terça-feira, 16 de setembro de 2008

Bancos internacionais socorrem a si mesmos, bolsas continuam turbulentas e banco brasileiro pode ser afetado

Edição de Terça-feira do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Jorge Serrão

A situação de crise nos EUA, no curto prazo, só preocupa um grande banco brasileiro. A instituição já perdeu R$ 650 milhões em investimentos no mercado norte-americano. Não será surpresa se tal banco for socorrido por algum de fora ou anunciar uma fusão com outro banco maior, como o Bradesco ou o Itaú. Tirando a situação mais delicada deste banco, os demais aguardam aqui o efeito da crise lá fora.

Embora preocupadíssimo, o presidente Henrique Meirelles faz teatrinho do João Minhoca na Mídia. Ontem à noite correu para dar uma entrevista exclusiva ao Jornal da Globo, da Rede Globo, para garantir que está tudo bem com o Brasil. Meirelles sabe que nem tudo está. Pelo menos com um de nossos grandes bancos. O Banco Central acompanha o problema de perto. Para as empresas, a dificuldade será captar empréstimos no exterior.

Por conta da crise financeira internacional, os saudáveis e lucrativos bancos brasileiros perderam 25% de seu valor de mercado neste ano. Passaram de US$ 229,9 bilhões em dezembro para US$ 172,5 bilhões na última sexta-feira. Os números são da consultoria Economatica. Na verdade, desde o Proer, sistema bancário brasileiro passa por constantes ajustes, e aproveita a boa fase de lucros recordes com a política de juros elevadíssimos e as altíssimas taxas de serviços cobradas dos clientes, além da farra de ganhos com os empréstimos.

Enquanto os banqueiros (que sustentam o desgoverno) permanecerem fortíssimos, nada muda no Brasil, principalmente em termos de política econômica monetarista. Os grandes bancos daqui (Bradesco e Itaú) contam com sólidas participações de bancos estrangeiros. O Bradesco tem 25% de seu capital pertencentes a bancos de fora. O Itaú tem 7,5% de suas ações sob controle do Bank of America. Por isso, se houver problemas refletidos aqui, o socorro sistêmico vem junto. A Oligarquia Financeira Transnacional adora especular, mas nunca joga para perder no Cassino econômico do Al Capone.

A crise de gestão no sistema financeiro norte-americano tem efeitos psicológicos negativos sobre o mercado especulativo. Mas os problemas têm dimensão menor que o apresentado pela mídia econômica. A própria Oligarquia Financeira Transnacional vai resolvê-la. Um consórcio de 10 instituições financeiras privadas criou um programa de empréstimos de US$ 70 bilhões para enfrentar a crise de crédito. Cada um dos 10 bancos injetará US$ 7 bilhões no fundo de socorro aos bancos necessitados. Os bancos participantes poderão receber uma injeção de liquidez máxima de aé um terço do valor total do fundo.

O Federal Reserve (FED, banco central privado americano) promove até às 15h 15min de hoje uma reunião em que deve manter o juro estável nos Estados Unidos. O FED já reduziu a taxa para 2%, em sete movimentos de corte desde meados de setembro de 2007 até abril, para tentar proteger a economia da crise imobiliária e de uma eventual fuga de capitais. O fluxo de capital para os Estados Unidos apontou uma saída de US$ 74,8 bilhões em julho. O objetivo do FED agora é conter a turbulência em Wall Street após a falência do Lehman Brothers e as dificuldades financeiras do grupo segurador American International Group (AIG). As demais bolsas do mundo continuam nervosas e com índices em queda.

Dirigido pelos banqueiros internacionais, o FED aposta no sucesso do colchão financeiro de defesa criado no domingo passado pelos bancos HSBC Holdings (Reino Unido), Bank of America (EUA), Deutsche Bank (Alemanha), JPMorgan Chase (EUA), Royal Bank of Scotland (Reino Unido), BNP Paribas (França), Banco Santander (Espanha), Citigroup (EUA), Barclays (Reino Unido) e UBS (Suiíço). Também devem colaborar com o fundo os bancos Mitsubishi UFJ Financial (Japão), UniCredit Group (Itália), Mitsubishi UFJ Financial (Japão), BBVA-Banco Bilbao Vizcaya (Espanha), Wells Fargo (EUA), HBOS (Reino Unido), Lloyds TSB Group (Reino Unido) e Royal Bank of Canadá.

O sistema bancário dos EUA passa por transformações A FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation, Corporação Federal de Seguro de Depósito), órgão do governo norte-americano responsável por garantir as operações do setor, informa que 28 bancos pediram falência nos Estados Unidos neste ano, sem contar o Lehman Brothers. Nos EUA, no caso de quebra de um banco, seus correntistas podem receber de volta os depósitos até o valor máximo de US$ 100 mil, ou US$ 250 mil no caso dos planos de previdência privada.

No Brasil, liga-se apenas o sinal de alerta. O País não está imune às turbulências. Quem adverte é o economista Yoshiaki Nakano. O diretor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) observa que o nível de vulnerabilidade do Brasil é baixo e o fluxo de capital externo não será interrompido no curto prazo. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a afirmar hoje que a crise financeira norte-americana não vai afetar tanto o Brasil. Mantega e o presidente Henrique Meirelles (do Banco Central) se vangloriam das atuais reservas de US$ 200 bilhões.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 16 de Setembro de 2008.

PS – Por problemas técnicos, nossa edição desta terça sai atrasada. Amanhã retornamos no horário de publicação normal, a partir das 7h da manhã. Pedimos desculpas aos leitores.

8 comentários:

Anônimo disse...

Artículo importantíssimo!!!

Acessem: http://brasilacimadetudo.lpchat.com/index.php?option=com_content&task=view&id=5245&Itemid=235

Anônimo disse...

Mau...


...tudo isso esta acontecendo por 1 unica razao...


CHINA!!!

Gisa disse...

Vem crise feia por ai, e mesmo dando um tiro no meu pé, somente uma crise econômica derruba o cafasjete mor desse país.

Anônimo disse...

Já era esperado. E agora Batráquietílico, a festa acabou, o banqueiro foi preso, o delegado falou e agora?

Roberto Fraga Jr disse...

Agora mesmo é que a vaca pode ir para o brejo.

Lula e seus asseclas que se cuidem!!!

Anônimo disse...

E agora ,o que esse governo anafabeto e cheio de corrupitos ira fazer,,,,acabou o pais da maravilhas.agora este é o brasil real.de desemprego e falencia..e agora lula?????

Anônimo disse...

Esse país está cada vez pior,esse governo está inacabável;e agora??se continuar assim o Brasil irá a falencia

Anônimo disse...

Este é o maior golpe dado aos aplicadores pelas empresas e bancos !
Se vc. gasta o R$ 1.000 em ações e hoje elas valem só R$ 0,10, quem meteu a mão nos R$ 999,90 ?
Vc. foi Roubado e ainda fica quieto ? Pagou e não levou é roubo.
E essa história de comprar Banco a preço de banana já vimos anteriormente ! E dar dinheiro para montadora pode ? Quem precisa de dinheiro são os 10 milhões de desempregados no mundo ( Bush diz que tirou 1 milhão da pobreza , e o Lula quantos vai deixar ? ).
Em tempo : Obama não é e nunca foi NEGRO , ele é apenas mulato , café com leite , como todos nós , a situação é Nigérrima !
Quanto o BC garantiu no Brasil ? Até R$ 10 mil ? Coitados de nós.
E os bancos pegam dinheiro e querem cobrar os juros mais altos do mundo? É bom acabar com esses pernas de pau !