quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Crise perceptível: bancos suspendem crédito ao consumidor, exportadores e grandes empresas no Brasil

Edição de Quarta-feira do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Jorge Serrão


Embora o chefão Lula da Silva tenha batraqueado ontem que o impacto da crise norte-americana seria praticamente “imperceptível” no Brasil, os brasileiros viciados em crédito terão problemas para arrumar dinheiro com a mesma facilidade dos últimos seis anos. Os pequenos bancos e financeiras daqui suspenderam operações de crédito por não terem dinheiro para emprestar.

O agravamento da crise de liquidez e solvência no sistema financeiro internacional suspendeu as operações de empréstimo sindicalizado (com a participação de vários bancos) para empresas brasileiras. Mais de US$ 12 bilhões em operações abertas foram afetadas. Bancos estrangeiros preferem esperar a poeira baixar antes de se comprometer com novos empréstimos.

A fonte dos grandes bancos secou para os bancos menores por causa dos problemas externos. Os bancos lá fora agora precisam de mais capital para manter seus ativos. A procura desesperada por grana de verdade provocou um extraordinário aperto global de liquidez. A taxa interbancária de Londres (Libor) para empréstimos no overnight dobrou de 3,33% para 6,44%. Foi o maior salto em um dia em sete anos.

Com a falta de dinheiro fácil para empréstimos, além dos pequenos tomadores, a situação se torna mais desconfortável para grandes empresas brasileiras. As primeiras afetadas são as companhias de capital nacional que ganharam as licitações para a construção de navios-sonda de perfuração de petróleo e plataformas semi-submersíveis já licitadas pela Petrobras. A linha de crédito para elas secou lá fora. O BNDES terá de salvá-las.

A crise nos mercados já é realidade aqui de forma bem perceptível (embora Lula não reconheça). Os investidores em fundos “blue chips” da Vale e Petrobras que o digam. No ano, só até o dia 12, essas carteiras perderam respectivamente, 28,79% e 23%. Os negócios com papéis das duas gigantes já representam quase metade do patrimônio total dos fundos de ações no varejo. Em vez de deixar o Brasil, os investidores externos (na verdade, especuladores) migram da bolsa de valores e se refugiam em títulos públicos. Assim que a situação melhorar no mercado acionário, eles voltam.

No comércio exterior, os exportadores brasileiros são beneficiados e prejudicados pela crise. No primeiro momento, ganham com a valorização do dólar frente ao real. No segundo momento, perdem dinheiro em médio prazo. As cotações das principais commodities agrícolas negociadas no mercado internacional (milho, trigo e soja) registram fortes tendências de quedas. O Brasil deve ficar muito atento porque os papéis dos mercados emergentes estão entre os primeiros vendidos por investidores diante do colapso do banco de investimento americano Lehman Brothers por temores de uma desaceleração no crescimento mundial e aumento da tensão no sistema financeiro global.

Lula insiste que a economia brasileira será protegida pelo crescimento do mercado interno (fomentado justamente pelo crédito que fica agora mais caro e difícil).O real segue uma queda. Até ontem, perdeu cerca de 7% de seu valor desde o começo de agosto. O Tesouro Nacional se vangloria de ter acumulado, para uma possível emergência, quantia estimada entre R$ 100 bilhões e R$ 165 bilhões. Segundo a retórica da equipe econômica, a grana seria suficiente para cobrir de três a cinco meses de vencimento das dívidas interna e externa.

Os mercados de títulos da Argentina foram devastados ontem, à medida que o risco de crédito atingia as maiores altas em meio a uma súbita onda de aversão a risco. A reação adversa foi sentida também nos papéis da dívida da Venezuela. Hugo Chavez sentirá a forte deterioração do preço do petróleo, que ontem caiu para US$ 89 o barril em Londres. O mercado de ações da Rússia sofreu sua maior queda em um único dia desde a crise financeira de 1998. O da Ucrânia despencou 14%. No mercado de moedas, o won sul-coreano registrou sua maior queda em uma década, tendo sua maior desvalorização frente ao dólar em quatro meses.

A crise ontem deu uma acalmada depois da decisão do banco central americano de manter as taxas de juros do país em 2% ao ano, notícias de compra de parte dos ativos do banco Lehman Brothers e expectativa de um empréstimo do governo americano para a seguradora AIG e novas injeções de recursos dos bancos centrais dos Estados Unidos e Europa. O banco britânico Barclays concluiu ontem a operação de compra de algumas operações do Lehmam Brothers por US$ 2 bilhões. Os detalhes do avanço inglês sobre o sistema bancário norte-americano serão conhecidos hoje.

O Federal Reserve decidiu injetar US$ 85 bilhões para salvar a American International Group (AIG), a maior seguradora dos Estados Unidos e a terceira do mundo, atrás da holandesa ING e da alemã Allianz. Em troca, o FED de Nova York ficará com 80% das ações da empresa – que tem US$ 1,06 trilhão de ativos. A estatização foi o caminho escolhido após tentativas de tranferir a AIG para o Goldmam Sachs ou o JP Morgan. No Brasil, o Unibanco AIG é a quarta maior seguradora do país com 600 mil clientes de planos de previdência e três milhões de apólices de seguro de vida. O presidente da Unibanco AIG Vida e Previdência, José Rudge, já avisou que, caso a matriz americana da AIG não consiga se recuperar financeiramente e tenha de se desfazer dos ativos no país, o Unibanco deverá adquirir sua participação na empresa.

