7 comentários:

Anônimo disse...

A História jamais absolverá "el comandante"


por Carlos Alberto Montaner


Fidel Castro decidiu morrer como ex-presidente. Não agüenta mais. Depois de meio século gloriosamente vestido de verde oliva, disfarçado de guerrilheiro heróico, é muito difícil governar um país de moletom, sentado em uma cadeira de balanço.

O saldo destes cinqüenta anos é pavoroso. Não há como a História absolvê-lo. Isso é impedido pelos dois milhões de exilados, milhares de presos políticos, fuzilamentos, a ausência absoluta de liberdades em Cuba, as famílias destroçadas, e o maior fracasso material da história das ditaduras latino-americanas. Quase todos os regimes tirânicos, do paraguaio Alfredo Stroessner ao nicaragüense Somoza, foram corruptos e injustos do ponto de vista social, mas deixaram seus países mais ricos. Em Cuba foi diferente. Como conseqüência do torpe governo de Fidel Castro e do sistema comunista imposto ao país (responsável pela improdutividade quase assombrosa da ilha), os cinco itens que medem a qualidade de vida da população pioraram: alimentação, habitação, vestuário, transporte e comunicações. Hoje, além da ideologia, a vida em Cuba é um pesadelo insuportável.

Nada ocorreu de bom nesse período? Sim: o país dispõe de 800 mil profissionais, entre eles 65 mil bons médicos, para uma população de 11 milhões de habitantes. Mas esse dado, longe de eximir Fidel de culpa, o incrimina duramente. Só um governante minuciosamente incompetente pode manter na pobreza uma sociedade que conta com semelhante capital humano. Em todos os cantos do planeta os profissionais fazem parte da classe média e vivem com certo nível de conforto. Em Cuba eles vegetam sem esperança e em meio a uma imensa pobreza.

Creio que o general Raúl Castro acredita neste diagnóstico e deseja melhorar a vida dos cubanos. Raúl não tem, como Fidel, uma visão ideológica dos problemas sociais, mas sim uma visão prática. Antes dos 20 anos, depois de uma breve viagem de "turismo revolucionário" ao Leste Europeu, tornou-se comunista por uma admiração ingênua da União Soviética, mas não por ter lido os textos da doutrina. Tem pouca densidade teórica o que, paradoxalmente, o torna mais humano. Raúl está mais perto do administrador do que do comissário. Desde 1959 comanda as Forças Armadas, instituição que, dentro do caos do país, funciona razoavelmente bem.

Raúl de fato vai empreender uma cautelosa reforma econômica. Quais serão as mudanças? Primeiro, mais espaço para os trabalhadores autônomos e pequenas empresas privadas que ofereçam os serviços que o Estado não pode proporcionar. Segundo, autorização para que os cubanos possam vender ou comprar livremente casas e automóveis. Terceiro, permitir a saída e entrada no país.

Não está prevista uma reforma política na direção da democracia, mas sim a libertação progressiva dos presos políticos e uma maior tolerância à dissidência interna, acompanhada de um clima mais aberto dentro do Partido Comunista, para que os camaradas possam examinar os problemas que afligem o país, sem serem perseguidos por isso. É provável, também, que Raúl cancele os "atos de repúdio", violentos pogrons contra os democratas, e renuncie ao clima de confronto internacional, encenado pelo seu irmão desde o primeiro dia de governo. Seus dois grandes e secretos objetivos são fazer a paz com os EUA e conseguir tornar auto-suficiente a economia da ilha.

Por quê? Raúl, com seus 76 anos, sabe que não tem muito tempo para conseguir revitalizar a economia e fortalecer as instituições, destroçadas pelo peso de Fidel, para dotar o país de um meio legítimo de transmissão da autoridade, quando ele também sair de cena. O último presente envenenado que lhe deixou Fidel era a liderança fictícia de Hugo Chávez, com a sugestão de uma união entre as duas nações, mas a derrota sofrida pelo venezuelano no referendo de dezembro deixou clara a precariedade e o descrédito da revolução bolivariana. Raúl não ignora que colocar o destino nas mãos de Chávez, como desejava Fidel, mais do que uma estupidez seria uma irresponsabilidade suicida.

Que fará Fidel a partir de agora? Certamente, apoiará os chamados talebans, o setor mais stalinista, atuando como um franco-atirador, sabotando as reformas com seus comentários, convencido de que a humanidade espera ansiosa suas declarações de excelsa sabedoria para compreender a realidade. Assim são os narcisista, inclusive com um pé na cova. Como se disse tantas vezes: as pessoas são o que são até morrer.




Carlos Alberto Montaner nasceu em Havana, Cuba, em 1943.

Vive em Madrid desde 1970. Foi professor universitário em diversas instituições da América Latina e dos Estados Unidos. É escritor e jornalista. Dezenas de jornais e publicações da América Latina, Espanha e dos Estados Unidos publicam há mais de trinta anos sua coluna semanal. A revista Poder o qualificou como um dos colunistas mais influentes da língua espanhola. Calcula-se em seis milhões de leitores semanais que têm acesso a seus artigos em espanhol, inglês e português. Carlos Alberto Montaner, mantém o site Firmas Press, onde disponibiliza seus artigos semanais em diversos idiomas.

