domingo, 1 de fevereiro de 2009

A prisão de Lula

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com

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Por Jorge Serrão

Toda convicção é uma prisão”... Assim ensinou o genial G. K. Chesterton (1824-1936) – intelectual inglês que quase foi amaldiçoado por sua crítica à Oligarquia dos Banqueiros, no começo do século passado, em seu pouco conhecido livro “Mestre de Cerimônias” – que nem tradução para o português tem. Quem compra briga com banqueiro precisa ficar muito esperto. Não basta se sentir seguro de si. O troco (pay-back, como diria a turma da City de Londres) vem com juros e correção política...

Mesmo para o chefão Lula da Silva, que não gosta de ler, o conselho de Gilbert Keith Chesterton é mais que precioso, no momento em que seu desgoverno resolve declarar guerra aos bancos. Em conversas reservadas na última semana, captadas por ouvidos atentos à batalha que se prenuncia, Lula manifestou sua convicção de que o poder dos banqueiros não é capaz de desgastá-lo, como ocorreria em outros tempos.

Lula avalia que o projeto político de seu grupo pode seguir em frente, vitorioso, mesmo sem a sustentação que os banqueiros sempre lhe deram – inclusive em jogadas impublicáveis pelos bastidores afora. Se a briga for para valer, o presidente Henrique Meirelles pode até fazer corpo mole no time do governo. Seria como um zagueiro prestes a fazer um golaço contra o goleiro Lula.

O craque Lula só pensa nos eventuais efeitos imediatos da crise sobre sua popularidade. Aposta que não será afetado. Analistas financeiros também avaliam que não. Acontece que nunca se pode dizer “nunca”. Risco sempre existe, embora a imagem positiva de Lula esteja consolidada na maioria do eleitorado.

Por isso, Lula escolheu um “inimigo” para promover sua marketagem otimista do consumismo capaz de vencer a crise e o desemprego. Os bancos se transformam nos vilões, que se não baixaram os spreads, os juros e as taxas, impedirão o eleitor de Lula de ter direito ao crédito.

O Bolcheviquepropagandaminister já foi acionado para a “Batalha do Spread”. O governo ameaça até divulgar uma “listinha negra” com o ranking das instituições financeiras que praticam os maiores spreads. A palavrinha da moda, que precisa cair na boca do povo pela máquina de propaganda petista, significa a diferença entre os juros que os bancos pagam para captar recursos e as taxas praticadas nos empréstimos aos clientes. Os bancos ganham com os spreads que cobrem os custos com tributos, funcionários e até com a inadimplência (que começa a crescer em tempos bicudos).

O desgoverno agora propagandeia um fato objetivo: o spread bancário atingiu o nível mais alto dos últimos cinco anos. O Banco Central informou que, em dezembro, os bancos pagavam 12,6% ao ano para levantar recursos no mercado financeiro. Mas repassavam o dinheiro captado ao cliente com juros médios de 43,2% ao ano. Assim, o famigerado spread chegou a 30,6%. Isto, na média.
Nos empréstimos para pessoas físicas (gente de carne e osso) o spread chegou a 45,1%.

O ortodoxo Comitê de Política Monetária do Banco Central, muito a contragosto, baixa os juros. Mas os banqueiros não baixam o spread. Assim, se transformam facilmente nos lucrativos “vilões” da Era Lula contra a crise. Em nome dos interesses imediatos de poder, Lula rompe sua longa parceria com os banqueiros? Será tal briga verdadeira? Ou um bem calculado espetáculo de marketagem política do teatrinho de marionetes do João Minhoca?

Briga real ou não, auxiliares de Lula esperam que o discurso do chefão pedindo a queda do spread provoque um “constrangimento” nos bancos privados. Por isso Lula resolveu usar e abusar de suas imperiais prerrogativas de acionista majoritário dos bancos oficiais (que são “estatais” e funcionam como privados de economia mista sempre que convém politicamente). Lula mandou a Caixa e o Banco do Brasil reduzirem os juros e os spreads, na tentativa de intimidar os demais bancos privados.

Isso vai dar certo? A dúvida é cruel. No Brasil, desgoverno endividado e perdulário convive em simbiose com bancos que têm lucros recordes na farra dos juros estratosféricos. Os banqueiros já reagiram à pressão de Lula, e não aceitam ser os vilões da crise. O presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Lázaro de Mello Brandão, já avisou que os bancos só vão reduzir o spread quando houver queda no compulsório.

O depósito compulsório obriga os bancos comerciais e instituições financeiras a depositarem, junto ao Banco Central, todo dia, parte de suas captações em depósitos à vista ou em títulos contábeis. Os bancos são obrigados a recolher 15% daquilo que os clientes depositam, mas podem descontar desse valor R$ 700 milhões. Nos depósitos a prazo, o recolhimento é de 5%. E nos recursos de poupança, 10%.

