quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Rapidinhas Econômicas

Edição Quarta-feira do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Jorge Serrão

O dinheiro sumiu

Circulava ontem na boca de siri do mercado financeiro que o Banco Central teria enxugado do mercado nada menos que R$ 1 bilhão de reais.

A falta real de dinheiro teria sido a principal causa para a queda da cotação do dólar neste começo de ano.

Portanto, não tem tanto milagre a surpreendente depreciação de 6,12% da moeda norte-americana frente ao Real.

Dura pouco?

Ontem, o dólar fechou em queda pelo terceiro pregão seguido a R$ 2,18.

Foi a menor cotação desde o dia 7 de novembro de 2008, quando o dólar chegou a R$ 2,16.

Mas as águias do mercado financeiro apostam que tal situação de dólar em baixa não vai durar muito tempo.

Me dá um dinheiro aí...

O Brasil captou ontem US$ 1 bilhão de dólares no mercado internacional com a emissão de bônus global de 10 anos.

O Tesouro Nacional informou que essa foi a primeira operação externa do País desde maio do ano passado.

Os títulos vendidos nos mercados europeu e norte-americano saíram a 98,135 por cento do valor de face, com cupon de 5,875 por cento, e o rendimento garantido ao investidor (yield) de 6,127 por cento.

O spread ficou em 370 pontos-básicos sobre os Treasuries correspondentes.

Ataque ao Meirelles?

O vice-presidente da República, José Alencar, reclamou ontem que a decisão de reduzir ou aumentar os juros deve ser política e não técnica.

Alencar prega que o ideal seria que o governo federal desse uma ordem ao Banco Central para mudar a linha da atual política monetária.

O problema é que Lula só pode falar mal de Meirelles nos bastidores, mas não tem como interferir na “relativa” independência do BC.

Estrela de Davos

O presidente Henrique Meirelles vai debater “os rumos do dólar dos Estados Unidos” no Fórum Mundial de Economia, no próximo dia 27, em Davos.

Quem também deve dar uma passadinha lá nos Alpes Suíços é o chefão Lula da Silva.

Ele não vai perder o encontro anual da elite econômica e política global – onde presidentes e chefes de Estado recebem as ordens e diretrizes dos clubes de poder que mandam no mundo de verdade.

Nem a Flora faria isso...

O Ministério Público Federal anda na maior bronca com o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), que foi o relator do projeto de lei 3.937/04 que reformula o Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência.

Ciro não ligou para os apelos do MPF que teve suas atribuições esvaziadas junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

No MPF, tem gente ironizando que nem a malvada Flora seria tão insensível e omissa como o foi Ciro Gomes.

Apedeutite dolosa

O artigo 127 da Constituição assegura ao MPF a defesa dos interesses sociais e individuais indisponíveis.

Só que os formuladores do novo projeto da SBDC ignoram, solenemente, tal princípio constitucional.

A ignorância proposital (doença conhecida como “apedeutite dolosa”) é a mesma que pratica o golpismo de interpretar a Constituição conforme as conveniência do grupo de poder hegemônico.

Autor da sabotagem

O projeto do SBDC aprovado na Câmara - e que será analisado pelo Senado depois do recesso – estabelece que o MPF só emitirá parecer nos processos administrativos para imposição de sanção por infração à ordem econômica.

Atualmente, o MPF oficia em todos os processos e procedimentos do SPDC.

A proposta de restringir a ação do MPF foi uma manobra política do próprio governo Lula, que até agora não revelou por que tem medo do MPF no Cade?

Vai fundo, Moreira...

O Fundo de Investimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço terá de investir R$ 840 milhões nas compras de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).

O FI-FGTS terá R$ 7,1 bilhões de disponibilidades para investimentos em 2008.

Quem cuida do assunto é o vice-presidente de Fundos de Governo e de Loterias da Caixa, Wellington Moreira Franco – aquele maoísta do passado, que é figura fortíssima do PMDB e foi governador do Rio de Janeiro.

Conselheiro Delfim

Uma prova inequívoca de que falta mesmo grana no mercado.

O conselheiro de Lula para assuntos econômicos, Delfim Netto, defende um aumento de capital do sistema financeiro para evitar os efeitos da atual crise.

Delfim adverte em seus artigos publicados em vários jornais que as instituições financeiras tentarão ajustar a sua alavancagem (relação entre capital próprio e responsabilidade) promovendo três aumentos:

De seu capital, das tarifas e dos juros.

Os perigos

Delfim adverte que a redução de crédito produzirá uma queda do consumo e do investimento privado.

Avisa que, no curto prazo, o racionamento do crédito promoverá um aumento da taxa de juros na ponta final, independentemente da taxa selic que apenas continuará a aumentar os gastos públicos com juros que poderiam ser dirigidos ao investimento.

Delfim também chama a atenção que o valor da redução do crédito é dez vezes maior do que a perda do capital de uma instituição financeira.

Grande temor

A grande questão é: como a crise vai se refletir no emprego aqui no Brasil, já que as conseqüências do desemprego são diretas para o crédito, por causa da perda de renda da população.

Quem faz tal alerta é a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento.

A Acrefi depende muito do crédito para o setor automobilístico – que é diretamente afetado pela crise nos EUA.

