domingo, 31 de maio de 2009

MRE – Um Ministério de Rumos Equivocados

Edição de Artigos de Domingo do Alerta Total http://www.alertatotal.net

Por Valmir Fonseca Azevedo Pereira

É conhecida a frase de que “As nações/ Estados não têm amigos e sim interesses”. A afirmativa é curta e grossa para não permitir tergiversações sobre o seu conteúdo. De fato, apesar de verdadeira, entendemos que laços históricos e étnicos podem sinalizar, em determinados circunstâncias, a preferência de uma nação em detrimento de outra(s).

Na prática, contudo, e no Brasil atual, costumeiramente, aquela verdade transmutou - se em atender aos interesses do PT e /ou da “águia do agreste”. Através da diplomacia (ciência, arte e prática das relações internacionais entre Estados) as nações alinhavam com o mundo exterior seus relacionamentos e, utilizando - se da arte de negociar, visam à defesa dos direitos e interesses do país perante governos estrangeiros.

Realmente, deve ser árdua a missão de tratar com tato e habilidade uma diversidade de nações de díspares níveis de desenvolvimento e diferentes objetivos. Muitas vezes, podemos entender que é preciso engenho e arte para negacear, cooptar, desfazer, acordar sem provocar desacertos e firmar acordos, sem causar mossas e arranhões no trato com as nações não contempladas nas tratativas ou nos interesses nacionais imediatos.

Algumas nações conduzem sua diplomacia com maestria, e seu corpo diplomático projeta - se pela coerência, pela justeza e pela habilidade, e assim, constroem um nível inegável de respeito no campo externo e, por isso, suas posições repercutem pela seriedade, e são, amiúde, no mínimo, levadas em consideração.

Quanto á diplomacia nacional, ao que parece, pelos inúmeros fracassos que acumula no campo externo, anda de ré, ou na contra – mão, até de suas decantadas tradições, ficando patenteado em cada infeliz indicação ou opção, de que em matéria de respeito, estamos prá lá de Bagdá.

As últimas atitudes e medidas adotadas pelo Ministério de Relações Exteriores sublinham que a nossa diplomacia está a cabresto, não do Estado Brasileiro, mas de um esquema ideológico ditado pelo desgoverno, nitidamente alinhado com países cujas posições e arbitrariedades causam revolta, quando não incontida repulsa.

Estas equivocadas preferências saltam aos nossos olhos, pois elas têm sido adotadas, explicitamente, para demonstrar o nosso atual alinhamento ideológico e os tortos e deploráveis rumos que cegamente seguimos, sinuosos caminhos em total desacordo com as tradições e os interesses nacionais mediatos e os permanentes.

Contudo, nada do que ocorre, é novidade ou surpreende, visto que o apoio incondicional do desgoverno à ditadura de Fidel, tiranete de uma das mais pobres e oprimidas nações do planeta, diz tudo, e muito mais. O círculo de idiotices ideológicas se completa, quando estamos na iminência de abrir uma representação diplomática na Coréia do Norte, que o podemos nomear de “a Albânia da Ásia” pela falta de liberdade e atroz miséria de seu povo.

Às diatribes do MRE, podemos somar o prazeroso convite ao inefável Presidente do Irã, para oficialmente visitar o Brasil. Quem não lembra de que no recente entrevero entre judeus e palestinos, fagueiramente adentrou, sem ser chamado, na zona de conflito, o nosso “ensaboado” Ministro das Relações Exteriores, praticamente, reivindicando, extemporaneamente, para o Brasil, um papel de destaque naquelas negociações. Foi mais um papel ridículo. Isto, após o Brasil destinar aos palestinos uma polpuda contribuição em dinheiro, gesto que causou estupefata reação de Israel.

Ao estabelecer uma representação diplomática na Coréia do Norte, uma nação dirigida a ferro e fogo por uma tirania nefasta que, acintosamente, procura armar – se de um arsenal nuclear, com questionáveis intenções, pelo que tem demonstrado ao ameaçar, abertamente, seus vizinhos, como a Coréia do Sul e o Japão, o Brasil vira as costas para o bom - senso e para as demais nações que, na sua maioria, repudiam os atos de Kim Jong II, um reconhecido filhote de “cruz credo”.

