quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Resposta de um "sujeito" à Revista Época

Edição de Artigos de Sexta-feira do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Carlos Alberto Brilhante Ustra

O brilhante jornalista Oliveiros S. Ferreira, em recente artigo apresenta os objetivos de membros do governo quando tratam da Lei de Anistia e suas conseqüências. Diz ele:

“Comecemos pelos objetivos. O de Tarso, Oficial da Reserva da Arma de Artilharia, decompõe-se em primário, secundário e final. O primário é expor à execração pública os militares acusados da prática de tortura; o secundário condená-los; o final, reduzir as Forças Armadas a um silêncio ainda mais calado do que o que ostentam hoje, especialmente o Exército. Os objetivos dos que estão contra Tarso, defender o Coronel Ustra, ponto final. Embora com isso defendam indiretamente a razão do Exército — mas isso apenas indiretamente” .

Com seguidas reportagens, a Revista Época, enquadrando- se no primeiro objetivo exposto acima, faz coro com a esquerda no sentido de me expor, especificamente à execração pública. No dia 18 de agosto de 2008, publicou mais uma reportagem intitulada “Porque o trauma persiste”.

Entre outros assuntos diz que:

“O aposentado José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão mais velho de Lula, passou duas semanas como prisioneiro do DOI-CODI, sob o comando do coronel Ustra, em São Paulo. Frei Chico disse a Época: Não quero criar brigas nem conflitos, mas não acho justo o que aconteceu com os torturadores. Eles maltratavam a gente. Éramos humilhados e tratados como animais. Passei por toda a série: fui para o pau–de-arara, tomei choques elétricos, apanhei com um pedaço de pau. Outro dia, encontrei num posto de saúde um médico que me torturou. Não lhe aconteceu nada. Não sei se isso é legal ou não. Eu acho que é errado”.

Mentira. A verdade não é o objetivo da Revista Época. Na realidade, Frei Chico, o aposentado José Ferreira da Silva, irmão do Presidente Lula, foi preso em 1975 e o Cel Ustra passou o comando do DOI em janeiro de 1974. Portanto, é falsa a informação de que ele teria passado por uma série de torturas sob o comando do Cel Ustra.

Isso pode ser comprovado em Folha Online, de 28/10/2002, onde consta:

“Frei Chico conta que, quando foi preso, em 1975, Lula estava no Japão participando de um evento do sindicato."

Isto É- Dinheiro também confirma a inverdade da afirmação da revista:

“Filiado ao clandestino PCB desde 1971, Frei Chico queria apresentar ao irmão as idéias de Marx e Lênin. Emprestou um livro comprado em sebo, “O que é a Constituição”, e parou por aí. Lula nunca quis saber de filiações. Sobretudo depois de 1975, quando Frei Chico foi preso por agentes da repressão do governo militar".

Seria conveniente, a bem da verdade, que Frei Chico comprovasse o ano de sua prisão, em que Auditoria Militar foi julgado e qual o resultado desse julgamento.

Continuando a execração, a revista Época publica:

“Envolvido em dois processos na Justiça, Ustra tornou-se um símbolo dessa situação. Para defender-se, ele convocou os atuais chefes do Comando Militar, entre eles o comandante do Exército, Enzo Martins Peri. Com base na experiência do passado, era de imaginar que um recurso desse tipo tivesse acolhida firme e segura na caserna. Hoje, não é mais assim, segundo ÉPOCA apurou em conversas informais com dois integrantes do Alto-Comando do Exército. ‘Não temos o que falar nesse processo’, diz um dos generais. ‘Éramos muito jovens naquele período. É uma perda de tempo absurda. O que o sujeito (Ustra) quer: causar um problema para o país? Os brasileiros não estão preocupados com isso, mas com o futuro.’ Outro general questiona: ‘Como podemos ser testemunhas de coisas que não testemunhamos’”?

Pelo teor das reportagens que Época tem apresentado, pelas acusações que tem me dirigido sem as devidas provas, pelo que conheço da formação dos oficiais do Alto-Comando, custo a crer que tais afirmações possam ser verdadeiras. Além disso, a revista não cita o nome dos dois generais, o que me faz duvidar, mais ainda, da honestidade nesta notícia.

