quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Rapidinhas Econômicas

Edição Quinta-feira do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Jorge Serrão

Nos trilhos

O Banco de Tóquio-Mitsubishi UFJ e o Banco do Japão para Cooperação Internacional (JBIC, na sigla em inglês) assinaram em 25 de dezembro um projeto de financiamento de 250 milhões de dólares com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O JBIC vai repassar US$ 150 milhões de dólares, enquanto o Banco de Tóquio responderá pelos outros US$ 100 milhões de dólares.

A parcela de recursos do Tóquio-Mitsubishi UFJ será garantida pelo JBIC.

Bom uso

Oficialmente, os recursos serão usados para desenvolver uma rede ferroviária de carga no Brasil.

Em 2005 o BNDES pegou um empréstimo de 300 milhões de dólares, com prazo de 10 anos, com o JBIC e outros 200 milhões de dólares, pelo mesmo período, com o Banco de Tóquio-Mitsubishi UFJ para desenvolver projetos de infra-estrutura.

A graninha de agora será muito bem vinda, na véspera de 2010, quando muita campanha eleitoral precisa entrar nos trilhos, antes que descarrile...

Quase acertado...

A rede oficial de boatos informa que o Banco do Brasil e o grupo Votorantim conseguiram chegar a um acerto para que o BB compre uma fatia minoritária do banco da família Ermírio de Moraes.

Oficialmente, dizia-se que os dois lados discordavam do preço a ser pago e não chegavam a mecanismos de governança que garantissem poderes ao banco comandado pelos sindicalistas petistas.

Na verdade, o BB quer assumir uma fatia de 49% no capital do Banco Votorantim e deseja ter o controle compartilhado da instituição.

Perdas internacionais

Pela primeira vez em todo o governo Lula, o país registrou maior saída do que ingresso de dólares.

A fuga de dólares do Brasil em operações financeiras no ano passado foi de US$ 48,9 bilhões, segundo o Banco Central – o equivalente a 25% das reservas do país em moeda estrangeira (US$ 193,5 bilhões).

O aumento de remessas de lucros de transnacionais e os resgates de investidores no mercado contribuíram para o resultado negativo de US$ 983 milhões em 2008.

A última vez que isso aconteceu foi em 2002, com US$ 12,989 bilhões.

Marolinha

Até setembro, o fluxo de dinheiro estrangeiro estava positivo em US$ 17,2 bilhões.

No último trimestre, com a crise global e o aumento do nervosismo nos mercados internacionais, esse movimento se inverteu.

Ao contrário do que ocorreu nos últimos anos, a balança comercial não ajudou a compensar a fuga de dólares.

Com a dificuldade dos exportadores para conseguir financiar suas vendas, o volume de operações de comércio exterior caiu.

Onda de otimismo

A GM dará férias de 30 dias e licença de uma semana em São José dos Campos (SP).

Os 5.200 metalúrgicos de sua fábrica em Gravataí (RS), recém-chegados de férias coletivas, voltarão a parar no dia 19.

A Peugeot/Citroën, que dera férias até 5 de janeiro para 3.300 funcionários, decidiu manter em casa até março 700 deles.

Ainda bem que o chefão Lula é um otimista e nos assegura que está tudo bem no melhor dos Brasis possíveis...

O desafio é a nossa energia (para mentir)

Celebrada há dois anos pelo presidente Lula, a autossuficiência na produção de petróleo não resistiu ao aumento da demanda em 2008.

Até novembro, o Brasil importou 243,5 milhões de barris e exportou 221,9 milhões, segundo a Agência nacional de Petróleo.

A Petrobrás insiste em discordar dos números da ANP, para manter a farsa marketeira da autossuficiência.

A Petrobras jura que houve um aumento no saldo médio entre produção e consumo internos, que passou de 62 mil barris/dia em 2007 para 105 mil no ano passado

Rombo negro

O problema do Brasil é que importamos óleo leve (mais caro) e exportamos o óleo pesado que produzimos aqui (mais barato).

A diferença é que provoca um rombo na conta petróleo – que o governo (com a ajuda do bolso dos consumidores) ajuda a Petrobrás a segurar).

Mas a marketagem otimista leva todo mundo a crer que o óleo leve que será explorado no pré-sal vai transformar o Brasil numa Arábia sulista...

Chapolim preocupado

Na próxima segunda-feira, o chefão Lula estará em Caracas para uma rodada de análises sobre a crise, a convite do chapolim colorado Hugo Chávez.

A queda nos preços internacionais do barril de petróleo coloca a Venezuela em sérias dificuldades.

A Venezuela já deixa de pagar à Rússia, pela compra de aviões de caça, helicópteros e armamentos pesados.

Cousa russa por aqui

A Petrobrás vai reduzir o volume de gás importado da Bolívia.

O volume só não será inferior a 19 milhões de metros cúbicos, patamar acertado em contrato.

