quinta-feira, 11 de setembro de 2008

As Máscaras da Realidade

Edição de Artigos de Quarta-feira do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Arlindo Montenegro


Muito recentemente o discurso oficial veiculado pela imprensa oficialmente imprensada, tem falado muito dos recursos do petróleo que dizem, vão retirar no futuro, enfiando brocas e dutos metálicos a quilômetros e quilômetros de profundidade. Os recursos obtidos com a venda do óleo vão ser utilizados na educação e para o benefício dos brasileiros. É um ôba ôba danado! O Brasil vai entrar para o OPEP! Vai correr leite e mel.

O Brasil (que continua comprando petróleo) já é auto suficiente, dizem! Parece que tudo já está acontecendo. E é só uma promessa futura, com muitas pendências, dependências e negociações com os que de fato mandam no mundo e fincam pé para manter-nos dependentes, devedores, incapazes de pensar e reagir.

‘Ind’agorinha saiu do forno um relatório da Cepal em parceria com a ONU e a OIT, apreciando a recente experiência brasileira sobre trabalho, emprego e desenvolvimento humano. Conclusões: “a desigualdade trabalhista no Brasil ainda é expressivamente alta”. Destaca-se no estudo a precariedade das condições de trabalho e a carência de empregos “decentes”. Mais adiante as recomendações: “Crescimento econômico não é tudo” são necessárias novas políticas de Estado para solucionar as falhas. Parece até que os da Cepal, ONU e OIT são oposição ao governo que, pelo seu discurso, “é o melhor de todos nunca antes visto”.

Não entendo nada de economia, mas sabe-se que a Venezuela integra a OPEP, produz e vende petróleo há mais de meio século, tem pouco mais de 27 milhões de habitantes e um Índice de Desenvolvimento Humano abaixo do Brasil. Que vantagem Maria leva? As favelas, o analfabetismo e a miséria estão presentes lá, tanto quanto por aqui, sem falar na violência.
Conhecendo os propósitos de Chavez, tanto quanto os dos que desfiguram e comprometem o Brasil com os propósitos do Foro de São Paulo, banqueiros e negocistas globais, que confiança podemos ter nas promessas de políticos que se calam diante da violência fundamentalista do partido no governo? Que vantagem teremos em aplaudir essa entrada para a opep-etista que ensaia passar a rasteira na velha Petrobrás e seus acionistas?

A Raposa Serra do Sol e a violência contra a Constituição que todos ignoram solenemente, os sucessivos escândalos, o tráfico de drogas, as fronteiras desguarnecidas, as forças armadas desarmadas, o túnel de 15 km feito com nióbio brasileiro –único metal que suporta o calor a ser gerado pelo novo reator montado na Europa para reconstituir “a origem da vida” (reconstituir Deus?); os 184 milhões de Reais para a propaganda do governo (vão vender o quê? A mentira e desinformação? Vender o que? A persuasão dos incautos e crédulos ignorantes? A persuasão dos que nada entendem da história do comunismo? Dos que nada entendem de Democracia?) Tudo isso é resultado da “palavra de ordem” da oligarquia internacional que os companheiros cumprem à risca.

Para mudar o foco, o Banco Mundial acena com “custo anual da corrupção”, que o site Contas Abertas nos informa: apenas a estimativa alcança mais de 1 trilhão de Dólares. Mais do que o estado disponibiliza para a educação de crianças e adolescentes. E os noticiários pautam acidentes de carros, crimes, violência urbana e os sucessos da economia e da safra de grãos, da exportação de arroz ou das grandes negociatas em andamento. O mais de 1 trilhão de Dólares que alimenta a corrupção passa a ser um fato corriqueiro, institucionalizado, característico da ética e moral que os governantes praticam, portanto, indiscutível, incensurável!

A precariedade, a decência e a desigualdade no emprego e trabalho vão continuar “ainda” muito altas neste cenário, onde em vez dos “melhores” são apresentados para “escolha” nas eleições obrigatórias os “mais espertos.” Como aqueles 53 deputados federais que concorrem nas próximas eleições municipais e que respondem a 321 processos judiciais. Como não foram julgados, além das imunidades e do corporativismo que garante seus movimentos, estão aí rindo da cara dos brasileiros que os mantêm.

Isto lembra o centenário de Josué de Castro, um cientista cuja obra recebeu consagração universal, pesquisando sobre alimentação e nutrição, o que lhe valeu a eleição para a presidência da FAO, organismo da ONU para a alimentação e daí por diante a super babação dos comunistas. Se ele vivesse hoje e refizesse seu caminho de pesquisa entre as famílias de Pernambuco, Bahia, Piauí, Goiás, Ceará, certamente ficaria triste com o que o Jornal do Comércio de Pernambuco encontrou, mas os políticos e os que vivem no sul/sudeste maravilha, nem desconfiam:

O “Brasil das safras recordes que chora por comida”. O “Brasil que louva o agronegócio das toneladas de grãos que se dói de fome. Hoje, o maior acesso à alimentação tem agora nome de batismo: Bolsa-Família. Se com ela o cenário é de penúria, sem ela seria de genocídio. O assistencialismo no País das abundâncias se enraíza por terras secas de outras alternativas. Homens e solo sedentos por uma reforma agrária longe de ser concretizada. Como cúmplice de uma predadora economia global, o Brasil entra assim na roda das especulações financeiras que transformam comida em artigo da Bolsa de Valores. O que para Josué de Castro deveria ser entendido como um direito do ser humano, se torna dinheiro vivo nas mãos de transnacionais.”

