domingo, 25 de janeiro de 2009

Yes, they can! E nós?

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Jorge Serrão


Nenhum dos comentaristas econômicos ousa falar que estamos trabalhando para pagar os juros para os banqueiros e seus controladores da Oligarquia Financeira Transnacional reforçarem os próprios tesouros historicamente acumulados! Agora, numa jogada genial do desgoverno entreguista, o Tesouro Nacional vai torrar dinheiro público – criando uma nova forma de dívida em papéis - para “segurar a marolinha”.

É uma postura cínica usar o dinheiro do contribuinte para financiar transnacionais ou empresas locais ineficientes que conseguem manter, intacto, seu status quo graças à colaboração estatal. O cinismo é maior quando os prósperos ideólogos do partido político no poder usam o Estado para promover o socialismo com o capital alheio, sob o pretexto garantir uma pretensa geração de emprego. Eis a essência do Capimunismo promovido pelo Globalitarismo.

A bronca indignada do nosso articulista-apicultor Arlindo Montenegro (criador da expressão “capimunismo”) deveria servir de ferroada nas consciências de quem comete a ousadia de analisar a crise global. Não é fácil compreender uma conjuntura cheia de desinformação, volatilidade, insegurança, especulação, e quebradeiras seguidas de grandes negócios de oportunidade.

A mídia abestada e seus colunistas amestrados, em sua maioria, preferem chover no molhado da análise macroeconômica. Perdem muito tempo mostrando os efeitos da crise. Investem bem menos na explicação de suas origens e causas. Isso ocorre por comodismo ou por sacanagem? Pouco importa!

A crise ainda fará estragos inimagináveis. Afinal, continuam ativos seus componentes de gestão leniente, ganância desenfreada, equívocos governamentais, e um festival de mentiras ou omissões sobre problemas reais nas esferas pública e privada. Mudar tal cultura econômica é preciso. Só não é fácil. Os errados são reativos à mudança. Mesmo na bancarrota.

No momento em que o sistema político-econômico global demanda novos paradigmas, o desgoverno brasileiro e a oligarquia dirigente tupiniquim não dão sinais de que vão mudar as atitudes historicamente equivocadas que nos mantêm subdesenvolvidos. Por aqui, se aplica placebo, veneno ou overdose de remédio mal receitado para manter o paciente vivo ou tentar vitaminá-lo para a ilusória melhora que nunca vem.

Nossa mentalidade de colônia de exploração, mesmo com a roupagem pós-moderna, ajuda a manter uma Nação rica artificialmente na miséria. Por aqui, parece que temos horror a conceitos econômicos adequados à realidade brasileira. Seguimos modelos e idéias completamente “fora do lugar”. Funcionam lá fora, no primeiro mundo. Aqui, não!

Apenas porque quer, o Brasil é refém de um ortodoxo monetarismo que só enxerga o desenvolvimento pelo enfoque estritamente financeiro. Historicamente, nosso País nunca valorizou o trabalho. Salários dignos e boas condições laboriais são heresias. Não se investe em formação técnico-científico-humanística da mão de obra. Onde a Educação não é levada a sério, é inviável o desenvolvimento de uma mentalidade ciência & tecnologia.

O Brasil precisa aceitar a realidade objetiva de que “o capital se faz em casa, e se distribui em casa, conforme políticas regionais de desenvolvimento”. O Japão, que é um país pobre em recursos naturais e com ínfimo território, conseguiu isto. O Brasil não consegue porque não temos coragem de mudar e adotar o modelo econômico adequado a nossa realidade.

Já virou lugar comum definir o Brasil como o País do futuro que nunca chega. Teríamos de cuidar do desenvolvimento regional, elegendo as vocações locais e fazendo-as virar realidade. A administração pública precisa ser reinventada a partir da realidade municipal e de seus distritos ou bairros. Os investimentos públicos precisam ser transparentes, produtivos, objetivos, comprometidos com metas reais, palpáveis, possíveis de serem cobradas e fiscalizadas por qualquer cidadão.

No entanto, ao contrário, operamos na vanguarda do atraso político-administrativo. Não se parte, seriamente, para a criação de um mercado interno saudável, baseado na efetiva geração de renda pelo emprego. Aqui se prefere a especulação. Ganhar na produção parece pecado ou tarefa para tolos. Aposta-se no jogo sensual do crédito fácil. Os endividamentos fora de controle são conseqüências naturais. A economia cresce de maneira pífia, inconsistente.

Na hora da crise, tudo sai facilmente de controle. O efeito psicológico fala mais alto. Os problemas estruturais se multiplicam. Mais uma vez, operando conforme o modelo econômico equivocado, o desgoverno se transforma no grande enxugador de gelo. Logo tudo se derrete, e o resultado líquido é uma enxurrada de desemprego, improdutividade, calotes (propositais ou forçados) e muito endividamento. A marolinha inicial vira uma baita ressaca.

No meio da onda tsunâmica, no entanto, tem muitos tubarões oportunistas programados para engordar com o filé-mignon que encontra perdido pelo caminho. Junto dos predadores vão as rêmoras (uns peixinhos safados, com voracidade de maus políticos, que acompanham os tubarões, grudados neles, para pegar a rica sobra da carne devorada pelos predadores do mar). Tubarões e rêmoras (surfando na marolinha para se darem bem) são os arquétipos da Oligarquia Financeira Transacional e os políticos que fazem parceria com ela.

A crise global nada mais é que uma bruta freiada de arrumação. A elite global promove o rearranjo de sua geopolítica de poder econômico. Os “tubarões” se juntam em conglomerados cada vez maiores e mais fortes. Empresas se fundem para sobreviver mais poderosas. Adquirem outras mais fracas. Os oligopólios se consolidam, sob a desculpa de que é preciso “união para superar a crise”.