Aos dois jornalistas que assinam a matéria informo que:

Esse "sujeito" a quem os senhores se referem, trata-se do Cel Reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, que, anos idos de 1970, atendendo às ordens recebidas dos seus superiores hierárquicos, deu tudo de si para cumprir com o seu dever de soldado.

Esse "sujeito" era um simples major estagiário da ECEME, servindo no QG do II Exército, quando foi chamado pelo seu comandante, general José Canavarro Pereira, que lhe transmitiu a seguinte ordem; “Major, o senhor foi designado para comandar o DOI/CODI/II Exército. Vá. Assuma e comande com dignidade”.

Esse “sujeito”, dentro de sua capacidade, fez o possível e o impossível para cumprir a ordem recebida. Foi humano e justo. Seus chefes sempre o elogiaram.

Esse "sujeito", senhores, foi condecorado com a Medalha do Pacificador com Palma. Talvez os senhores não saibam o que ela representa.

Esse "sujeito" quase foi seqüestrado por organizações terroristas durante três oportunidades. Nos quase quatro anos do seu comando no DOI, a mulher desse "sujeito" e sua filha, com um ano de idade, eram ameaçadas de seqüestro freqüentemente. A mulher desse "sujeito" não tinha o direito de passear com a filha em uma praça. Esse "sujeito" e sua família viviam sob ameaças de todo o gênero, trocando o número do telefone constantemente.

Esse "sujeito" a quem os senhores aludem, entrou em combate, de arma na mão, e viu seus subordinados se esvaírem em sangue, feridos pelas balas dos terroristas,

Creio, senhores, que quem nunca entrou em combate e nunca teve suas esposas e filhos ameaçados, não saiba imaginar o que é isso.

Deve parecer estranho aos dois jornalistas que no processo que tramita na Vara Federal, da iniciativa de procuradores da República, eu indique como minhas testemunhas de defesa, por ocasião da oitiva, os generais do Exército Brasileiro ocupantes das funções de: Comandante do Exército, Comandante Militar do Sudeste, Chefe do Estado Maior do Sudeste e Chefe do Centro de Inteligência do Exército. Eles hoje são os substitutos legais dos chefes que, na época do meu comando do DOI, deram-me as ordens cumpridas por mim, rigorosamente.

Por isso mesmo, duvido que os dois generais do Alto-Comando tenham afirmado que não têm o que testemunhar, pois não viveram aquela época e que a minha indicação para deporem seria uma perda de tempo absurda.

Todos sabemos que, hoje, o Exército é outro.

Não creio que os generais de hoje, depois de passarem por tantas escolas, tantos comandos, não possam ser testemunhas do que se passou naquele período porque não sabem de nada e não vivenciaram o que se passou.

É inacreditável que não saibam como e por que o major José Toja Martinez foi assassinado; que o tenente Alberto Mendes Júnior tenha sido morto a coronhadas, quando cumpria uma missão dada pelo Exército; que uma bomba destruiu parte do QG do II Exército e estraçalhou o soldado Mário Kozel Filho; que um bomba explodiu no Aeroporto de Guararapes, matou duas pessoas e feriu outras treze, inclusive seu colega, Gen Sylvio, que perdeu todos os dedos de uma das mãos.

É incrível que os senhores generais não saibam que quatro diplomatas foram seqüestrados; que 120 brasileiros foram mortos por atos terroristas; que 8 aviões de carreira foram seqüestrados; que centenas de bancos foram assaltados; que bombas explodiam diariamente; que o inimigo não era composto por estudantes desarmados, mas, sim, por elementos treinados em técnicas de guerrilha no exterior.

É inacreditável que os senhores generais não saibam que, atendendo ao clamor da sociedade, as Forças Armadas, particularmente o Exército, cumprindo uma Diretriz do Presidente da República, assumiram a responsabilidade pelo combate ao terrorismo.

Se for verdadeira a afirmação da Revista Época, o ensino do Exército deve estar cometendo uma falta muito grave ao ignorar um assunto tão importante, em que a participação da Força Terrestre se destacou na luta pela manutenção da democracia.