Qual pode ser a consequência imediata, para Lula, se a briga com os bancos virar um conflito de verdade? Os banqueiros podem fechar com a candidatura presidencial de José Serra – que nunca foi bem digerido pelos banqueiros nacionais, mas que agora parece ser o “eleito” dos banqueiros internacionais que descartaram Aécio Neves – que até pouco tempo era o “queridinho” da banca que age a partir da City Londrina.

A atual convicção de Lula, de que pode dispensar o apoio dos banqueiros, pode ser fatal ao futuro de sua candidata (até agora, a favorita Dilma Rousseff, embora nada garanta que não seja uma mera “égua paraguaia” numa disputa presidencial ainda longe de acontecer). G. K. Chesterton, inglês que teve peito de encarar os banqueiros poderosos da terra dele, cansou de repetir que “toda convicção e uma prisão”.

Azar de Lula que não gosta de ler, e dos seus puxa-sacos que não ousarão contrariar o eterno sindicalista de resultados. É na pretensão de poder que o Boi acaba atolado no brejo. E com magarefe carrasco, bem financiado pelos banqueiros contrariados. O Boi que se cuide... O churrasqueiro Chesterton já avisou...

Jorge Serrão, jornalista radialista e publicitário, é Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. http://www.alertatotal.blogspot.com

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 1º de Fevereiro de 2009. Reprodução liberada com citação da fonte de publicação.

10 comentários:

Anônimo disse...

Para os controladores do mundo reunidos em Davos, tanto faz quem seja o próximo sátrapa! Os banqueiros e megaempresas, como os narcotraficantes vão continuar se beneficiando da ignorância das massas, da "esperteza" dos que governam levando vantagem pessoal em tudo, da burrice dos formadores de opinião incultos e alinhados ideologicamente. Todos vão continuar fazendo o jogo imposto pelos imperadores deste circo em que a imagem de peitos e bundas vale mais que a imagem de uma bandeira nacional.
LuLu, Serra, Aécio, Dilma, mãe Diná ou a mulher melancia, são todos bagos da mesma jaca.

Anônimo disse...

Na orgia social mundial o Bolivariano da Silva subiu no palanque e fez o que ele mais gosta de fazer: hipocrisia e cinismo.

Disse que alguém está fazendo pressão para que ele diminua os gastos com assistencialismo e empreguismo.

No entanto, quem está dizendo isto são as Contas Públicas que acusam gastos muito superiores à arrecadação.

Portanto, dificilmente começaremos a combater a crise econômica mundial se não nos livrarmos do mala-sem-alça que não abre mão de imensos gastos públicos para comprar mensalmente seu populismo.

Se há uma contração muito forte do mercado externo, com diminuição drástica das compras, não há outro caminho senão o do ajuste interno, ou seja, diminuir os gastos para se ajustar ao novo patamar da economia.

Gastar mais para ver se as coisas voltam ao que era, não é só burrice não, é irresponsabilidade, ademais do fato de que não há poupança interna nem oferta externa de capital para fazer investimentos públicos, ou seja, vai fazer é muita inflação.

Mantendo os juros altos como está, a expropriação dos ativos privados será agora mais forte ainda e só há um jeito do capital privado se defender, ou seja, encerrar suas atividades mercantis e aguardar que os comunistas desapareçam por inanição. Isso já aconteceu na URSS.

A partir do final de fevereiro é que a arrecadação fiscal irá de fato registrar a contração do mercado interno, com forte queda, e o apedeuta se adianta na busca de jogar a sociedade contra os empresários, as vítimas que pagam a conta.

Anônimo disse...

Lula e seus ideólogos começam a mostrar a tática nacional-socialista do PT. Elegem os inimigos - agora banqueiros, ou empresários -, e começam seus ataques ideológicos, jogando a massa ignara contra eles. E este falso discursinho nacional desenvolvimentista, para alavancar a candidadura da Dilma, faz parte da mesma estratégia de copiar os nazistas. Que Deus nos proteja destes monstros que usam a ideologia para dominar, nos iludir e corromper, apenas para conquistar o poder pelo poder.

Anônimo disse...

Quem dera que o Apedeuta acabasse preso, de verdade... Ms, um dia, há de pagar historicamente por tudo que fez e faz, mas a sociedade brasileira, em sua maioria, ainda não percebeu.

Anônimo disse...

"Brasil, Colônia de Banqueiros"

autor: Gustavo Barroso

http://www.scribd.com/doc/8499053/Brasil-Colonia-de-Banqueiros-Gustavo-Barroso

tunico disse...

