domingo, 9 de março de 2008

Em busca do Deus transcendental

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://alertatotal.blogspot.com/

Por Arlindo Montenegro

Jamais poderia imaginar os eventos que hoje vivemos. Fui educado para ser um membro da civilização cristã, nos moldes românticos impostos pelos europeus que colonizaram esta província. Como as concepções cristãs românticas originais aparecem cada dia mais emparedadas e distorcidas, matuto sobre os valores e enganos que, por tantos séculos, engabelam homens razoáveis que utilizam a concepção de Deus para fins razoáveis. Uma concepção diferente daquela dos primeiros missionários que consideravam os índios e os negros animais, sem alma.

Esta algazarra em torno negritude, branquice, mulatice, amarelos, azuis, miscenegados, deixa a gente cada dia mais enfezado. O estímulo aos preconceitos parece mais uma hipocrisia da bexiga lixa. Um incentivo à divisão dos homens, do mesmo jeito que ajeitaram, puxando a brasa para as sardinhas ideológicas, diversas máscaras para o Deus original aceito (ou mesmo imposto) nestas paragens no tempo da colonização.

E a tolerância dos “bem pensantes”, ou que fingem pensar e deitam o verbo, decepciona. Estivemos durante séculos debruçados à janela, tomando fresca e esperando as idéias da Europa para repeti-las, espalhar ao quatro ventos como verdades insofismávies e continuamos valorizando drogados como um tal de Fucocô, que dizem filósofo. O que será que entendem por filosofia... Nunca ouviram falar em Mario Ferreira dos Santos, talvez por ter nascido no Brasil e que certamente nem se daria ao trabalho de perder tempo com os fucocôs da vida.

A aristocrática europa, hoje mais que nunca com interesses neste continente de índios, negrinhos e cafusos completamente tingidos com as cores da branquice, amarelice e vermelhice, reconheceu-nos quando as tropas brasileiras foram pra lá morrer e matar em defesa das liberdades democráticas que não passavam de ensaio. Democracia e liberdade que aprendemos a almejar com eles.

Os tupinambás, tapuias, tupiniquins receberam aqueles branquelos com roupas engraçadas e logo viram que além da graça traziam desgraça. Comeram as índias, obrigaram a vestir roupa, trabalhar na enxada e pior que tudo os que andavam de saia preta, começaram a dizer que Tupã não era de nada... Que o Deus deles era melhor e não sei que mais. E dominando o pedaço com os paus de trovão e espadas afiadas, foram impondo novos costumes, novas crenças.

Até hoje, continuam a fazer o mesmo, atuando agora como parceiros da gente que hoje ocupa a terra, quase todos falando um mesmo idioma e usários latrinas e torneiras, quase mais da metade e esperando que as cidades superpovoadas, onde proliferam os usuários de drogas, venham a ser locais dignos de moradia, libertados do jugo dos traficantes... que parecem gente.

Perdemos o contato com o Deus Universal. Perdemos o contato com o nosso próprio eu interior, que parece cansado e acomodado de tanto dar murro em ponta de faca. Eles mandaram um monte de coisas boas que pagamos caro. A partir dai desenvolvemos e até aperfeiçoamos umas sucatas. Trouxeram também alguma idéias interessantes, mas são pouco conhecidas. Em idéias, nos temos comportado mesmo como idiotas, dando voltas que nem peru para entender o lixo que eles mandam pra entupir e viciar neurônios instáveis e neuróticos com tanto barulho.

A antropologia cultural, os convincentes estudos resumidos por Joseph Campell (As máscaras de Deus) e outros documentos, mostram como as crenças se foram conformando enquanto os homens buscavam ambientes de sobrevivência mais propícios. O resultado é a confirmação da tese de unidade biológica da raça humana, como também da unidade espiritual dos homens, embora com diferenças sincréticas. Aí entra Tupã, Ogum, Jeová, Maomé, Buda, Krisna e todos os apelidos, formas e máscaras que o Poder Inominável presente em tudo e em cada coisa tomou em lugares e épocas distintas.

A divisão oportuna e artificial das pessoas, direitos de uns e deveres de outros, tem resultado em posições agressivas, troca de insultos e finalmente guerras sangrentas, como aquela lá no Oriente médio, onde homens bomba detonam com suas crenças em lugares públicos ou acessam uma escola e assassinam crianças. O outro lado chega e: tome mais bomba! Parece assim, cada um dizendo: eu sou o dono da verdade única e da vontade de Deus!

A gente aqui devia dar graças a Deus por nunca ter conhecido uma guerra braba como os europeus conheceram, uma guerra civil como os americanos conheceram, guerrilhas como os colombianos estão conhecendo, carnificinas como os africanos e asiáticos conheceram... ou o estado beligerante que há quase meio século aflige o Oriente Médio. Que nada! Ficamos debruçados sobre os outros e esquecemos o que ocorre no nosso quintal.

Os instrumentos de colonização, continuam ativos não obstante a falência do romantismo e a Marilia bela da noite estrela, hoje, seria modelo ou atriz de tv fazendo doce pra algum jogador de futebol, assimilado por algum time europeu. Os padres que diziam que índio e negro não tinham alma, estão divididos entre os negócios espirituais e as outras faces de Deus que foram construindo com o passar dos anos e enrolação promitente de liberdade e democracia. Acho até que os padres de hoje em dia nem sabem que diacho é filosofia. Entendem mais de eleições e “direitos huanos”.

Como os europeus, como a gente do mundo inteiro, imitamos a crença, cada um em seu Deus particular, único e verdadeiro. Cada um com a máscara oportunista e conveniente a cada grupo, cada igreja, cada partido, cada ideologia.

Ôppss! Com tanta ideologia, tanto interesse, tanto dono da verdade sobre a terra, podemos concluir como diz um amigo meu: a ideologia produz o politeísmo e nós precisamos religar-nos ao Deus transcendental, qualquer que seja sua face: branca, negra, amarela, mulata, vermelha.

Arlindo Montenegro é Apicultor.

Um comentário:

Mario disse...

Caro Serrão,

Estive lendo alguns posts de fevereiro passado e encontrei um artigo interessante "Dinheiro da CIA para FHC" - Sebastião Nery, que eu aindanão tinha lido.

Assustei-me desde o título. Não sei se, algum dia, FHC recebeu dinheiro da CIA, porém, certamente deve ter recebido da Fundação Ford.

A pergunta que faço: de onde esse jornalista comunista tirou a história de que a Fundação Ford é "agente da CIA"???? Que todo comunista é gagá nós sabemos, quanto mais um velhote como ele. É uma palhaçada que continue, em pleno 2008, insistindo na patética e hilariante história de que os EEUU teriam "iniciado, financiado, comandado e sustentado" o nosso governo militar de 64.

É de morrer de rir!!!

Fico aqui pensando qual teria sido o seu objetivo em publicar no seu blog tanta asneira do, já naquela época, surtado jornalista.