domingo, 15 de fevereiro de 2009

Idade das Trevas

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Maria Lucia Barbosa

O legado do Império Romano foi marcante para a humanidade por suas inúmeras realizações em diversas áreas, especialmente, na política, na arte da guerra e no Direito. Mas, nem mesmo o maior poder, o esplendor mais estonteante duram para sempre nessa vida de incertezas e finitudes.

A queda de Roma não ocorreu com dramática subtaneidade, mas, prolongou-se durante cerca de dois séculos (284-476). Na verdade, a partir do século III, concomitante ao declínio econômico, pode-se dizer que se inicia a Era do Obscurantismo para toda Europa Ocidental.

Várias foram as causas do complexo fenômeno da decadência do Império global daquela época e, entre elas, se pode apontar: a degradação do intelecto pelas religiões, as invasões bárbaras, a exaustão dos recursos do Estado para manutenção de imensa máquina militar, a depravação moral.

Entre 400 e 800, desenrola-se o primeiro período medieval que abarca a Europa Ocidental e que se caracteriza pela maioria dos atributos designados como medievais ou Idade das Trevas. É um interregno de profunda ignorância e superstição, no qual o homem viveu com olhos vendados.
A cultura, em certos aspectos, representou uma volta ao barbarismo. A atividade econômica baixou a níveis primitivos de troca direta, enquanto o ascetismo mórbido substituía as atitudes sociais racionais.

A história seguiu, veio o Renascimento, a Idade Moderna e não há que se negar o gigantesco progresso do mundo contemporâneo. Ciência e tecnologia avançaram de modo rápido e extraordinário. O enorme desenvolvimento dos meios de transporte e comunicação tornou o planeta globalizado. E na era dos computadores, especialmente através da impressionante Internet, as comunicações humanas superaram tempo e espaço.

O mundo hoje é de fato a “aldeia global” com os benefícios materiais que trazem confortos inimagináveis até bem pouco tempo atrás para o ser humano como um todo. O desenvolvimento da indústria a partir da Revolução Industrial, começada na Inglaterra no final do século XVII, princípio do século XIX, ensejou no transcorrer do século XX a sociedade de consumo que englobou as classes mais baixas e lhes possibilitou o acesso a bens antes restritos às classes mais altas.

O liberalismo, nascido no século VIII, também na Inglaterra, como ideologia da burguesia ascendente, e que em sua forma original se achava dissociado da idéia democrática, ao defender as liberdades como as de mercado, de expressão, de associação, de pensamento, enfim, a idéia de que o homem tem liberdade de escolher sua vida e seus objetivos, e de que o governo não pode negar essa liberdade, fez aparecerem novas forças sociais, que mesmo sem propriedades passaram a ter voz e vez. O liberalismo, associado ao capitalismo, trouxe a democracia com o voto universal, as eleições livres, a pluralidade partidária. Avançou também o arcabouço jurídico e com ele a noção de Estado de Direito, aperfeiçoada depois para Estado Democrático de Direito.

A par de tantos progressos a natureza humana em essência não evoluiu. O século XX conhecerá o flagelo dos totalitarismos, o comunismo e o nazismo com a indelével mancha do Holocausto, enquanto o fascismo lançava suas garras sobre a Itália.

O Muro de Berlim caiu, o Império Soviético desmoronou, a China continua comunista em termos políticos, mas capitalista na esfera econômica. Entretanto, em todo mundo, o século XX trouxe consigo um processo de degradação moral, de perda de valores, de alteração da família e o aparecimento de órfãos de pais vivos, de orientalismo religioso através do avanço do fundamentalismo Islâmico.

Dois males sociais se agigantaram com força nefasta e destrutiva: o terrorismo e o tráfico de drogas com conseqüente consumo de tóxicos. E enquanto a crise econômica que atingiu a nação mais desenvolvida do planeta se espraia por todo mundo, aumentam as explosões sociais das sociedades que, acostumadas ao bem-estar proporcionado pelos avanços proporcionados pela globalização, não se conformam em perdê-los, ou então querem destruí-los para voltarmos em outro mundo possível à Idade da Pedra Lascada.

Os ideólogos do atraso pregam contra o progresso adquirido, enquanto, perigosamente, Estados vão readquirindo cada vez mais controle econômico em suas sociedades, o que levará a maior domínio político e social. Aumentam a violência, a falência das empresas, as demissões em massa, enquanto governantes perplexos parecem impotentes diante da crise, em que pesem os esforços empreendidos para atenuá-la. E assim, o mundo do progresso material submerge e acentua a vulgaridade, a superficialidade dos relacionamentos, a propaganda enganosa, o desregramento dos costumes, a perda dos valores, a banalização da vida.

Os processos históricos, porém, são dinâmicos, e se o homem não destruir o planeta, poderá vir, em tempo não previsto, um novo Renascimento onde o ser humano evoluirá para construir um mundo, se não perfeito, porque isso é impossível, pelo menos melhor, mais aperfeiçoado, menos pleno de ignorância.

