sábado, 6 de setembro de 2008

Você já foi a Roraima?

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Por Maria Lucia Barbosa


Enquanto o escândalo que envolve espionagem do presidente do STF e de altas figuras da República, espera para ser suplantado pelo da semana seguinte, a conflituosa questão da Reserva Raposa Serra do Sol deixou de freqüentar os noticiários. Espera-se pela decisão do STF para saber se apenas alguns poucos índios poderão ficar sobre uma imensa área de Roraima enquanto rizicultores serão expulsos.

Também no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina o governo que agraciar índios aculturados que hoje preferem um Pajero ao Pajé, com vastidões territoriais. Isso sem falar nos quilombolas, ou seja, aqueles que se dizem descendentes dos escravos e que também terão sua vingança contra o branco mau.

Parece que um frenesi de redenção populista acometeu o governo Lula. Todas as “dívidas” históricas devem ser pagas, inclusive, a países latino-americanos. Para a Bolívia, onde habita um povo sofrido e governa um companheiro com o charme politicamente correto da descendência indígena, o governo Lula doou instalações da Petrobrás com prejuízo de um bilhão e quinhentos milhões de dólares para o Brasil. Muito também já foi doado a países africanos e agora se prepara a doação de Itaipu para o presidente, ex-bispo e companheiro Fernando Lugo.

Recordemos que nas colônias da América Espanhola, por volta de 1771, o mestiço denominado crioulo, meio espanhol, meio índio, ao mesmo tempo dominado e discriminado pelo europeu que lhe negava acesso às esferas mais altas do poder, e dominador e discriminador em relação ao “mau selvagem”, descarregou sobre este seu complexo de inferioridade.

A partir de 1810, porém, quando se inicia o processo de independência das colônias hispânicas, uma ideologia inversa à que existia fez com que os crioulos de declarassem “índios de honra”. Emergiu o “bom selvagem” que passou a ser cantado em verso e prosa.

No Brasil não havia as civilizações adiantadas dos Astecas, dos Maias, dos Incas e nossos índios se encontravam no nível pré-histórico. Hoje devem restar poucas tribos em estado primitivo, mas, mesmo assim, parece haver um propósito da parte do governo Lula de exaltar o mito do “bom selvagem”. De novo a velha tática de dividir para governar que joga negros contra brancos, pobres contra ricos e agora índios contra “não índios”, termo que é mais uma pérola da língua petês.

Muito a propósito, um amigo virtual, Gilberto, de Curitiba, me perguntou: “Você já foi a Roraima”? Disse-lhe que não e ele seguiu pelo e-mail dizendo:

“Eu já fui, na década de 70, quando esses arrozeiros estavam desbravando aquela região sem estradas, sem médicos, sem comunicações”.

“Sobrevoei a região até a fronteira da Venezuela”. “Dava medo”. “Estávamos em um monomotor e eu sabia que se tivéssemos uma pane, desceríamos em um ermo onde ninguém nos acharia antes de sermos comidos pelas feras ou pelos mosquitos”.

“Foi ali que os arrozeiros se estabeleceram. Pacificamente, sem matar um só índio, até porque sobra terra para pouco índio (menos de um por quilômetro quadrado).

“Esse pioneiros, se fossem do MST, teriam toda proteção do governo petista porque seriam sem-terra ocupando uma área abandonada, de acordo com o direito de posse garantido pela Constituição”.

“Mas eles não são do MST”. “Não vivem sustentados pelas bolsas-esmolas nem comem o que lhes é enviado pelo governo em cestas básicas”. “Os arrozeiros prosperam com seu trabalho e sua coragem, o que é um crime aos olhos da esquerda”.

“Então, devem ser expulsos para em seu lugar virem os índios que nada farão com aquela terra, exceto vender seus recursos para quadrilhas de brancos e comprar caminhonetes importadas, como tem acontecido em todas as reservas indígenas”.

“Outro dia assisti a um documentário sobre esse caso e achei muito emblemática uma passagem: depois de um monte de asneiras de antropólogos sobre a preservação da ‘cultura indígena’, o documentário passou a mostrar um bando de índios entrando num barco a motor e se embrenhado pela floresta para caçar macacos”. “Sim, matar macacos para comer faz parte da ‘cultura indígena”.

“Mas como aqueles índios caçaram”? “Caçaram com espingardas modernas que não davam a mínima chance aos nossos pobres primos arborícolas”. “Ao final, voltaram no mesmo barco a motor e, chegando à maloca, o chefe do bando disse: ‘agora, de acordo com nossa cultura, vamos fazer sopa de macaco”.

“Que lindo, é preciso preservar isso, uma atividade tipicamente indígena, herdada de ancestrais milenares: barco a motor e caça com espingarda”.

“Agora imagine se os luminares do PT resolverem restaurar as culturas indígenas destruídas pelo branco no Brasil?” “Uma das primeiras coisas que retornará será o canibalismo praticado pelos tupinambás. E se os mexicanos, seguindo o exemplo, resolverem restaurar a antiga cultura asteca, haja coração, no sentido mais lato da expressão”.

