sexta-feira, 18 de julho de 2008

Lei seca e lei contra a corrupção

Edição de Artigos de Quarta-feira do Alerta Total http://www. alertatotal.blogspot.com

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Por Márcio Accioly

Não se tem mais como combater crimes de corrupção no Brasil, depois de arranjos efetuados para soltar Daniel Dantas e livrar a cara dos principais envolvidos. Está claro que aos figurões tudo é permitido, pois o envolvimento de considerável parte de nossas autoridades lhes dá chancela para a prática de absurdos.

A questão é descobrir como controlar ou frear marginais considerados pequenos, alojados nos andares inferiores, já que àqueles hospedados nas coberturas está garantida a impunidade. Por que não se libera o roubo geral?

O Estado formal brasileiro é conduzido por categoria de bandidos que não presta qualquer serviço aos que são obrigados a pagar impostos e sustentar suas bandalheiras. Só são contemplados os que descobrem maneira eficiente de assaltar os cofres públicos, recolhendo montanhas de valores repartidas alegremente na cumplicidade.

Enquanto isso, a sociedade desprotegida fica a mercê de bandidos comuns e forças policiais que engrossam estatísticas de crimes intermináveis em preocupante escalada. Todos os dias, nas várias cidades brasileiras, somos agredidos pelo noticiário a despejar morte e insegurança numa população impotente e estarrecida.

Quando irá, finalmente, acontecer explosão incontrolável de revolta diante da injustiça e de arbitrariedades cometidas pelos que deveriam dar bons exemplos? Que estranha reunião foi aquela, entre o presidente Dom Luiz Inácio (PT-SP), o presidente do STF, Gilmar Mendes e o ministro da Justiça, Tarso Genro?

Qual o papel de Gilberto Carvalho, chefe de Gabinete de Dom Luiz Inácio, flagrado numa gravação da Polícia Federal trocando figurinha com o ex-deputado Luís Eduardo Greenhalgh? A gravação aparece nas investigações que culminou com a prisão do banqueiro Daniel Dantas.
Greenhalgh, deve-se recordar, foi acusado de tentar livrar a cara do Sombra, aquele “empresário” envolvido na morte do então prefeito de Santo André, Celso Daniel. Outro também acusado de criar obstáculos às investigações é o mesmo Gilberto Carvalho, de acordo com denúncias efetuadas pelos irmãos do prefeito assassinado.

As incursões do banqueiro Daniel Dantas nos altos escalões governamentais vêm desde a administração FHC (1995-2003), estabelecendo sólidas ramificações na atual gestão petista.

Quando Daniel Dantas e o ex-prefeito da Capital paulista Celso Pita foram algemados, senadores da base governista e da “oposição” se manifestaram em uníssono, contrários à ação policial. O líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), condenou imediatamente a atitude que classificou como hostil ao Estado de Direito.

A oposição que nós presenciamos é meramente de fachada, de conveniência. Na CPI dos cartões corporativos, PT e PSDB fizeram acordo para impedir que fossem aprofundadas as investigações. Não quiseram levantar os milhões de reais do dinheiro público que FHC destinou às despesas de seu filho com a jornalista Mirian Dutra.

Os escândalos se multiplicam e a população a cada dia fica mais e mais convencida de semelhanças no procedimento. Em quem confiar? As instituições estão em frangalhos, desmoralizadas. É preciso que haja verdadeira revolução de costumes, na tentativa de reverter corrida em direção ao abismo.

Seria necessária a existência de pessoas comprometidas com um projeto de nação. Com a “Lei Seca”, constata-se a redução de acidentes em até 60%, mostrando-se o acerto da medida. Para começar a reduzir a corrupção, teria de haver lei similar: colocando-se cada um desses corruptos por no mínimo dez anos atrás das grades.

Márcio Accioly é Jornalista.

4 comentários:

Anônimo disse...

Os europeus estão achando tudo muito bom e elogiam o governo brasileiro. Será que têm participação, lucros, interesses?
Será que não puxam muitos fios para controlar os manés daqui?
Merda! Como sonhei com um país soberano!

Anônimo disse...

Ótima idéia a criação de uma lei contra a corrupção.
Mas, creio que bastaria que as leis já existentes fossem cumpridas.
Já estaria de bom tamanho.

dette-rj

Skorpio disse...

Sugiro ao comentarista ler o excelente comentário de autoria do senhor procurador de justiça José Osmar de Araújo de 15/07/2008intitulado "Aparecer na TV", sobre a tal Lei Seca.
Aliás todos aqueles que sem refletir e baseando-se apenas em estatísticas, sem entrar no mérito da questão, deveriam ler o artigo do procurador José Osmar de Araújo, bem como o artigo de Rodrigo Constantino "Queda de acidentes - Efeito da lei seca?", de 17.07.2008.
Nele inclusive cita uma frase do grande Roberto Campos referente às estatísticas: “As estatísticas são como o biquíni: o que revelam é interessante mas o que ocultam é essencial.”
São duas opiniões que não podemos desprezar e que nos ajudarão muito a refletir sobre o assunto.

Anônimo disse...

"Lei Seca" para os Três Poderes da Nação. Só assim poderá acabar com a corrupção que está escancarada sem cerimônia, sem pudores, sem constrangimento nem segredos, que o país vai sendo conduzido por essa espécie de verme que já parece institucionalizada.