Marolinha

A produção industrial brasileira em novembro caiu 5,2% ante outubro, o maior recuo apontado pelo IBGE desde 1995, resultado direto da crise internacional.

Para o IBGE, os resultados mostram que a crise é mais intensa nas áreas de bens duráveis e intermediários, mas está se espalhando por outros setores.

A atividade do setor de veículos, por exemplo, diminuiu 22,6%.
Comparando-se a novembro de 2007, a queda geral foi de 6,2%, a maior acentuada em sete anos.

Marolinha 2

O recuo nos preços mundiais das commodities agropecuárias e a estagnação na demanda global por alimentos devem reduzir neste ano em até 23% as exportações do agronegócio brasileiro, que sustentou o superávit comercial na última década.

No cenário mais provável, o setor deve gerar este ano uma receita de US$ 57 bilhões no exterior.

É o que indicam estudos da Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura.

Previsão

Em 2008, as vendas do agronegócio fecharam em US$ 71 bilhões.

Devem crescer as quantidades exportadas de soja, açúcar e etanol.

Mas as vendas de produtos florestais e carnes devem diminuir.

Marolinha 3

No ano passado, os saques nos fundos de investimento superaram as aplicações em R$ 46,2 bilhões.

Em rentabilidade, o desempenho do setor ficou muito abaixo dos anos anteriores.

A queda de 41 % da bolsa e valorização de 32% do dólar afetaram especialmente os fundos multimercados, que tiveram resgates superiores a R$ 43 bilhões.

Mega-preju

Houve a primeira redução de patrimônio dos fundos nos últimos sete anos.

Eles fecharam o exercício com R$ l,199 trilhão em ativos, ante R$ 1,201 trilhão em 2007.

Na média, o retorno dos fundos foi de 3,57%, ante 16,37% em 2007.

Fusões e Aquisições

Para quem tem sobrando ou bem administrado, a crise é uma excelente época para se ganhar ainda mais dinheiro.

A Thompson Reuters Markets informa que o Brasil registrou um recorde histórico de fusões e aquisições no ano passado.

O volume das 104 transações de maior peso anunciadas foi de US$ 95,343 bilhões.

Muito mais alto que os US$ 58,7 bilhões do ano de 2007.

Os líderes

O Credit Suisse, com 43 operações, liderou o ranking brasileiro em fusões e aquisições em 2008, movimentando US$ 38,2 bilhões.

Foi seguido pelo Banco Itaú Holding Financeira, com 16 operações, que ganhou fôlego com a fusão Unibanco-Itaú e mexeu com US$ 34,19 bilhões.

O Citi vem logo em terceiro, com 22 operações e US$ 28,86 bilhões.

O Rothschild aparece em quatro lugar, com US$ 26,87 bilhões movidos em 15 operações.

O Goldman Sachs & Co, que é o líder mundial em fusões e aquisições, aparece em quinto lugar no mercado brasileiro, com US$ 21,68 bilhões movimentados em 8 operações.

City de Londres sob tensão

Detentora secular do status de centro financeiro internacional, a City de Londres e seus banqueiros andam enlouquecidos com as autoridades financeiras inglesas.

A Autoridade dos Serviços Financeiros, órgão regulador dos mercados no Reino Unido, exige que os maiores bancos forneçam relatórios semanais sobre risco e desempenho.

Antes da crise do crédito global, os relatórios eram mensais ou até trimestrais.

Os ingleses já foram obrigados a estatizar dois bancos e a prometer uma injeção de 500 bilhões de libras para evitar naufrágios no setor financeiro.

Chávez numa fria?

Os norte-americanos pobres já têm um motivo para ficar na bronca com o Chapolin Colorado Hugo Chávez.

A PDVSA da Venezuela, através de sua subsidiária Citgo, suspendeu o fornecimento gratuito de combustível de calefação para a pobrada dos EUA, em pleno inverno.

A turma de Chávez atribuiu o corte à forte redução no preço do petróleo, o que obrigou a Venezuela a reavaliar seus programas de assistência...

Bolsa na praia

A partir da próxima sexta-feira, dia 9, equipes da BM&FBovespa percorrerão os principais pontos turísticos do litoral brasileiro para divulgar informações sobre o mercado de capitais e de derivativos à população.

Trata-se de uma das ações do programa de popularização da Bolsa, o "BMF&Bovespa Vai à Praia".

Este mês, o alvo da ação serão cinco praias dos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Ceará.

Câncer dos impostos

O Instituto nacional do Câncer não terá mais de pagar ICMS sobre a importação de produtos.

O Supremo Tribunal Federal concedeu uma liminar ao Inca para impedir que o Estado do Rio de Janeiro cometa tal impostura.

A cobrança do imposto fica suspensa até o julgamento final da ação.

Crise mortal

O quinto homem mais rico da Alemanha, dono de US$ 9,2 bilhões, decidiu se atirar na frente de um trem.

O empresário Adolf Merckle, de 74 anos, resolveu se matar porque não suportou a perda de US$ 1,35 bilhão na queda das ações da Volkswagen – que teve seu controle acionário assumido pela Porche.

Imagina se todo empresário em situação desesperadora adotar a mesma postura fatal diante da crise.

Vida que segue...

Ave atque vale!

Fiquem com Deus!

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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 07 de Janeiro de 2009.

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