Será, pergunto, que os petistas sonham em restaurar o comunismo tribal em pleno século 21?

Duvido, eles adoram as delícias do capitalismo. E os índios também.

Maria Lucia é socióloga, professora, escritora.

6 comentários:

Anônimo disse...

Me emociona quando felismente alguém de tão longe fala alguma verdade sobre Roraima, ai ve-se logo que tem boa formação. Professora, Boa Vista, antigo Rio Branco (mudou de nome por causa da capital acreana) era municipio do Amazonas, isolada de tudo, transporte só mesmo aéreo (os catalinas e os C-47 do CAN. Correio Aereo Nacional-FAB) e por meio de embarcações de médio porte que navegavam só no periodo do inverno até nossa capital, porque o rio branco que margeia nossa cidade, só é navegavel nesse periodo, nosso rio, apesar de ser largo é muito raso , fato que não permite navegação durante o verão, então nesse quadro de quase isolamento, pioneiros, abraçaram essa região tão distante e a fizeram prosperar, a maioria deles já perderam sua fazendas que exportavam gado para o Amazona (hoje nosso rebanho que já foi maior que o de Rondõnia esta reduzido), e morreram de desgosto por ver suas terras invadidas, seu gado roubado, seu curral queimado e as águas de seus igarapés invenenadas. Seus descendentes também estão sendo expulsos como se bandidos fossem, os produtores rurais, grandes e pequenos que adiquiriram terras com posse de mais de 100 anos também estão sendo expulsos, pessoas que vinherem para Roraima, incentivada pelo governo federal, através do Projeto Rondon, INTREGAR PARA NÃO ENTREGAR, também estão sendo expulsas, é o Brasil (governo federal) contra Roraima, contra os municipios de Pacaraima, Normandia e Uiramutã, o que o ministro falou no seu relatório sobre o dinheiro que vem para nosso Estado, deve ter incluído o que é mandado para os índios, que em questão da saúde é o triplo do vem para a população não india, some-se ai mais de 32 mil índios que vivem na periféria de boa vista que utilizam a saude plublica. É preciso rever os números que o ministro falou, aliás, é preciso rever seu relatório todo, precisamos nos defender, somos Brasil também, tenho certeza que nossas autoridades sabem da verdade, sabe das áreas fictícias onde foram expandidas malocas só para efeito de demarcação, sabem que mentem sobre nós, mentem com a cara de paú dos traidores de sangue frio.

Anônimo disse...

Tavendo aí? Divisão é isso. Poder totalitário é isso. O governo central impõe o que quer e ameaça os que defendem seu território. Os primitivos habitantes do Brasil, há séculos vêm se misturando com brancos e negros. A miscigenação é uma realidade inegável.Querer agora separar etnias é um insulto à inteligência. Os que ainda restam sem contato com a "civilização" são tão poucos e desamparados que não estariam jamais viajando pela Europa, Estados Unidos, falando inglês, rezando em inglês, usando computadores, parabólicas... São bem diferentes dos que se vestem e utilizam produtos industrializados, como armas de caça.
A divisão racista que e estes entregistas do governo promovem, à distância e na linguagem gongórica dos decretos é pouco percebida e entendida pelos nacionais atolados na desinformação e na ignorância.

Anônimo disse...

Ouvir falar em MST me da náuseas, vontade de vomitar, gente desocupada, agresiva, invejosa e financiada pelo governo federal com o dinheiro do contribuiente. Hoje estudar esta ai para quem quiser, essa gente não quer, querem dinheiro fácil e destruir propiedades de quem tem competência para trabalhar, falta ordem nesse país, falta moral, falta vergonha, os analfabetos e os semi-analfabetos estão por ai, por toda parte, se achando os tais, porque o pinguço também é um deles, agridem todos, em sua ignorância e de mal humor acham que estão ceros, acima das leis as quais não conhecem, e nem sabem que ignorar as leis não os isenta dos crimes, é isso ai, um retrato do Brasil que o PT esta criando, um Brasil AVACALHADO, de um sub- solo tão rico mais com um povo de espirito pobre.

Anônimo disse...

Prezada Maria Lucia,

Adoro seus artigos mas, como leiga, se vc me permite e se o Jorge Serrão não me censurar, pretendo resumir, sintetizar o espírto, a alma, do seu artigo e do sentimento que ronda esse país, assim :
Creio que assim como VOCÊ, eu, e quase a metade dos seres, ainda lúcidos e ainda vivos deste país, NÓS estamos de SACO CHEIO desse desgoverno-POP.

Anônimo disse...

Eu já, principalmente nasci e vivo em Roraima, e espero que num futuro bem próximo, nosso Estado, não seja como a Itabira de Drummond, "apenas um quadro pendurado na parede", mais como dói, disse ele.

Anônimo disse...

Eldorado divinal, ambição que seduz, cara de pau esse Cabral, que trouxe Coimbra e sua cruz.
Ma contra mão da história, pioneiro agora pe réu, trás pra cá esse ouro que eu te darei o céu, vossa santidade precisa luxar e o brasileiro estrebuchar.