terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Longe da organização consciente

Edição de Artigos de Terça-feira do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Arlindo Montenegro

Carta a uma leitora. Prezada Madame Bia C: Fiquei comovido com o seu comentário: “ pensei que alguém tinha se candidatado como voluntário, respondendo a seu convite”.

A realidade é que os últimos luminares, os últimos “moicanos” que pensam no Brasil como Pátria soberana, estão perplexos diante do banditismo que, a partir do planalto central, instalou-se em cada centro de governo estadual ou municipal, em cada escola, em cada instituição. Até as Forças Armadas, empresários e intelectuais curvaram-se ao discurso, às promessas e à violência contra os dissidentes. Há muito a ideologia dominante infiltrou-se.

Os créditos fáceis, com reembolso a longuíssimo prazo, a fundo perdido e sem necessidade de prestação de contas; o perdão ao desvio do dinheiro público tornou-se uma prática cotidiana, mais ainda quando abastece os trabalhos de campo do partido no poder. E os que esperavam por algum movimento ou liderança militar, política ou empresarial, já adotaram o ceticismo.

No ano de 1924, Miguel Couto defendia políticas educacionais para a construção de um Brasil independente: educação, educação, educação. De lá pra cá, assistimos uma pá de revoluções, uma guerra mundial, a guerra fria (comunismo x capitalismo); manifestos, eleições, partidos, intelectuais, professores, ministros, deixaram a educação na rabeira das prioridades. E mais, sempre atreladas aos interesses e conveniências do estado e da economia que some por dutos bem conhecidos. As tais “verbas” somem antes de chegar às escolas ou aos hospitais ou a qualquer instituição. Os responsáveis são perdoados.

Ninguém consegue tornar-se um adulto livre, uma pessoa consciente e responsável, no exercício da auto estima, confiança e responsabilidade pátria que o saber proporciona; ninguém chega a tornar-se um adulto livre e responsável se não tiver uma família, uma crença, uma escola, uma cidade, um bairro, uma identidade que ligue com laços invisíveis para uma construção objetiva.

Sem que haja confiança e interação com governantes honestos, próximos, conhecidos. Sem que o império da Lei limite a irresponsabilidade e o crime, numa autêntica prática do exercício democrático do direito.

Ninguém consegue mobilizar-se sem a consciência da realidade compartida, sem uma liderança, sem um objetivo explicito e aceito para exigir mudanças no plano construtivo da nação, nas leis contraditórias, nos vícios que mantêm drogados e associados a máfias os eleitos por maquininhas viciadas, que se dizem “políticos e representantes da vontade da nação”. Este é o mais brutal dos sofismas!

Desde sempre, os “governantes” (sem exceção) afastaram-se dos objetivos implícitos da “ordem e progresso”, aliaram-se aos créditos fáceis, convite para aprofundar o colonialismo que sempre cobrou juros e facilidades, que sempre nos manteve devedores e nunca deixou de colocar barreiras e dificuldades para o nosso avanço tecnológico independente.

A complexidade administrativa das necessidades de uma população crescente e dependente de favores, sem a necessária educação para e liberdade financeira para tomar decisões independentes, tornou este povo, presa fácil dos discursos ideológicos e do paternalismo estatal.

O Estado agigantou-se, patrocina as máfias, abre as portas para bandidos e terroristas. Alguns dados deste cancro eram previstos por analistas militares brasileiros há mais de meio século. Mas quem ia ligar para um general que profetizava realidades hoje sentidas por cada cidadão? Hoje é Moisés Naim, ex diretor do Banco Mundial, quem informa que drogas e crimes, em toda a extensão de ações globais, “não existiria sem a cumplicidade das autoridades”.

Os cartéis de drogas e máfias de tráfico de armas, crianças, prostituição, diversificaram suas atividades. Existem banqueiros, industriais, empresários em várias atividades lavando cerca de 12 TRILHÕES DE DÓLARES. Isto é quase 1/3 da economia mundial!

Em muitos países as ações criminosas se confundem com as ações do Estado. “traficantes e seus cúmplices controlam partidos políticos e jornais”. Muitos aparecem como filantropos “escondidos atrás de ongs”. Quando um ex-presidente ou um partido político defende a liberação da maconha, está a serviço de quem? Quando um partido se associa a grupos de traficantes e terroristas com as bênçãos e auxílio do estado, estão a serviço de quem?

O trabalho da propaganda subliminar contra a família, contra as religiões, contra a escola já formou os consumidores deste mercado que limita a consciência a faz da gente massa de manobra para ditadores totalitários e seus controladores econômicos. Todos, no fundo, só querem o poder pelo poder.

Assim, Madame Bia, é bem remota a possibilidade de organização consciente. Mas como nada é impossível, uns poucos multiplicadores da informação sadia nos inscrevemos para manter o amor, a fé e a esperança. Dizem os astrólogos que estamos iniciando a era aquariana. Que as mudanças possam ser positivas para a civilização humana. Os voluntários são poucos.

Arlindo Montenegro é Apicultor.

3 comentários:

Madame Bia C. disse...

Caro Montenegro, obrigada pela carta. Sou uma senhora aposentada e estou dedicando o resto da minha vida principalmente ao estudo.
Quero, até o fim da minha vida, enquanto Deus permiitir, fazer pós-graduações,sobretudo nas áreas de História e Filosofia, justamente para fazer um contraponto à "desconstrução" que estamos assistindo hoje entre as tendências dessas duas disciplinas citadas.
Se você observar bem, quem são os corruptos? Gente que não cria nada em termos de idéias. Na cabeça, eles têm um "prédio" feito de gelatina e falácias. No coração, uma pedra de gelo: não amam a Deus nem ao próximo nem a si mesmos em sua totalidade. Amam só a cintura e o pedaço da cintura para baixo: a cintura como pança, pois são glutões; o bolso; o sexo; e os pés são rápidos para roubar e matar.
Assim, estamos hoje vivendo a outra face da moeda, aquela na qual não bate o sol: vivemos sombra e trevas. Quando tudo isso passar, as gerações futuras nos estudarão historicamente como uma geração de canalhas decadentes, gente que não soube olhar a totalidade da vida: gente materialista, ignorante e escrava. Não quero isso para nós, por isso lhe escrevi, achando que outras pessoas pudessem pelo menos ter idéias sobre uma política, uma educação, uma economia, sei lá que outros ramos de saber, mas iluminadas.
Um grande abraço. Sou sua admiradora.

BRAGA disse...

Caros Madame Bia C. e Arlindo. Boa noite.
Como estamos indo "ladeira abaixo" é possível que haja alguma impulso para a subida redentora. É o que espero.
Braga

Anônimo disse...

Madama Bia e Braga: é muito gratificante interagir com ente lúcida e exemplar como vocês.
Reconfortante alívio para o espírito conturbado.
Recebam minha admiração e amizade agradecida. Que Deus, do jeito como vcs O acolhem, possa guiar, enriquecer e guiar o essencial de cada um.
Arlindo