sábado, 9 de maio de 2009

A vida (política-econômica) como ela é

Edição de Artigos de Sábado do Alerta Total http://www.alertatotal.blogspot.com
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Por Jorge Serrão

Matamos o atual modelo político-econômico brasileiro, ou ele nos enterra. A crise institucional – com membros do Executivo, Legislativo e Judiciário fazendo e falando besteira – começa a fugir de controle. No entanto, o bicho só vai pegar, de verdade, quando a economia se desmanchar no ar. O processo de deterioração pode ser rápido ou um pouco lento. Mas é inevitável. Quem sobreviver verá... E, certamente, vai detestar o que vai ver.

O Brasil tem três necessidades urgentes para conter os golpes a conta-gotas que vêm sendo armados pela classe política e pelos partidos políticos no poder. Primeira: aprimoramento institucional, com voto distrital, não obrigatório, e com urnas eletrônicas auditáveis. Segunda: mudança do modelo econômico neocolonial reinventando novas bases para a relação com os países que dependem do Brasil para sobreviver. Terceira: uma mudança no papel dos bancos e na relação deles com o Estado Brasileiro, que deve valorizar a geração de emprego, renda, investimentos em infraestrutura e educação de verdade.

Os três artigos publicados abaixo indicam caminhos para resolver a terceira necessidade. O economista Adriano Benayon, autor do imperdível livro “Globalização versus Desenvolvimento”, mais uma vez revela a farsa econômica imposta pela Oligarquia Financeira Transnacional e aceita pelo Brasil de dirigentes com mentes colonizadas. Leia: G-20 e Saqueio global, Brasil: um País refém de bancos e Por que(m) os juros dobram (?)

Benayon lamenta que, enquanto o Brasil continuar com pseudogovernos obedientes à ditadura financeira mundial, Lula ganhará elogios de banqueiros estrangeiros e de governantes a eles subordinados – da mesma forma como seu nefando predecessor se acostumou às honrarias e agrados da City de Londres e da monarquia britânica.

Benayon critica a ideia da “moeda global”, que o fantoche Lula chegou a defender: “Não há necessidade de moeda mundial, seja ela, como o dólar, emitida por um país privilegiado, seja por uma organização internacional. Na realidade, ela é um instrumento para tornar absoluto o poder global oligárquico”.

Benayon indica a postura correta para as nações: “Cada país deve transacionar com outros em sua própria moeda, por meio de créditos recíprocos e acertos periódicos dos saldos com metais preciosos. Tudo em bases estáveis, se sua moeda e crédito forem usados para fomentar a produção de bens e serviços, o que não gera inflação, e não, para criar ganhos financeiros como fim em si mesmo”.

O segundo artigo abaixo desnuda o banqueirismo em vigor no Brasil. Armando Levy, professor de Marketing e Cultura Organizacional da Universidade Metodista de São Paulo, mostra que o debate sobre a taxa de juros no Brasil está idiotizado, pois esconde dados importantes sobre a real situação de nosso mercado financeiro que nunca foi confortável e é dominado por gigantes com pés de barro.

Levy lembra que a taxa Selic regula as relações financeiras entre bancos e Governo Federal, remunerando aqueles recursos que os bancos captam do grande público a taxas ridículas (poupança, fundos de investimento, CDBs) para emprestá-los ao Governo Federal via títulos públicos. Somente nesta operação, sem precisar fazer praticamente nada, os bancos ganham boa parte de seus lucros.

O pesquisador adverte que nós, aqui no Brasil, seguimos nos iludindo e sairemos da crise com o mesmo sistema financeiro inepto de sempre, bancos anacrônicos, privados e estatais, que exigem altas taxas de juros para sobreviver e terminam por sacrificar toda uma sociedade com a complacência de todos os governos. Armando Levy indaga: Até quando?

No terceiro artigo, Irineu Dário Staub, consultor e pesquisador, critica que no Brasil se é ignorado e ocultado, de modo geral, que entre a captação e a aplicação dos recursos existe um intrincado jogo de interesses, pressões, interações e interferências que acabam por elevar o custo do dinheiro para o tomador final.

Segundo o especialista, as decisões sobre a taxa Selic são influenciadas por um intricado conjunto de fatores sociais, econômicos e legais que incluem as obrigações dos fundos de pensão, a indexação da economia (preços administrados das tarifas vinculadas a contratos de longo prazo assinados pelo governo com empresas de serviços públicos) e a remuneração das cadernetas de poupança, entre outros.

A leitura atenta dos três artigos publicados abaixo neste Alerta Total vai mostrar “a economia como ela é”. Os três textos desmontam, facilmente, a propaganda oficial de que vai tudo bem no Brasil, enquanto existe crise grave no resto do mundo. Uma Nação rica como o Brasil não pode viver nesta ilusão que a mantém artificialmente na miséria. Merecemos mudar para melhor.

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Inteligente (analítico e provocador de novos valores humanos) com análise estratégica, conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva.

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 9 de Maio de 2009.

2 comentários:

Anônimo disse...

Obvio que precisamos mudar para melhor! que precisamos de educação de verdade! que temos a obrigação de reinventar o Brasil! E de que modo? Intervenção militar, pode tirar o cavalo da chuva! Eleições, só se a lei mudar e a maquininha der recibo! E ainda, se uma voz confiável se levantar para unir as forças conservadoras que estão constatando, documentando, denunciando... "cada um no seu quadrado", mas mantendo a hegemonia de sua "escola" ou de seu "idolo". É urgente uma convergência para desatar este nó górdio! Até pensei que poderiamos, os que Pensam Brasil, estar a esta altura com um candidato definido e uma junção de pequenos partidos para enfrentar o populismo da máquina luleira.

Esperança disse...

Rebecca Santoro, que faz um trabalho magnífico, pede colaboração.


Força e Coragem – Quando a Realidade Bate à nossa Porta...
http://www.imortaisguerreiros.com/destaques.htm#379218178
Por Rebecca Santoro / 07.05.09

Não tenho escrito muito e nem publicado os artigos de terceiros - tão importantes - que tenho vindo sempre divulgando. Parei um tempo para refletir sobre a realidade. É, chega uma hora em que ela é implacável e finalmente bate à nossa porta cobrando decisões inadiáveis. Chegou a minha. Pedi um tempo. A Realidade está parada em frente à minha porta, de braços cruzados, porém sem muita paciência, esperando para ouvir o que tenho a dizer sobre as decisões que terei que tomar. Encostei a porta e, neste momento, atrás dessa porta, olho para minha casa, para meus familiares, para minhas coisas. Filmes da vida inteira me vêm à mente. Rezo, peço sabedoria. Confronto-me com o que sou e com o que, talvez, terei que extirpar de dentro de mim, a um custo altíssimo, diga-se de passagem, para continuar minha caminhada pela vida.
(...)