sábado, 24 de maio de 2008

Quando as quadrilhas se organizam

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Por Márcio Accioly

A prometida e esperada acareação, entre o ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil José Aparecido Nunes Pires, e André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), não aconteceu, nem irá.

O governo e a “oposição” (entre aspas), vejam só, com velocidade além da esperada, fecharam acordo rapidinho para que a CPI dos cartões corporativos acabasse. Pois não é que a dita cuja morreu sem choro nem vela?

“Oposição”, neste país, serve para isso. Quem não se lembra do PT pregando ética e moral, nas palavras do deputado federal José Genoíno (SP), à época em que era oposição? O parlamentar, que de genuinidade nada deixa transparecer, era conhecido nos corredores e no Salão Verde da Câmara como “mariposa”.

Não podia ver um pau de luz de TV que corria atrás desesperado. Depois do escândalo do PT, aquele no qual sua excelência foi indiciado com mais 39 figurantes, Genoíno anda se escondendo de tudo e de todos, perdeu de vez a credibilidade, em desmoralização generalizada.

Mas, antes mesmo daquele escândalo do mensalão, quando se envolveu na história de mal contados empréstimos com o “publicitário” Marcos Valério (o carequinha de Minas Gerais), o deputado José Genoíno foi denunciado num livro do coronel da reserva Lício Ribeiro, como traidor e dedo-duro.

Antes de arruinado na história dos empréstimos com Marcos Valério, Genoíno falava alto e forte e era venerado como espécie de santo. Danado é que tudo aconteceu de uma só vez: porque em cima das acusações do coronel e da história enrolada de sua passagem pela presidência do PT, ainda teve o caso da cueca.

Como se recorda, um irmão de sua excelência, José Nobre Guimarães (PT), à época deputado estadual pelo Ceará, teve um assessor preso no aeroporto de Congonhas (SP, José Adalberto Vieira da Silva), quando tentava embarcar para Fortaleza com 100 mil dólares na cueca e 200 mil reais numa mala.

O fato aconteceu no dia 8 de julho de 2005 e fez com que Genoíno, finalmente, apeasse da presidência petista. Nobre é hoje deputado federal.

Inimagináveis desgraças aconteceram com o Partido dos Trabalhadores, depois que assumiu o poder: os podres vieram à tona. Na realidade, pelo que se observa, todas as cobranças efetuadas pela legenda, quando era oposição, não passavam de teatrinho.

Como teatrinho é o que vem fazendo o PSDB, tentando recuperar o comando do país. Efetua denúncias exatamente iguais às de seu sucessor. Mas, no engrossar do caldo, espirra gente pra tudo que é lado, pois ninguém é tolo de se deixar flagrar ostentando rabo de palha capaz de circundar o mundo.

Quando criaram essa pervertida CPI dos Cartões Corporativos, as acusações do PSDB ameaçavam rolar cabeças. Nada aconteceu. Nada se investigou, por exemplo, a respeito do ex-presidente FHC (1995-2003).

Apontam sua ex-excelência como tendo gasto milhares e milhares de reais para financiar despesas do filho com a jornalista Mirian Dutra (Rede Globo), a quem enviou (os dois, mãe e filho), para a Espanha, desde que assumiu o Ministério das Relações Exteriores na gestão Itamar Franco (1992-95).

Também nada foi levantado com relação às despesas de seus auxiliares, notadamente o ex-ministro Paulo Renato (Educação), que cuidava de pagar passeios com a namorada na utilização dos tais cartões corporativos.

Suado dinheiro do brasileiro que trabalha quase seis meses por ano no pagamento de impostos, sustentando elite insensível, perdulária e covarde.

Por conta de indecorosa mistura que a todos nivela, em suja aparência mercenária, desmontam-se as instituições e a corrupção se banaliza. Não há o que discutir quando crimes e falcatruas são sepultados em imorais acordos, na conciliação de superiores e espúrios interesses. Caminhamos para a fase do salve-se quem puder.

Márcio Accioly é Jornalista.

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