Por enquanto, aqui no Brasil, já regredimos à prática do canibalismo, que certamente será descrito com volta à antiga pureza, como politicamente correto ou ecológico. Na verdade, por nossa livre e espontânea vontade estamos todos sendo canibalizados pelo governo. Como bárbaros que estamos nos estando tornando, agradecemos ao pai Estado e submergimos alegremente nas trevas cantando uma marchinha carnavalesca.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

4 comentários:

Anônimo disse...

Ora, ora dona Maria Barbosa!

Como a senhora conseguiu essa façanha!

Foi durante a Idade Média, graças a Santa Igreja Católica, que surgiu as Universidades e os hospitais; como é que a senhora conseguiu uma façanha dessa!

Não sei qual é a sua ideologia politica, mais eu fico impressionado como até hoje tem gente que acredita que a Idade Média foi a idade das trevas!

Veja este artigo:

http://www.montfort.org.br/index.php?secao=caderno&subsecao=religiao&artigo=iluminismo&lang=bra

Antes de dormir sou surpreendido por um artigo estupido e mesquinho!

De onde que a senhora tirou essa estória dona Maria. Será que foi dos livros do MEC?

A senhora deve urgentemente voltar para a escola: Mas desta vez sem os livros comunistas do MEC!

Anônimo disse...

Algumas considerações
“...a exaustão dos recursos do Estado para manutenção de imensa máquina militar, a depravação moral” é um fato no hemisfério norte. Por aqui os exércitos eram aparelhados com a sucata da guerra (navios,aviões e armamento) “cedido” pelos EUA, Inglaterra e França, com algum pagamento a longuíssimo prazo.
A Inglaterra,que devia ao Brasil depois da II guerra, teve a dívida perdoada por Vargas. Mas eles do norte, não perdoaram nada: avançaram para dirigir e submeter a economia e a cultura nos anos que seguiram.
As garras do Poder oculto estavam presentes em todos estes fatos históricos. O domínio era um só.
“O mundo hoje é de fato a “aldeia global” com os benefícios materiais que trazem confortos inimagináveis” disponíveis, mas não ao alcance “do ser humano como um todo”, pelo menos em nosso território, onde os recursos sanitários, esgotos, abastecimento de água potável, educação alimentar, princípios de higiene, economia doméstica são desconhecidos de substancial parte da população, que expulsa da terra ou abandonada pelos poderes públicos no norte e nordeste só recentemente tem acesso a tv e internet como veículos da propaganda oficial.
“Enquanto o fascismo lançava suas garras sobre a Itália” lançava sobre o Japão de modo mais radical. Saindo da condição de império feudal para lançar seus aviões kamikazes contra os exércitos aliados na II Guerra. Com o armist´~icio (divisão do mundo entre os poderosos EUA, Inglaterra, França e império soviético) Alemanha e Japão foram proibidos de manter exércitos próprios e ficaram sob a defesa do Exército Americano. Em pouco tempo reestruturaram suas economias no modelo capitalista. A Alemanha dividida continuou nas trevas sob o jugo do stalinismo.
Mais tarde o império soviético desmoronou mas a KGB, o Partido Comunista e a máfia russa, todos associados aos controladores financeiros globais, continuaram e continuam dando as cartas.

MIL-B disse...

A Professora Maria Barbosa possui artigos sensacionais. Nós Integralistas e Linearista queremos apenas complementar seu ponto de vista: nunca existiu Queda do Muro de Berlim e nem dicotomia entre o Capitalismo e o Comunismo. Os " Donos do Mundo", que servem ao Deus Dinheiro e realmente dominam EUA, Europa, Rússia e países do Oriente, desde a Revolução Francesa é que dominam todo o nosso cotidiano e nossa vida, como escravos do materialismo grosseiro. O Nazismo e o Fascismo foram uma tentativa fracassada de combater esse " Mal", de maneira equivocada, usando as mesmas armas do Mal. É claro que muita gente sabe do que estamos falando!! Nossa Revolução tem que ser espiritual, no plano das idéias, isso sim é sair da Idade das Trevas, que estamos vivenciando desde a Revolução Francesa. Anauê!!

Anônimo disse...

Se há um preconceito aceitável, e politicamente correto, é o do anti-Catolicismo. Segundo este preconceito, aprendido nos bancos escolares e confirmado quando deparamos com "Idade das Trevas", a história do Catolicismo é uma história de ignorância, repressão, corrupção e estagnação.

A Civilização Ocidental deve à Igreja o sistema universitário, os hospitais, o Direito Internacional, importantes princípios legais. Mas a Civilização Ocidental deve à Igreja Católica algo que muita gente -- católicos incluidos -- ignora. A Igreja, de fato, construiu a Civilização Ocidental.

A Civilização ocidental não deriva exclusivamente do Catolicismo, é claro: como ignorar a importância da Grécia antiga e de Roma, e de várias tribus Germânicas, e do Judaismo?

Tal como a presente autora, muita gente acredita no mito que o milênio que antecedeu a Renascença foi um tempo de trevas e repressão cultural. Nada pode ser mais errôneo que esse mito. Nenhum especialista em história da ciência nos útimos 50 anos acredita nisso. Consultem-se A. C. Crombie, David Lindberg, Edward Grant, Stanley Jaki, Thomas Goldstein, J. L. Heilbrom, Thomas E. Woods, Jr.

Hereticus