Caso existam dúvidas sobre o que aconteceu naquele período, leiam o livro do general Del Nero, o livro do Cel Madruga e, se puderem, leiam o meu último livro. Consultem o arquivo do Exército. Disponibilizei, para que possam tomar conhecimento do que se passou naquele tempo, junto ao CComSEx e ao CIEx, as razões da minha defesa no processo.

O "sujeito”, senhores jornalistas, não quer causar problema nenhum ao país. O que ele quer é que a Instituição Exército Brasileiro, que lhe designou para o comando de um órgão de repressão ao terrorismo, seja testemunha do reconhecimento do trabalho por ele prestado. Que declare o que se passou naquela época. Declare que o Exército assumiu o comando do combate ao terrorismo para evitar o caos.

O “sujeito” não quer que os generais o defendam. Quer, apenas, que eles defendam a Instituição Exército Brasileiro.

No final do artigo, a revista diz que:

“Pode-se apostar que o Exército nada fará para incriminar Ustra. Mas estabeleceu um limite para protegê-lo”.

O Exército atual nunca me defendeu e nem me protegeu. Nunca me procurou para saber se poderia me ajudar em alguma coisa.

O “sujeito” não quer e jamais quis trazer problemas para o Exército. Entretanto ficar calado e omisso quando é injustamente acusado não é do seu feitio e, enquanto tiver forças, lutará e enfrentará essa esquerda revanchista.

Felizmente, tenho tido o apoio dos companheiros da reserva e de inúmeros oficiais da ativa, muito mais do que enxerga esse jornalismo mentiroso e caolho.

Carlos Alberto Brilhante Ustra é Cel Reformado do EB.

7 comentários:

Anônimo disse...

Prezado coronel Ustra, como civil nascido depois da contra-revolução de 64, quero externar meu total apoio às suas ações durante aqueles anos.

Mesmo que excessos tenham sido cometidos, pois a situação era de guerra, não é necessário possuir capacidade intelectual especial para poder entender tal obviedade.

Mas o que os brasileiros - incluindo sua pessoa - podem esperar de um veículo de informação comando pelos seguintes profissionais da "desinformação":

Revista Época


Diretor de redação: Helio Gurovitz

Redatores-chefes: David Cohen

Editores-executivos: David Friedlander

Realmente, tudo muito

http://www.inacreditavel.com.br

Anônimo disse...

parabens por reproduzir um texto do coronel Ustra, nessa história toda, é no mínimo injustiça não deixar o cara falar. Chega de escutar só as bobagens dita pelo Genro e o outro desocupado Vanuchi. Aliás, ele que é tão defensor dos direitos humanos, deveria dá mais atenção aos bebes mortos do Pará, esses sim são inocentes.

Anônimo disse...

Bravo Coronel Ustra! Quem cala consente. Os que hoje calam consentem na reinterpretação ideológica dos fatos históricos. Consentem na doutrinação gramscista dos comunistas que se dizem democratas. Não temos mais atuação política, não temos Justiça e estamos a caminho de perder o que resta de liberdade. E os novos do Exército parecem não conservar os princípios e valores que fazem desta arma a defensora dos ideais democráticos.
Homens como o senhor são dignos da admiração incondicional dos brasileiros que ainda têm vergonha na cara.
Que Deus o abençôe!

Anônimo disse...

Brasileiros: LEIAM GUSTAVO BARROSO!

BRAGA disse...

Prezado sr. Ustra.
Sou um velho professor aposentado quase chegando aos 70 anos.
Passei por várias etapas políticas. Mas jamais como agora.
Votei no MDB durante o período militar e depois no Lula até ele ser eleito em 2002. Nesse momento o PT mostrou a que veio! Que decepção.
Jamais amarguei tamanho sentimento de traição de ideais.
Que balaio de gatos é o que está aí.
Ditadura vivemos agora, sutil, que usa de “argumentos” muito convincentes.
O cinismo dos governantes é revoltante. Vejam o caso da classe média, que aumentou, graças a matemática usada (quem ganha de 2 a 10 sm). Jamais estive tão no "sufoco", em todos os aspectos, como hoje.
O nosso povo é bombardeado com uma poderosa rede de contra-informação.
Sai de "uma", já entra em "outra".
Sem tempo para pensar. Até quando?
Como escreveu Einstein:
“É pequeno o número de pessoas que vêem com seus próprios olhos e pensam por suas próprias mentes."
Braga

Sargento da Marinha disse...

