domingo, 31 de agosto de 2008

Respeito à concepção do Estado

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Ernesto Caruso


O Estado, que não é um condomínio edilício, pressupõe salvaguardas de maior intensidade, protetoras quanto à sua indissolubilidade ou alteração territorial, do que as Convenções que regem os condomínios, mutáveis por vontade das Assembléias Gerais, mas com exigências mínimas de 2/3 dos seus integrantes e até unanimidade para aprovar alienação ou gravame sobre parte ou totalidade da propriedade.

A concepção do Estado é o resultado da conjunção de corpo e alma do homem-natureza com a terra, criando raízes tão profundas que mesmo afastado do local onde nasceu, o velho forasteiro, errante, a procura de outros recursos em plagas distantes não esquece a sua origem. É um nativo, cujos pais migraram ao longo do tempo, por necessidade, por obrigação, por imposição. A vida criando mandamentos. Todos nós somos nativos de algum lugar na terra, no universo, submetidos às mesmas forças, ora da própria vontade, em cumprimento do dever, por pressão incontida.

Cada pedaço de chão gera identidades, caracteres comuns de linguagem, costumes, crenças, regras de convívio, que se aperfeiçoaram na abscissa do tempo, se absorveram reciprocamente, se fundiram, se misturaram ou combinaram conforme os elementos em presença, mais ou menos miscíveis, radicalizações e afinidades. Assim, não é mais brasileiro quem nasceu há quinhentos anos, se vivo fosse, com direitos e obrigações, ou quem está nascendo hoje do monte Caburaí/Oiapoque ao Chuí ou da serra do Divisor à ponta Seixas, Berço Esplêndido de veneração.

Nem sempre foi assim, mas há muito tempo é assim, por desbravamento, posse, miscigenação, sincretismo, tratados, arbitramento, lutas internas e externas, expulsão de invasores, legados e hereditariedade, amalgamando vontades e desenhando e concebendo um Estado.

A Constituição é uma certidão que define este Estado chamado Brasil. Veio depois da concepção e não tem a sua grandiosidade, por melhor que se tente escrevê-la, descrevê-la e decantá-la. De somenos as grafias mutáveis do peagá (ph) ao efe (f) dos nomes de quem as subscreveram, sem pretender desqualificar, mas para exaltar o liame intenso entre o homem-natureza e a terra já definida.

Os escritos ou mal escritos, por emoção do momento, mas sem o fundamento da razão, e até má intenção ou traição, não podem ameaçar a coesão, a unidade, nem macular quem lutou e morreu por ela e nô-la transmitiu por herança, que por necessária pertence aos sucessores das etnias que a geraram.

Há que se preservar este princípio, reprimindo qualquer tipo de ruptura, baseado em texto mal escrito a suscitar interpretação favorável à fragmentação do território dos nossos sucessores. Há de prevalecer a tradição, a definição histórica sobre qualquer ação rasteira como a do felino que mansamente progride sem fazer ruído para dar o mortífero bote. Não.

Não podemos assistir ao sangramento da Nação como se estivéssemos sentados assistindo a um filme do mundo animal, com as mentes propositadamente distraídas, entorpecidas pelo BBB, aquecimento global, escândalos do governo Lula, estórias de lobos, lambões, fanfarronices do governo Chávez nas escaramuças de fronteira com o país vizinho, a Colômbia, e seu apoio às FARC e a Evo Morales, na corda bamba, também amparado por Lula, que vai à Bolívia não só para oferecer mais recursos da Petrobrás, mas para dar um recado aos aguerridos opositores do cocalero.

Hodiernos estão rasgando as Constituições, desrespeitando as concepções, a História e as nossas tradições,forjadas, sedimentadas, demarcadas do descobrimento ao século XX, de Cabral, bandeirantes, Vidal de Negreiros, Henrique Dias, Felipe Camarão, do mártir Tiradentes, ao Barão do Rio Branco, seringueiros, Plácido de Castro, Marechal Rondon, do Tratado de Tordesilhas ao de Petrópolis, das valorosas e destemidas ações do Duque de Caxias, Almirante Tamandaré, Marcílio Dias, do Correio Aéreo Nacional, vencendo distâncias e turbulências sob a liderança do Brigadeiro Eduardo Gomes e do Brigadeiro Nelson Lavenère-Wanderley, dos bravos Pelotões de Fronteira, das Colônias Militares, da Flotilha do Amazonas, presença da Pátria e assistência em todos os rincões. Soldados, marinheiros, aviadores. Civis fardados e fardados civis.

Marechal Mascarenhas de Moraes e Marechal Castelo Branco serão lembrados sempre.
Liberdade. Democracia. Soberania nacional. Estado indivisível.

Agir enquanto é tempo.

Ernesto Caruso é Coronel da Reserva do EB

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