Os maiores bancos centrais injetaram US$ 375 bilhões para conter os efeitos da crise que afetou grandes companhias do Wall Street. O objetivo do socorro é dar aos bancos condições de honrar compromissos e manter o crédito, evitando uma seqüência de quebras das instituições. O Banco Central Europeu despejou mais de US$ 120 bilhões. O Federal Reserve, dos EUA, US$ 155 bilhões. Os bancos centrais de EUA, Europa e Ásia injetaram um total de US$ 229,8 bilhões no sistema financeiro na terça-feira, um dia após as bolsas mundiais terem perdido US$ 1,361 trilhão em valor de mercado (soma do valor de todas as ações das empresas com capital aberto), ou 3,05% do que valiam na véspera.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 17 de Setembro de 2008.

9 comentários:

Anônimo disse...

O presiMente ontem disse que a "tábua de salvação" é o consumo interno.

Como o consumidor interno tivesse capacidade de absorver o excedente das exportações que, com a crise externa, diminuirão.

O resultado da diminuição das exportações será um "break" na produção, inclusive para que não haja sobra e baixa de preços.

Portanto, se a "tábua de salvação" do presiMente é o consumo interno, de uma população que já está devidamente saturada de dívidas, graças ao crédito escancarado (outro problema à vista), então ele que embarque nessa "tábua" sozinho pq a canoa Brasil, nesta crise, a depender do consumo interno, está furada.

Anônimo disse...

E agora Mulão? Na prática a teoria é outra, ao povo brasileiro voce engana com suas mentiras e ajuda da grande midia vendida, mas voce não engana a realidade, pode botar o Mantega e não Mântega para vociferar que não adianta, essa realidade voce não conseguira transformar em mentira, até hoje só teve sorte com o cenário externo, quero ver agora seu Mulão?E tome pinga..

Anônimo disse...

Tava fazendo graça, ajudando com dinheiro do contribuinte, paises da áfrica, Bolivia e perduando dívidas de outros, esquerdista de araque, voce compra a barriga dos miséravei brasileiros mas não compra a conciência do nosso povo, voce foi sempre um engodo, quem não te conhecia é que te comprou.

Esperança disse...

Não há problema nenhum.
Segundo Lula, Henrique Meirelles e Guido Mantega está tudo bem. Não sei com o quê vcs estão se preocupando?
Quase ia me esquecendo: para a militonta petista também está tudo bem. Lula é maravilhoso.

Anônimo disse...

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17-09-2008 - 12h05

População entrega relatório e denuncia interferência de ONGs

Da Redação




Após o relato dos moradores aos parlamentares na reunião na sede da associação de moradores do distrito de Surumu, foi apresentado um relatório contendo os últimos episódios em que a população classifica como ação parcial da Polícia Federal e dos membros da Força Nacional na apuração de denuncias formulada por indígenas ligados ao CIR, e pediram providências urgentes do senador e que sejam encaminhadas á comissão de direitos humanos da Assembléia Legislativa para as devidas providências.

No relato consta que apenas é fiscalizada a entrada dos moradores, indígenas ligados ao CIR, padres e missionários da igreja católica têm acesso livre a hora que necessitarem na localidade sem nenhuma revista, o que não acontece com os moradores ao passarem por uma minuciosa vistorias de seus pertences e objetos pessoais.

Estrangeiros

Outra ação denunciada pelos moradores é a interferência de estrangeiros que visitam constantemente a região a serviço das ong’s Pptal, Greenpeace, Friends of the heart, Wwf e Cafod, com a finalidade de fomentar e acirrar o clima entre os indígenas que integram o CIR, para que realizem manifestações constantes para pressionar o governo federal para a exclusão das famílias e indígenas que não são aliados ao CIR.

Os parlamentares se comprometeram a buscar todos os meios legais para inibir qualquer afronto á ordem pública, e lembraram que a decisão ainda não foi julgada em sua totalidade, portanto é necessária a aplicação igualitária das leis a todos os que estão presentes na região, sem nenhuma manifestação de apoio a qualquer grupo contrário ou a favor deste processo demarcatório.







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Anônimo disse...

Ta fora do contexto da manchete, mas não podemos deixar de externar o que vem acontecendo em Roraima, blogs como o de Serrão, trem nos dado espaço, sem por nem colocar nada, gracias.
E so para relembrar nossos amogos europeus, vai aqui..

E olhando junto de si um cofre cheio de ouro e jóias, lhes disse: "Eis aqui o Deus dos espanhóis"

BRAGA disse...

Pois é Serrão.
Sempre disse que o país que o Lula vive não é o que eu vivo.
Não sou e nem precisaria ser economista para saber que o "pipoco" lá fora irá "emerdalhar" a nossa pindorama!
Como disse um dos leitores acima, se as exportações caírem, basta diminuir a produção (com muito desemprego) mantendo-se os preços internos bem "salgados", pois os exportadores não querem perder os seus lucros!
Resultado? Como diria Nelson Rodrigues, "qualquer cretino pode deduzir".
Não sou pessimista, sou realista.
Vamos nos fu...! Se é que já não estamos.
O pior é que os grandões têm muito mais a perder, pois nós nada temos, a não ser dívidas e a rapinagem que o desgoverno pratica contra nós.
Brasil, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
Chega a dar "saudades" do tempo do "Brasil, ame-o ou deixe-o".

Anônimo disse...

Serrão



Hará omi ainda neçe pais?

PS -hara não é verbo
- omi não é nada
-eçepaís
noneqziste mais


http://www.diadofico.com.br/

Kozel® disse...

Será que chegou a hora da bolha estourar?

Em véspera de eleições isso seria uma lástima pro Apedeuta e seu crescente número de aliados.
Eles farão de tudo pra passar a sensação de tranqüilidade ao povão...
Qual o banco brasileiro q tem 650 mi lá fora,hein Serrão?
abs