sábado, 24 de maio de 2008

Semelhanças e coincidências

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Por Arlindo Montenegro

No vizinho Uruguay, pouco mais de três anos depois da eleição da esquerda, parece estar em andamento um curioso processo de desinformação seletiva. O que for inconveniente para a ideologia e para a Frente Ampla é misteriosamente engavetado pela imprensa... e parece que muitos não percebem.

O semanário independente “Búsqueda”, foi ameaçado pelo Presidente do Banco da República, por divulgar que o Vice Presidente Rodolfo Nin, logo após assumir o cargo teve uma dívida cancelada e comprou, junto com seu irmão Gonzalo, uma fazenda em condições muito vantajosas.
O ex diretor dos Cassinos do Estado, Juan Carlos Bengoa, militante da Frente Ampla, que está em cana com alguns dos assessores diretos por desviar recursos e apresentar perdas em cassinos superavitários. “El País” informou que a grana foi desviada para a Assembléia Uruguai, que é um setor importante da Frente Ampla, liderado pelo Ministro da Economia, Danilo Astori, virtual candidato da Frende Ampla à Presidência.

Há alguns anos o Uruguai se beneficia com um dos cenários econômicos mais favoráveis, com crescimento anual de 6%. O governo destinou vultosas quantias para o seu Plano Nacional de Emergencia Social (o Bolsa Familia de lá). Entretanto a situação é paradoxica: o país está prosperando, os gastos em políticas sociais são imensos, mas a pobreza quase não diminui e a miséria é igual para 26% dos uruguaios, dos quais 2% são indigentes. (Instituto Nacional de Estatística, 2007).

É bom lembrar que o Uruguai, nos anos 1960, era conhecido como a Suíça das Américas. Quando o Dr. Tabaré (o Lula de lá) assumiu em Março de 2005, prometeu acabar com a corrupção e a miséria, fantasmas que rondam a Frente Ampla, além de outros dados do Ministério da Saúde que registra o aumento da mortalidade infantil e assustador aumento da criminalidade e violência em todo o país, incluindo as escolas.

No 1º de Maio, os sindicalistas da extrema esquerda desarquivaram os velhos discursos ressentidos da luta de classes. A inflação ameaça a economia, os artigos de primeira necessidade já começam a corroer os salários, os aposentados já pagam imposto de renda, fato que ameaça a reeleição dos esquerdistas que parecem subestimar o senso comum da população.

O fato que se destaca é que a realidade socio política e econômica do país vizinho parece estar sendo submetida a um laboratório psico social, com o sumiço do debate em torno de conceitos que sempre estiveram presentes: direita, esquerda, centro, comunismo, socialismo.

É sintomática a declaração do historiador José Rilla em seu livro “A atualidade do passado – Usos da história na política de partidos do Uruguai (1942-1972): “...a idéia de que os tupamaros nasceram para conservar a democracia é uma mentira fenomenal!” porque “não existe nenhuma possibilidade teórica nem empírica de inscrever a luta dos tupamaros no processo de fortalecimento da democracia liberal no Uruguai”. Entretanto o historiador constata um fenômeno “curioso”: “nos últimos vinte anos, os tupamaros aparecem para a opinião pública, e com muito êxito, mais vinculados ao paradigma democrático que ao paradigma revolucionário”.

Nestes dias, o Uruguai acolhe um encontro do Foro de São Paulo. E nós sabemos bem que as semelhanças e coincidências da letargia e amnésia coletiva que conhecemos por aqui têm muito a ver com propósitos escamoteados. Têm a ver com a mais indecente submissão psicossocial em andamento neste continente.

Arlindo Montenegro é Apicultor.

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