Anônimo disse...

Resta encomendar aos Srs. Fernandes e Porfírio o elogio a Hitler, Stalin, Mao, Ho Chi Mihn, Pol Pot, Kim Il Sung, todos venerados e copiados em escala menor por Fidel. E lembrar que foi e é esta figura que defende movimentos como as FARC, o Foro São Paulo e o MST. Resta encomendar aos Srs. Fernandes e Porfirio um exame de vista e sensibilidade histórica, antes que uma ditadura totalitária os impeça de escrever, seja ela de "direita" ou de "esquerda". Ou creditar aos mesmos jornalistas uma ingenuidade utópica impressionante. Principalmente quando forçam a barra, informando da suposta existência e participação de partidos dissidentes na ilha. Estão todos na prisão, sô. Os que controlam o mundo e as decisões políticas devem rir muito com estas manifestações caolhas... E quando Fidel Castro for enterrado com honras tipo Lenin ou Mao na Praça da Revolução, a maioria esmagadora dos cubanos, certamente vai comparecer, para ter certeza de que começa uma era de novas aprendizagens democráticas e libertárias, coisas desconhecidas naquela ilha. Apenas percebidas em função da resistência de uns poucos.

Anônimo disse...

... e o "noço" guia, usando de todos os seus conhecimentos, inclusive médicos, disse que o Coma Andante está pronto para reassumir o comando.

Anônimo disse...

Saudações. (últimas)

Não vou mais compartilhar dessa imundice.
Louvar Fidel Castro é demais !!!

Até nunca.

Aenciosamente.

Manoel Vigas

Anônimo disse...

"Bueno", também estive em Cuba no ano de 1958. Não como estudante revolucionário ou intelectual de esquerda, mas como operário; mecânico de máquinas.Trabalhava numa empresa de navegação e fui lá a serviço. Tinha 20 anos e nunca mais voltei, é claro. Convivi com gente do meu nível (povão); fiquei hospedado em hospedaria popular, meu relacionamento foi com os cubanos "de a pie" como falavam. Eram educados, esclarecidos, alegres e gostavam de uma farra. Estavam divididos. Alguns punham fé na "revolucion" e outros tinham "miedo" de Fidel e Che. Agora respondendo aos articulistas, aos quatro de uma vez, digo que no MEU ponto de vista é o seguinte:
1)-Ter seguidores fiéis não é nenhuma novidade; muitos outros tiveram e sabe quantos ainda terão. As pirâmides foram construidas por um louco e até hoje não se sabe para quê; na construção do Taj Mahal sabe lá quantos morreram para satisfazer a vaidade de um principe vaidoso e babão; Nero incendiou o império diante dos orgulhosos romanos, "numa bôa"; Napoleão enterrou seus soldados na neve e ainda posou de heroi; Hitler levou o povo alemão a ignorar o que acontecia embaixo dos respectivos narizes e por aí vai... De modos que...
2)-Quanto a Fidel ser agente da CIA ou ser isso uma teoria conspiratória não cabe ao pobre mortal aqui avaliar, agora que um governante de uma pequena ilha, saida de uma revolução, cheia de problemas a ser resolvidos, sair pelo mundo fazendo guerrinhas de "salvação" como se fosse um potentado, só se for louco ou então estiver "levando algum" dos fabricantes de armas.
3)-Se por outro lado ele realmente se achava o rei da cocada preta e resolveu, conscientemente, peitar os capitalistas do mundo, acabar com o sistema e declarar, como declarou, que os EUA eram seu maior inimigo, devia saber que estava assumindo riscos e não poderia esperar que o inimigo tornasse as coisas mais fáceis para ele. Ora bolas!
4)-Agora, cá pra nós, analisando a figura do Fidel como presidente de uma nação, com aquela barba hirsuta, sem tirar nunca aquela farda entalada, com a testa sempre enrrugada e os olhos esbugalhados, fazendo aqueles discursos intermináveis inclusive para crianças de escolas primária que acabavam cochilando no ombro umas das outras de torpor e cansaço, me parece mais um vaidoso louco e tarado do que um líder sensato. É o que penso.
5)-Dizer que há propaganda dirigida é desnecessário, pois isso sempre existiu e sempre existirá qualquer que seja o lado. A propaganda é a alma das idelogias. Os textos em questão são o quê?

Anônimo disse...

Sai Fidel, entra Castro:

Dinastia à Kim Il-Sung



Félix Maier






http://www.ternuma.com.br/fmaier081.htm

Anônimo disse...

Ao Anônimo que foi a Cuba em 1958,
gostei demais do seu comentário. Centradíssimo, gostei até das comparações das duas maravilhas ( pirâmides e o Taj Mahal), que como todas sete foram só pra alguém dizer: - Fui eu que fiz!
Mas o que me doeu, foi ter que ler do Hélio Fernandes,que Fidel foi um Libertador. Só se foi "libertador" de milhares de almas, que estavam "presas" nos corpos de tantos cubanos. PELAMORDEDEUS!
Maryluca