Somente como exemplo, no município piauiense de Guaribas, 5. 000 habitantes, local escolhido como vitrine internacional, cidade propaganda da marcante cerimônia de lançamento do programa Fome Zero, é um território dividido “entre os que têm o cartão do bolsa família e os que sonham ter”.

Um dos habitantes, Salvador Pereira Dias, não entende até hoje porque passa fome e “sua família não foi abençoada com um cartão do Bolsa Família”. A realidade é que, “em algumas áreas, sobretudo na zona rural, o atraso e a miséria permanecem iguais” ao tempo em que todos eram esquecidos do poder público.

Numa passagem por Pilão Arcado, no sertão da Bahia, a mulher de Evilásio Ferreira dos Santos abandonou a casa e levou o cartão do bolsa família, deixando o filho para o velho criar. Panelas vazias, o repórter perguntou como ele vivia e recebeu como resposta: “Pelejando, enganando a barriga”. O repórter anotou lembrando Josué de Castro: “como se pode ‘comer’ assim, e não morrer de fome? Deste jeito, morrem de fome mesmo os que ainda são maioria desta “minoria” de dezenas de milhões de habitantes que aguardam a “benção” de um cartão do bolsa família.
Trabalho humano e “decente”, não há.

Que nem diz o relatório da ONU, o mesmo que indica a necessidade de “proteção integral de meninas, meninos e adolescentes por meio da prevenção e erradicação do trabalho infantil.” Segundo o IBGE (PNDA 2006) entre os quase 38 milhões de crianças entre 5 e 15 anos quase 3 milhões trabalhavam, isto é, não iam à escola. E não estamos referindo a prostituição infantil, nem a mendicância, nem os catadores de comida no lixo. Nos áridos sertões nem existe lixo tão rico e nunca ouviram falar de reciclagem.

As artimanhas estatísticas são derramadas pela imprensa ideologicamente imprensada escondendo a verdadeira face da “”minoria” dos famintos sem trabalho que, dependentes do bolsa família para driblar a desnutrição crônica, para driblar a reforma agrária não chegam a enganar a barriga e raramente encontram um serviço remunerado para roçar ou cortar árvores sob o sol causticante ou para aplicar veneno nas plantações de cana. Este não é um serviço bom, porque “O veneno subia pra cabeça, dava uma queimadura, uma borbulha de suor e a vista ia embora. Às vezes, eu ficava surdo”.

A ONU diz que o Brasil ainda não protege os “jovens até os 18 anos de toda forma de exploração ou tipo de trabalho que, por sua natureza ou condições em que se execute, seja suscetível de prejudicar a saúde, a segurança e a moral da criança ou do adolescente.” Bom, isto é bastante visível nos guetos de periferia onde os narcotraficantes são governo de fato e em vias de governar de direito, se eleitos “representantes do povo” nas próximas “eleições democráticas” obrigatórias.

A cegueira e hipovitaminose espalhadas pela fome no interior do norte nordeste atinge como praga de gafanhotos as periferias ricas e contagia anestesicamente o espírito de muitos que foram privilegiados com a educação e lares com um mínimo de estrutura material. Os “sertões” descritos por Euclides da Cunha, constituem até hoje a realidade material e a realidade espiritual espalhada e invisível em todo o território nacional.

As populações do hemisfério norte nem desconfiam. Isto porque não percebem a intimidade da globalização com o gramscismo que varreu do mapa as posições ideológicas bem definidas entre capitalistas e comunistas. Não percebem que os partidos lidam agora com “imagem e propaganda”. O que antes eram idéias, ideais, princípios e valores na vida política foi reduzido a um tema único: economia e globalização. Mesmo com 19 dos 27 países da União Européia governados por “direitistas”, mesmo com a perda de terreno acelerada pelos “esquerdistas” no mundo dos “ricos”, a economia concentrada conduz as nações para uma única e totalitária economia global.

Nem petróleo, nem bolsa família, nem ongs, nem emesitês, nem políticas de emigração, nem a migração de trabalhadores braçais, nem discursos retumbantes de felicidade, nem a teologia da libertação, nem fundamentalismos ideológicos ou religiosos, nem guerrilhas vão barrar e transformar a aridez espiritual, a falência da família, dos princípios e valores de uma civilização que parece ter perdido o rumo do humanismo para atolar-se na barbárie do consumismo, sexo, drogas e violência.

Tudo nos conformes descritos pelos controladores do mundo que agora executam na moita as políticas de genocídio e extermínio científico há anos delineadas para reduzir a população do planeta disfarçadas nas políticas abortivas, políticas de saúde, alimentação, trabalho, educação. Quem encontrar a fórmula mágica, a saída do labirinto vai ser beatificado, ganhar o premio Nobel, um cruzeiro em volta do mundo e uma estátua no museu de cera de Londres.

Referência: CAMINHOS DA FOME, publicação do Jornal do Comércio, PE, 05.09.2008

Arlindo Montenegro é Apicultor.

2 comentários:

Anônimo disse...

Hoje o blog eta excelênte, mais gostaria de dizer que esse negocio de "companheiro" é coisa de antes do poder, agora já mostraram suas verdadeiras cara de COMPARSAS.

Anônimo disse...

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- Kris