Ao rosário de tropeços, como na recente e antipatriótica aprovação da maquiavélica Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, e esquecendo retumbantes gafes menos recentes, mas que ainda ecoam e depreciam o MRE, não custa elencarmos o despropositado apoio ao candidato egípcio para o cargo de Diretor – Geral da UNESCO, em detrimento da candidatura do atual Diretor – Adjunto da Organização, o brasileiro Marcio Barbosa e a do Senador Cristovam Buarque, outro brasileiro pleiteante àquele cargo.

A esquizofrênica “peça”, Farouk Hosni, apoiada pela democrática nação brasileira é, reconhecidamente, anti - semita, e para enriquecer seu currículo foi Ministro da Cultura Egípcia do governo de Mohamed Hosni Mubarak, “Presidente” do Egito, “desde” outubro de 1989.

O popular Farouk é anti-semita de carteirinha e ficou célebre por declarar que queimaria os livros editados em hebraico. Com esta simpatia, sua candidatura foi vetada por vários países, inclusive os EUA, China, Índia e ultimamente, a França, que chegou a apoiá - lo.

Como vemos, não faltaram razões para que tivesse o nosso apoio. Mesmo por que, como declarou o nosso Chanceler, o apoio renderá dividendos para o Brasil, quais sejam: sediar a Copa do Mundo de Futebol em 2016, e, pasmem, permitir o acesso da Ministra Ellen Gracie na OMC (há poucos dias negado pela dita Organização), etc.

Assim, não é á toa, nem causa estranheza, que o MRE, ao considerar as FARC um inocente movimento reivindicatório; que os rompantes tirânicos do “mui” amigo Chávez, são sinais de que a democracia impera na Venezuela; de que a Itália não é uma democracia, e, por isso, ao condenar o terrorista Batistti, cometeu um ato de consumada arbitrariedade; que calou – se ante a medida arbitrária adotada pelo Ministério da Justiça em relação aos exilados cubanos; que engoliu em seco quando a empresa Camargo Correa foi expulsa do Equador (idem a Petrobrás na Bolívia), não consiga no campo externo, emplacar nem o síndico do prédio da ONU, e muito menos, que Ministra Ellen Grace fosse a candidata escolhida para a Corte de Apelação da OMC.

Apesar dos fracassos, como circula nas dependências do Itamarati, “nóis trupica, mas não cai”. Por isso, em matéria de relações internacionais ainda teremos que engolir indigestos sapos (O insigne Barão do Rio Branco, Patrono de nossa Diplomacia, deve estar se revirando, indignado, em sua sepultura).

Mas, não adianta espernear, pois, “quem cala, consente”.

Valmir Fonseca Azevedo Pereira é General de Brigada R1 do EB.

Um comentário:

Anônimo disse...

Quanta bobagem este artigo, típico de uma mente conservadora, a versão petista de um conservador de direita (se é que existe essa besteira de direita e esquerda).
Vamos lá então, a diplomacia brasileira não é um primor, mas não é uma procaria também.
Se não o Brasil não pode ter relações com países "ruins", então por que os EUA tem relaço~es com China (ditadura), Arábia Saudita (que renega direitos humanos, mata homossexuais), Egito (ditadura) e Israel (que ocupa um outro povo há mais de 40 anos)?
Por que ingleses, franceses tem estas mesmas rrelações? Cuba, um ditadura sim, virou agora a causa do mundo? Ou o Brasil não pode pensar grande, precisa smepre seguir o que outros mandam?
Sao generais como este senhor ae que traiu a nação e se refere ao GOLPE de 64 como "revolução".
Coreia do Norte, Irã, Siria, etc...sao o "mal", mas Arabia Saudita, Egito, China, Israel sao os 'bons", moderados, democracias?
Os EUA podem manipular varios países, usando terceiros pra fazer seu trbalho sujo, mas ainda serao respeitados, afinal sao uma democracia.
Ë triste ver brasileiros esquecendo o que os americanos fizeram coma america latina, mas a vilã será sempre Cuba.
Vai ler mais, leia História e aprenda.