O governo optou pela geração de menor custo das usinas hidrelétricas, que operam em níveis elevados, substituindo o gás controlado pela turma da British Gas.

Deste jeito, os ingleses vão apostar suas fichas e dólares no candidato presidencial mais próximo da Comgas...

Jogo de cena

O Congresso se prepara para apreciar projeto de lei que prevê a liberação de áreas indígenas para mineradoras por licitação.

Um parecer da comissão especial da Câmara permite que os índios vetem concessões.

A Casa Civil teme que esses vetos prejudiquem projetos do governo.

Fala sério: os índios têm os mesmos acordos (por debaixo da oca) que a turma do governo tem com a Oligarquia Financeira Transnacional que comanda o setor de mineração no mundo, e ninguém vai atrapalhar qualquer negócio...

Tudo como dantes...

Depois de três baixas seguidas, o dólar comercial voltou a subir forte ontem.

Fechou em alta de 2,75%, a R$ 2,24.

No mercado acionário, passados seis dias consecutivos de valorização, que resultaram em uma alta acumulada de 16%, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recuou 3,54% a 40.813 pontos.

Tira e bota na poupança

A captação líquida da caderneta de poupança acumulada em 2008 chegou a R$ 17,6 bilhões.

O número foi 47,09% menor que os R$ 33,3 bilhões contabilizados em 2007, entre depósitos e retiradas.

Os números constam no relatório distribuído pelo Banco Central com dados das cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e da Poupança Rural, referentes a 2008.

Fuga

O relatório do BC mostra que a procura pela tradicional caderneta de poupança foi menor no ano passado.

A queda foi maior no segundo semestre, quando os juros aumentaram e motivaram a busca por outros ativos financeiros.

O estoque total é de R$ 270,441 bilhões em poupança em todo País.

Fundo de Amparo ao...

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Roberto Lupi, pretende evitar que a decisão da montadora Renault de deixar mil metalúrgicos em casa com parte dos salários pagos com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) se dissemine no setor industrial:

A preocupação é evitar que o FAT seja um fundo de amparo aos empresários”.

Lupi estima que a medida adotada pela montadora francesa deve ter um impacto de cerca de R$ 4 milhões nos recursos do FAT.

Tendência

O problema é que o artigo 476 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) prevê o uso dos recursos em condições especiais, para evitar demissões.

A holandesa Philips fechou acordo similar com 460 funcionários da fábrica de Manaus (AM) que prevê a suspensão dos contratos por três meses.

Os trabalhadores, que estavam em férias coletivas, não retornarão às atividades durante este período e receberão seguro-desemprego.

Vida que segue...

Ave atque vale!

Fiquem com Deus!

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Inteligente, inovador, fortemente analítico e propositivo, utilizando as mais modernas tecnologias para transmissão instantânea e eletrônica de informação privilegiada e análise estratégica, junto com a difusão de novos conhecimentos voltados para a construção e consolidação de novos valores humanos.

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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 08 de Janeiro de 2009.

Um comentário:

Anônimo disse...

LULLA IMITANDO OS GENERAIS!


A quem pensam enganar?
Carlos Chagas - Tribuna da Imprensa

BRASÍLIA – Nos idos do governo Garrastazu Médici, aquele do “milagre brasileiro”, era proibido divulgar que a inflação havia ultrapassado 12% ao ano. Implacável, a censura impunha o patamar máximo e quem o ultrapassasse era processado pela Lei de Segurança Nacional. O diabo era quando o cidadão comum ia à feira ou ao supermercado, porque os preços se multiplicavam. No início dos anos setenta, a inflação real encostava-se aos 40%, mas como seria preso por subversão quem protestasse, o remédio foi durante muito tempo aceitar os índices oficiais.

O tempo passou, a censura também, mas a moda pegou, ainda que mais sofisticada. Ninguém será processado e preso por contestar a informação do governo de que a inflação beira os 4%. Pelo contrário, a popularidade de Lula torna esse percentual verdade absoluta.

Só que tem um problema: quem faz compras toda semana sente a diferença. Do feijão ao tomate, da manteiga ao sabão, em um ano tudo dobrou de preço. Só os salários não sobem, depois da desindexação canhestra promovida desde o governo do sociólogo. Contestarão os economistas ser necessário tirar a média de tudo, porque, afinal, o uísque importado até caiu, assim como os perfumes franceses, os carros zero quilômetro e o caviar.

Estamos sendo enganados pelo governo dos trabalhadores, como fomos pelo governo dos generais. Claro que sem constrangimentos nem risco à nossa saúde, mas o resultado é o mesmo. Como idêntico parece o comportamento da mídia, exaltando os números fajutos dos detentores do poder. Apesar de tudo, prevalecerá a natureza das coisas, ou dos produtos à venda nas prateleiras.

Adonias Mangueira Fernandes
São Paulo