Jorge, embora Lula, metido a esperto como é, use de uma jogada de marketing oportunista e não combateu o spread antes pois precisava do apoio dos banqueiros para seu governo e sua reeleição, o spread bancário é uma vergonha, para não dizer que é pura agiotagem. A diferença absoluta percentual de 30% ou 45% esconde na realidade um "fee" de quase 3 vezes ou seja, os bancos ganham em cima do tomador 3 vezes mais daquilo que captam.Isso dá 200% de ganho e não 30 ou 40%. E ninguém fala que boa parte da captação vem dos depósitos à vista, a nossa pueril conta bancária que tem custo ZERO pois as tarifas pagam integralmente a manutenção destas contas. Em países sérios, os bancos remuneram os depósitos à vista e não somente aplicações. Aqui não.

Experimente uma coisa: Abra uma conta num banco qualquer e deposite 100 reais. Não faça nada mais. Não saque, nem deposite, nem peça talão de cheques. Em 6 meses, sua conta estará negativa pois o banco descontará tarifas mensamente. E você será chamado a depositar a diferença caso contrário terá seu nome inscrito no cadastro de inadimplentes.Entendeu como funciona este cassino de agiotas?

Anônimo disse...

Na Orgia Social, o Bolivariano da Silva também atribuiu às pressões das Contas Públicas para contenção dos gastos com programas assistencialistas e empreguismo "à pessoas que diz serem contra o povo que aufere tais benesses", ou seja, jogou estes contra a sociedade com um todo para justificar a inflação que está fazendo.

Anônimo disse...

Cocô Barcelos

Por Olavo de Carvalho:

“(...) Anos atrás, quando demostrei a absoluta impossibilidade física do crime que uma espetaculosa reportagem de Caco Barcelos atribuía às Forças Armadas (veja http://www.olavodecarvalho.org/semana/nditadores.htm), fiquei chocado ao ver a denúncia ostensivamente falsa ser laureada não com um, mas com dois prêmios jornalísticos. Eu ainda não havia compreendido que, no novo jornalismo que se praticava no Brasil desde os anos 80, o desprezo pela diferença entre verdadeiro e falso não era um desvio da norma profissional: era a própria norma. Só comecei a suspeitar disso quando, por força das pesquisas para o meu livro A Mente Revolucionária, me vi obrigado a prestar muito mais atenção do que desejaria às obras de Jacques Derrida, Jean-François Lyotard, Gianni Vattimo e outros autores ‘pós-modernos’ (...).”

(http://www.olavodecarvalho.org/semana/061130jb.html )

Comentem.

Anônimo disse...

Cocô Barcelos

Por Olavo de Carvalho:

“(...) Anos atrás, quando demostrei a absoluta impossibilidade física do crime que uma espetaculosa reportagem de Caco Barcelos atribuía às Forças Armadas (veja http://www.olavodecarvalho.org/semana/nditadores.htm), fiquei chocado ao ver a denúncia ostensivamente falsa ser laureada não com um, mas com dois prêmios jornalísticos. Eu ainda não havia compreendido que, no novo jornalismo que se praticava no Brasil desde os anos 80, o desprezo pela diferença entre verdadeiro e falso não era um desvio da norma profissional: era a própria norma. Só comecei a suspeitar disso quando, por força das pesquisas para o meu livro A Mente Revolucionária, me vi obrigado a prestar muito mais atenção do que desejaria às obras de Jacques Derrida, Jean-François Lyotard, Gianni Vattimo e outros autores ‘pós-modernos’ (...).”

(http://www.olavodecarvalho.org/semana/061130jb.html )

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Anônimo disse...

Cocô Barcelos

Por Olavo de Carvalho:

“(...) Anos atrás, quando demostrei a absoluta impossibilidade física do crime que uma espetaculosa reportagem de Caco Barcelos atribuía às Forças Armadas (veja http://www.olavodecarvalho.org/semana/nditadores.htm), fiquei chocado ao ver a denúncia ostensivamente falsa ser laureada não com um, mas com dois prêmios jornalísticos. Eu ainda não havia compreendido que, no novo jornalismo que se praticava no Brasil desde os anos 80, o desprezo pela diferença entre verdadeiro e falso não era um desvio da norma profissional: era a própria norma. Só comecei a suspeitar disso quando, por força das pesquisas para o meu livro A Mente Revolucionária, me vi obrigado a prestar muito mais atenção do que desejaria às obras de Jacques Derrida, Jean-François Lyotard, Gianni Vattimo e outros autores ‘pós-modernos’ (...).”

(http://www.olavodecarvalho.org/semana/061130jb.html )

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