Coronel Ustra, acho o SR. um militar exemplar e brilhante. Mas não só o Exército mas toda as nossas Forças Armadas, não são mais como antigamente. Eu acredito que esses Generais tenha dito isto sim. Na Marinha, ocorreu um fato a alguns anos atrás em que um Fuzileiro Naval havia sido sequestrado por traficantes na Ilha do Governador, sua esposa dirigiu-se ao Quartel de Fuzileiros da Ilha do Governador onde ele servia para pedir ajuda. Sabe oque a Marinha fez? negou qualquer tipo de ajuda, mandou a esposa procurar a Polícia e o mais absurdo, abriu um processo contra o militar por deserção. A utima informação que tive ná época é que o militar havia sido morto pelos traficantes. São essas Forças Armadas que nós temos hoje, omissas, e covardes.

Ronaldo Cardonetti disse...

Guerra é Guerra! Mas nos tempos de HOJE a guerra se digitalizou...

Carta Aberta Abusando.org

“Pode-se enganar a todos por algum tempo;
Pode-se enganar alguns por todo o tempo;
Mas não se pode enganar a todos todo o tempo…”


ABUSANDO.ORG vem a público declarar:

Que não é, como é tratado pejorativamente pelo Nic.Br um “grupinho” do Paraná que divulga tais notícias/denúncias contra o CGI e sim uma Associação devidamente registrada no Brasil entitulada; ABUSANDO - Associação Brasileira de Usuários de Numeração IP & Assinantes de Domínios

O fato é que a ONG particular NIC.br (de propriedade de integrantes do Comitê Gestor da Internet), juntamente com Sr. Demi Getschko presidente da ONG NIC.br (leia-se Núcleo de Informação e Coordenação do .br) intimidam sistematicamente através de processos, pessoas físicas quando na verdade deveriam SIM entrar com representações contra a Abusando.org proprietária e responsável pelo registro do domínio abusando.org e difusora das denúncias, diga-se de passagem, totalmente fundamentadas, fruto de investigações, entrevistas, pesquisas jornalísticas e declarações de membros do CGI.br, durante mais de 10 anos.

Sempre existe e existirá alguém disposto a disciplinar o acesso ao mercado da Internet num sentido restritivo sendo que é preciso resistir a essas manobras que não atendem ao interesse público, manipulando e monopolizando o sistema de registro de domínios e delegação de IPs no Brasil.

Devo acrescentar que recentemente o departamento jurídico do CGI no Brasil enviou documentos a uma empresa hospedeira de sites nos EUA afirmando que uma "corte brasileira" ordenou o cancelamento da hospedagem dos domínios "abusando.org e interjuris.com.br", fato este que obviamente cometeu fraude e crime internacional por fazer declarações falsas apresentando aos norte-americanos responsáveis pela hospedagem uma situação judicial através de documentos ainda em trâmite na justiça, portanto, sem conclusão final sendo que a Associação Abusando titular do site abusando.org sequer foi notificada.

Prova-se mais uma vez que o CGI.Br e o Sr. Demi Getschko insistem em tentar fazer calar as declarações da Abusando.org usando meios antidemocráticos, acobertados por uma imprensa brasileira que esta se digitalizando dia após dia e tem interesse fundamental em jamais divulgar qualquer conteúdo no site abusando.org sobre as denúncias em questão.

Veja nestes link a verdade sobre o CGI.br/NIC.br/Fapesp

www.abusando.org/denuncias - principais denúncias
www.abusando.org/denuncias/processos.html - processos judiciais e policiais
www.abusando.org/denuncias/recursocriminal.html - conclusão judicial sobre o CGI.br
www.abusando.org/denuncias/regint.html - legalidade sobre o CGI.br

Cabe a você Internauta decidir quem esta com a verdade contribuindo assim com a Abusando.org a levar para o congresso nacional a discussão para a criação de uma Internet livre da censura, de manipulações e acima de tudo com respeito a constituição devidamente democratizada declarada na carta maior.



New York, 20 de agosto de 2008


Cordialmente.

Ronaldo Cardonetti
Presidente
Abusando.org


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