domingo, 14 de setembro de 2008

Como assassinar seu galo por engano

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Jorge Serrão

O grande inimigo de qualquer tentativa de mudas os hábitos humanos é a inércia. A civilização é limitada pela inércia. O sábio morto-vivo Brás Cubas de Machado de Assis já ensinava: “Matamos o tempo; o tempo nos enterra”. A inércia não é bom negócio atualmente. É péssima aliada.

Precisamos avançar e superar o momento presente de crises de incertezas. Até porque o progresso social é a educação progressiva e o esclarecimento da mentalidade pública face aos seus problemas mais imediatos ou a longo prazo. Nunca precisamos tanto de soluções criativas como agora.

Temos muito a aprender com a crise econômica mundial inflacionada pelo terrorismo da mídia. Vale deixar claro que, apesar da questionável dimensão, trata-se de uma crise de paradigmas e de gestão. Tudo gerado por disputas de poder geopolítico. Por isso, apesar dos estragos que já causa e causará, ainda pode ser revertida.

Toda crise contém o wei-ji pregado pela turma do I Ching. Combina risco com oportunidade. É preciso ter sabedoria, coragem e vontade política para fazer a escolha certa. Ficar refém de problemas não vale a pena. Propor soluções é o segredo. Mas só é possível fazer isto usando conceitos, mecanismos e metodologias corretos e adequados à realidade. Do contrário, o remédio ajuda a matar mais depressa o paciente.

Grande professor e cientista aeroespecial, meu primo Serrão me manda uma piada clássica que descreve bem essa situação de desinformação, erro de foco ou desorientação do norte-americano atual. Primeiro vamos rir, depois voltamos a analisar seriamente. Numa fazenda do interior de Minas, o velho galo já não conseguia satisfazer todas as suas franguinhas. Então, fazendeiro decidiu comprar um galo jovem, filho do outrora “galanhão”, que substituiria o agora velho galináceo cansado de guerra. Quando chegou o galinho, todo forte e garboso, o velho galo pai se aproximou dele e pediu:

- Garoto, ocê pode dexá pra mim ao menos duas das minhas galinhas favoritas?

- O quê? De jeito nenhum! Elas são todas minhas agora. Se você não fez seu trabalho, o problema é seu! Bobeou e não fez, perdeu a vez!

- Oh menino, cê pode ao menos mi dá uma chance. A gente pode, se ocê aceitá, disputá uma corrida. Si eu ganhá, ocê dexa minhas favoritas. Se ocê ganhá, elas são todas suas.

O galo jovem olha o velhinho acabado, praticamente sem fôlego e tira onda:

- Tá bem, você não tem nenhuma chance mesmo!

- Bom, se ocê acha isso, ocê pode mi dá 20 passos de vantagem? Ocê é jovem forte e a gente corre até o outro lado do terreiro, uns 100 metros.

O jovem galo concorda. A corrida começa. O velho começa a correr, Humpf, humpf, humpf, e percorre os primeiros 20 passos. O jovem começa a correr também: patac, patac, patac... Depois de 50 metros o velho não tem mais que cinco passos de vantagem. Depois de 70 metros, ele não mais que 2 passos. Nos 80, menos de 1 metro separam os dois. Nesta altura o velho galo já está praticamente acabado. No entanto, continua correndo: humpf, humpf, humpf. Aos 90 metros, o jovem já está 5cm na frente do velho galo que cacareja bem alto para todo mundo na fazenda ouvir:

- Humpf, humpf, humpf, eu ainda te peeeego, seu safado!. Vem cá, vem cá...

Nisso o fazendeiro mineiro ouviu a gritaria e viu o velho galo atrás do galinho novo. Envergonhado com a cena, pegou sua carabina a atirou no jovem galo. O bicho cantou para subir na mesma hora. O velho galo ficou feliz porque voltou a reinar absoluto no pedaço. Guardando a arma, o fazendeiro comenta com a mulher:

- Num to entendendo isso, uai. Já é o quinto galo boiola que a gente compra esta semana, e eu sou obrigado a sacrificar, sô! Manda a bichona pra panela que eu quero comer no almoço...

Morais dessa História: 1) Quem pensa e age estrategicamente sobrevive a uma crise praticamente inevitável. 2) Quem conhece o inimigo, e a pessoa certa para combatê-lo, vence a guerra assimimétrica. 3) No jogo sujo da contra-informação, as aparências enganam – e muito!

Diante da crise de crédito, liquidez e solvência no mercado internacional, os norte-americanos parecem o mineirinho atirador da piada. Acabam induzidos a falhas de avaliação e atacam o problema errado. Tudo por não analisarem, devidamente, a própria realidade. Ou por fazerem isso de forma precipitada e sem os instrumentos de análise corretos.

Os EUA são induzidos ao erro pelo “galo malandro, estrategista e mais velho da história que lhe deu origem”. No caso, o inimigo da soberania do Tio Sam (a Oligarquia Financeira Transnacional inglesa) canta de galo na mídia internacional e no sistema bancário que a controla. Assim, a “crise” econômica norte-americana ganha uma dimensão maior que a realidade.

O problema econômico enfrentado pelo sistema financeiro norte-americano é mais uma etapa da guerra assimétrica movida pelos ingleses contra os EUA. O Império Britânico nunca engoliu a Declaração de Independência de 1776, e nunca suportou o caminho dos EUA rumo à hegemonia mundial. Foi por isso que os banqueiros ingleses, em 1913, patrocinaram o primeiro grande ataque terrorista contra as bases filosóficas do Estado norte-americano, com a criação do Federal Reserve, um banco central privado, criado na calada da noite, para controlar a política monetária nos EUA.