Pura conversa fiada. Na verdade, o Poder Real Mundial apenas se remodela plasticamente. Ganha novas feições para se tornar a mesma coisa. Só que gerencialmente mais refinada e centralizada. O poder se reafirma sobre os comandados que continuam os mesmos historicamente submissos e dependentes. O mundo global continua pendurado no mesmo fio de navalha. Mas seus controladores - que se equilibram, estrategicamente, como camaleões - têm um alvo certo.

O Poder Real Mundial pretende afetar os EUA em seus princípios monolíticos, inviabilizando sua capacidade de hegemonia. Agora em recessão, Os EUA têm poupança zero. Fabricam um déficit público da ordem de 10% do PIB. A tendência é de depreciação mundial do dólar. A Oligarquia global aposta numa cesta de moedas a serem oferecidas para que os países apliquem suas reservas – em vez do dólar. Num futuro nem muito distante, a tal “cesta” pode dar origem a uma nova “moeda única” – como é o sonho globalitário.

Em resumo: Não existe crise para quem está na ponta do Poder Global. Os pequenos grupos que controlam grandes nações parecem mais fortes a cada dia. Yes, they can! Os controladores dos financistas conseguem a hegemonia porque comandam quatro recursos básicos de poder: o dinheiro, a informação, o conhecimento e a organização. Detalhe: eles têm poder porque controlam o capital - o dinheiro convertido em poder.

O curioso é que, neste processo globalitário, manda quem pode (e controla o capital). Mas obedece quem não tem juízo sobre a realidade. Este parece ser o caso do Brasil, que cada vez mais se parece uma União Soviética light. Um capitalismo de Estado com verniz de intenções socialistas. Isto é igual a Capimunismo Tupiniquim.

Até quando seremos periferia subdesenvolvida, que aceita passivamente imposições econômicas, como mera colônia de exploração mantida artificialmente na miséria econômica pelos poderes globais que nos controlam? Roubando o slogan do Obama, quem precisa de mudanças somos nós, brasileiros.

Releia: Sim, eles podem; Armadilhas do Capimunismo; Estado Capimunista, coveiro da liberdade e Aprimoramento Institucional, já!

Jorge Serrão, jornalista radialista e publicitário, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. http://www.alertatotal.blogspot.com

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 25 de Janeiro de 2009.

6 comentários:

Anônimo disse...

Uma educação suficiente apontaria a ação continuada dos grupos da sociedade para exigir a transparência político administrativa. É porisso que a grande ferramenta de educação que eles escolheram - a televisão - amedronta falando de crimes e embala mostrando fantasias das mil e uma noites.
É isto aí Serrão! Mais uma das vozes que clamam no deserto!

Anônimo disse...

É!!! grande Serrão. Sua matéria é excelente. Deveria ser debetida em salas de aulas. Enquanto agente ficar dizendo pros nossos filhos aquelas mentiras que nos ensinaram, nunca eles condições de entender a importancia do saber para crescer, ser cidadão que sabe entender a "maldade" do Estado e a ganancia dos poderes que agem nos subtetrraneos dele, nunca teremos consciencia da nossa insignificancia. Só servimos prá carimbar a hegemonia deles, através da urna eletronica que deveria se chamar urna da fraude acobertada pelos institutos de pesquisa eleitoral.

Anônimo disse...

Caro Serrão,

Mais uma vez vc lança um Alerta Total.. Senti sua energia transmitida em cada palavra de seu texto. Sem falar do passado, mas falando das condições atuais onde o desgoverno é amplo total e irrestrito, a mentalidade dos dirigentes é medíocre. Eles não tem capacidade alguma e nem propósito algum. Querem o poder simplesmente. A classe política também cada vez mais medíocre. Os tubarões fazem o papel que lhes cabe. Será que só nos resta contemplar e lastimar ??.

Anônimo disse...

Este é o PSDB que você não vê na TV...

http://video.google.com/videoplay?docid=-4282345827147197000&ei=s1p8SdbDMIH6qgLW-L2pBQ&q=o+psdb+que+voce+n%C3%A3o+ve+na+tv

MIL-B disse...

Mais uma vez o Irmão Serrão brilhante. Entretanto, por enquanto, não se pode ainda dizer claramente quem são o " Poder Oculto Capitalista e Comunista". Mas esse dia de libertação vai chegar. Pista: Ler os absurdos contidos no Antigo Testamento da Bíblia Sagrada e comparar com o novo Testamento do Deus Vivo Jesus Cristo. Anauê!!

Anônimo disse...

Esse é o Brasil que os Socialistas/Comunistas estão querendo fazer.
Não sei não, mas do jeito que as coisas estão, não vai demorar para tentarem a revolução com MST, Quilombolas e afins

Quilombolas reivindicam área de parque amazônico!!!

Alerta Brasil
GUSTA
http://alertabrasil.blogspot.com/2009/01/quilombolas-reivindicam-rea-de-parque.html

Incra disputa com ambientalistas 30% de unidade de conservação maior que Sergipe.

Cada quilombola teria uma área de 45 parques Ibirapuera; em Raposa/ Serra do Sol, cada índio dispõe de meio Ibirapuera.

Considerado Patrimônio Mundial pela Unesco desde 2000, o parque nacional do Jaú, no Amazonas, virou motivo de discórdia entre ambientalistas e quilombolas. E, por isso, acabou colocando dois órgãos federais em disputa.
Putz!!!

Postado por Gusta às 1/26/2009