quarta-feira, 28 de maio de 2008

Por que a violência irá aumentar?

Edição de Artigos de Quarta-feira do Alerta Total http://www. alertatotal.blogspot.com

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Por Márcio Accioly

Como os interessados sabem e a memória martela, o PSDB foi fundado no dia 25 de junho de 1988, por parlamentares dissidentes do PMDB que queriam moralizar, vejam só, a vida política nacional.

À época, o então senador FHC e o também senador Mário Covas desejavam uma legenda longe da influência de Orestes Quércia, visto como o cafuçu das orelhas perdidas, depois de cair em desgraça por conta de denúncias de corrupção que o arrastaram para o fundo do poço político, embora no topo de milionários recursos.

Quércia foi tudo que quis, ou quase tudo: vereador em Campinas (pelo Partido Libertador) e deputado estadual (1967-69), já pelo MDB. Prefeito de Campinas (69-73), elegeu-se senador em 74, vice-governador (83-87), e governador de São Paulo (87-91). Até se transformar numa espécie de Paulo Maluf da oposição.

Do mandato senatorial, surgiram várias histórias de cooperação com o regime militar (1964-85), transformando-o numa espécie de quinta-coluna, um infiltrado entre combatentes democráticos de então. Fez fortuna, ficou riquíssimo. Podre de rico!

De maneira que o grupo dissidente achou melhor buscar a purificação e, dessa forma, o PSDB foi fundido. Até Mário Covas ser eleito governador de São Paulo, em 94, cargo para o qual foi reeleito e permaneceu até a morte, em 2001.

Quando morreu, Mário Covas foi transformado em santo pela Rede Globo, apesar de sua gestão ter atravessado negócios mal explicados e casos de corrupção nunca apurados, envolvendo seu filho, Zuzinha, e o amigo Manoel Português.

Criado para servir de exemplo, o PSDB naufragou de verdade nas gestões FHC (1995-2003), quando o país foi doado na bacia das almas a empresas multinacionais (com dinheiro do BNDES), em vergonhosa privatização que desmontou legado da gestão Getúlio Vargas, na total desnacionalização econômica.

FHC não apenas desnacionalizou a economia em 78%, como entregou de mão beijada o solo e subsolos de boa parte da Amazônia com a “venda” da Vale do Rio Doce por um preço que, se levado a sério em qualquer país que possua povo e história, levá-lo-ia à prisão e, sem dúvida, à pena de morte por crime de traição e lesa-pátria.

Que falta faz um documentarista nacional do porte do norte-americano Michael Moore, para mostrar aqui no Brasil os horrores da chamada “administração” FHC. No seu período, o Brasil regrediu anos e as Forças Armadas foram abandonadas.

Os Ministérios do Exército, Marinha e Aeronáutica ficaram submetidos ao criado Ministério da Defesa (segundo mandato), entregue a pessoas sem qualquer intimidade com a área, projetando desprestígio e vulnerabilidade.

Pior: o primeiro titular da pasta, ex-senador Élcio Álvares (ES) caiu atingido por acusações de ser vinculado a traficantes e esquemas mafiosos no estado do Espírito Santo. Ninguém sabe por onde anda sua ex-excelência.

Foi nesse descrédito absoluto que o PT cresceu e, pregando mudanças e moralidade, colocou Don Luiz Inácio (PT-SP), no Palácio do Planalto. O restante da história, todos nós estamos vivendo até agora.

Nos dias que se seguem, o maior problema é esse total descrédito, jogando lama de forma indiscriminada em todos os partidos (lama essa que deixa de atingir raríssimas figuras), gerando clima de completa saturação.

Tudo isso se mistura com incontrolável violência que está produzindo mais de cem mil homicídios por ano, na impotência e passividade da maioria. Como esperar desfecho promissor dentro de tal cenário, é a indagação feita por renitentes incréus.

Márcio Accioly é Jornalista.

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