O segundo grande ataque patrocinado contra os EUA foi “terceirizado”. Aconteceu no dia 11 de setembro de 2001. A ousada ação terrorista, simbolicamente, marcou o fim da tolerância e da aliança econômica e política dos EUA com o Reino Unido. No primeiro momento, os controladores da City de Londres saíram vencedores. A edição do Patriot Act, pelo presidente George W. Bush, representou um ataque aos princípios sagrados de liberdade e direitos civis dos norte-americanos. È assim que os velhos galos adversários tentam destruir a América em suas bases ideológicas.

Agora, o terceiro ataque terrorista acontece no teatro de operações em que os ingleses são os galos-mestres há séculos: no mercado financeiro, nas bolsas de valores e na mídia econômica cujo conteúdo é controlado pelos investidores da City Londrina. Manipulando os instrumentos de mercado e os canais de informação de massa, os galos velhos induzem os desinformados norte-americanos ao desespero diante de uma crise que não tem o tamanho propagado pela mídia amestrada.

Em resumo: apesar da fama de devorador, em tese, pelo noticiário veiculado, o jovem galo norte-americano corre o risco. Tem tudo para ver sua soberania, independência e liberdade acabarem no “caldeirão do diabo”. Em tese, o jovem galo parece diante do caos. Na prática, apesar da desinformação, o núcleo monolítico de poder dos EUA (apesar dos ataques assimétricos) ainda tem como se defender, contra-atacar e virar o jogo.

Está em jogo o Poder Real Mundial. Os maiores inimigos norte-americanos são a falta de humildade, o excesso de auto-suficiência, uma crônica desinformação sobre o funcionamento do mundo fora dos EUA e a falta de costume na gestão de crises reais. Neste jogo pela hegemonia, os EUA precisam entender que as vaidades ensinam aos homens aquilo que gostariam de ser. O humor os consola por aquilo que são.

O fundamental é que os norte-americanos se informem corretamente. As aparências (políticas e econômicas) enganam muito. E de propósito! Por isso é melhor que levem a História mais a sério. Do contrário, podem virar motivo de piada. E piada inglesa, quase sempre, é muito sem graça. O Brasil, que é colonizado por eles desde 1822, que o diga...

Jorge Serrão, jornalista radialista e publicitário, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. http://www.alertatotal.blogspot.com e http://podcast.br.inter.net/podcast/alertatotal

5 comentários:

Anônimo disse...

Rapaz, fiquei aqui a imaginar, quem aqui no Brasil é, o galo velho, o galo novo, as galinhas, as duas galinhas preferidas, o fazendeiro e a mulher do fazendeiro. Juro que não tive coragem de escrever aqui o nome das figuras..ah ah ah..

Anônimo disse...

Folha de São Paulo.
São Paulo, sábado, 13 de setembro de 2008

Na UFBA, ficha de vestibular exclui raça branca
FERNANDA ODILLA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

A Universidade Federal da Bahia excluiu a opção "branco" do requerimento de inscrição para o vestibular. Disponível na internet, é possível selecionar no campo etnia somente "preto, pardo, aldeado (índio que vive em aldeia), índio-descendente, quilombola e outros".
Segundo o pró-reitor de graduação da UFBA, Maerbal Marinho, as etnias foram escolhidas de acordo com o sistema de cotas da universidade. Na hora da inscrição, o candidato já se identifica e se habilita, facilitando a distribuição das cotas.
Para Marinho, os brancos não foram excluídos da ficha de inscrição do vestibular da UFBA. "Outros é qualquer coisa que não seja preto ou pardo. Se a pessoa se declarar branca ou asiática ela está contemplada na categoria outros."
A ausência da opção "branco" chamou a atenção do professor Nelson Inocêncio, do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UnB (Universidade de Brasília). "Branco", "caucasiano" ou "anglo-saxão" normalmente são as primeiras opções de listas de etnias ou raça. "Não vejo como positivo excluir o branco. Brancos precisam se autodeclarar como brancos", avaliou o professor. Apesar de achar pouco usual, ele não encara a situação como "preconceito às avessas".
Para Inocêncio, muita gente se vê como branco no Brasil. "O que interessa é como a pessoa se vê e como ela se sente representada socialmente", diz.
Na UFBA, segundo o pró-reitor de graduação, 45% das vagas são destinadas a alunos das escolas públicas. Dessa parcela, 2% são para os chamados índios-descendentes, que não vivem em aldeias. Do restante, 80% são para negros e pardos.
Índios que vivem em aldeias e quilombolas têm direito a vagas especiais.

Anônimo disse...

E por falar em galo, este foi o primeiro despertador da terra criado por Deus para acordar Adão que estava gordo, preguiçoso e acordando muito tarde. Já cansado de ouvir as reclamações de Eva, Deus resolveu criá-lo, dai arranjou outro problema; as reclamações do galo, que era solitário, que estava monotono todo dia ter que dormir cedo para acordar cedo aquele boa vida e etc ... Deus já de saco cheio de novo, botou o galo pra dormir, tirou-lhe uma costela, e criou a galinha. Quando, o empenado acordou, e viu aquela belezura, partiu pra cima, mas como estava operado,com uma costela a menos, ficou rodando, com a asa do lado operado baixa, sem conseguir pegar a companheira. E até hoje ele é assim. E para conseguir o que quer, tem que enganá-la ciscando e chamando para comer.
Quem estiver duvidando é só observar o galo em suas empreitadas, ou, mate um e conte suas costelas.

Anônimo disse...

Muitas dessas idéias (Tríade e Casas Reais que controlam o mundo há séculos)já tinham sido denunciadas há muito tempo por Lyndon La Rouche. Não conhecem? Pesquisem na Internet...

Anônimo disse...

Eu traduzirei o seu texto para repassá-lo para americanos.