domingo, 20 de julho de 2008

Lonas rasgadas e pegando fogo

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://www. alertatotal.blogspot.com

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Por Márcio Accioly


Deve ser muitíssimo vantajosa essa história de servir ao distinto público, no “sacrifício” de buscar soluções para o dia-a-dia das cidadãs e cidadãos. Não fosse assim, jamais seriam gastos milhões e milhões de reais em campanhas eleitorais para a ocupação de cargos cujos salários não correspondem a tanto esforço e desperdício.

Mas, interessante mesmo é observar a “seriedade”, o nível de engajamento e “coerência” por parte de nossos políticos. A grande maioria confundida com ladrões e bandidos comuns. Veja-se o caso de São Paulo.

Aninhados na administração do prefeito Gilberto Kassab (DEM), que dia desses partiu para cima de cidadão comum chamando-o de “vagabundo” e ameaçando esmurrá-lo, os tucanos juraram defendê-lo com unhas e dentes, posicionando-se contra o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e bradando ser Kassab a luz e o caminho.

Pois bastaram algumas pesquisas eleitorais, mostrando a quase impossibilidade de o atual prefeito decolar, para que os mesmíssimos mudassem de opinião, largando o prefeito e retornando a Alckmin.

Nem mesmo as denúncias de rolo envolvendo a gestão governamental Alckmin e a gestão Mário Covas com corrupção, no caso Alstom, conseguem demover o agora, aí, sim, posicionamento firme dos que o abandonaram e resolveram voltar.

Até porque o caso da multinacional Alstom não deverá estourar com nomes e endereços durante a campanha. Esse é assunto que provavelmente ficará para depois, com as naturais idas e vindas, desmentidos e arremates a que nos acostumamos.

O importante mesmo é que na última pesquisa do Ibope o ex-governador aparece com 32% (três pontos percentuais atrás da ex-prefeita Marta Suplicy que tem 35%), e transmite a impressão de que poderá ganhar o pleito, já que no segundo turno os grupos unir-se-ão contra o PT.

Sem contar o fato de que o PT, considerado o maior inimigo, anda com a conversa de que pretende conquistar 70 prefeituras no estado de São Paulo, 18 a mais do que as atuais 52. Mas, mesmo assim, o governador José Serra está preocupado. Sua excelência quer ser candidato à Presidência, em 2010 e não quer a vitória de Alckmin.

Serra fez gato e sapato de Alckmin e apóia Kassab de forma escancarada (ou pelo menos apoiava). Já o ex-governador está afinado com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), fato que complica a vida de Serra.

E o distinto público, onde entra nisso? Entra com o voto; e com o pagamento de impostos que levam quase seis meses de reduzidos salários, financiando a corrupção desenfreada e camarilha organizada que domina vários ramos dos três poderes. No Brasil, não tem jeito: se correr, o bicho pega, já se ficar...

Dia desses, no Congresso Nacional, dois cidadãos bem informados conversavam a respeito do nosso cenário político-social. Um indagava, com visível impaciência, o que irá acontecer no Brasil com tal comprovado quadro de bandalheira em que as principais autoridades estão envolvidas até a medula.

O outro respondia que pequenos incidentes irão determinar o tom dos desdobramentos. Qualquer dia vai acontecer uma desgraça de peso, maior do que os assassinatos de cidadãos comuns, os desastres aéreos e os crimes horrendos que se empurram para o esquecimento.
Pode ser que, dessa forma, os setores governamentais limpos se disponham a agir. Por enquanto, as ratazanas dominam e os malabaristas continuam a iludir, apesar dos visíveis sinais de fogo no circo.

Márcio Accioly é Jornalista.

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