sexta-feira, 10 de julho de 2009

CPI da Petrobras pode virar armadilha para Sarney, cuja fundação é suspeita de desviar recursos de patrocínio

Edição do Alerta Total - www.alertatotal.net

Por Jorge Serrão

No momento em que José Sarney pretendia investir na instalação da CPI da Petrobras, como tática para desviar dos problemas que o atingem, a oposição consegue envolvê-lo nos problemas que precisam ser investigados na “estatal” de economia mista. O vai e vem de esclarecimentos conflitantes entre a Petrobras, a Fundação José Sarney (que recebeu patrocínio via Lei Rouanet) e o Ministério da Cultura só agravaram a insustentável situação política de Sarney – que insiste em ficar na presidência do Senado e que vai tomar cada vez mais chumbo pelo apego ao poder.

Sarney “ficou ainda menor” depois que o Estadão de ontem denunciou que a Fundação José Sarney é suspeita de desviar verbas da Petrobras para empresas fantasmas e outras da família do próprio presidente do Senado. O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio pedirá ao Ministério Público Federal que investigue a denúncia. O contrato entre a Petrobrás e a Fundação José Sarney, no valor de R$ 1 milhão 340 mil reais, vigorou de 13 de dezembro de 2005 até 17 de outubro de 2008. Os recursos foram destinados em três parcelas do Programa Petrobras Cultural, na área de preservação da memória.

A crise de falta de “memória” e credibilidade se agravou quando a assessoria de Sarney alegou que a fundação apenas leva o nome dele, mas que Sarney "não participa de sua administração, nem tem responsabilidade sobre ela". O presidente da Fundação, José Carlos Souza e Silva, considerou as denúncias “levianas”. Agora, a tendência é que novas denúncias, levianas ou não, atinjam Sarney na mídia. Arthur Virgílio ironizou ontem que "a cada nova denúncia, o presidente da Casa fica menor".

A Gerência de Imprensa e Comunicação Institucional da Petrobras foi obrigada ao malabarismo jornalístico de divulgar uma segunda nota oficial, no começo da noite, para contestar parte da nota da Fundação José Sarney, na qual a empresa teria informado que "atesta o cumprimento de todas as metas do projeto e dá quitação às contas apresentadas". A Petrobras teve de explicar que não "dá quitação às contas" e sim atesta o pagamento dos valores contratados através de Termo de Recebimento Definitivo.

Na nota oficial divulgada à tarde, a Petrobras informara que a Fundação José Sarney "comprovou o cumprimento das contrapartidas" para ter direito ao patrocínio. Também acrescentou que cabe aos patrocinados prestar contas ao Ministério da Cultura. Na sequência do jogo de empurra, a assessoria do ministério informou que a fundação tem até o dia 31 deste mês para enviar toda documentação para prestação de contas dos recursos recebidos pela Lei Rouanet. Mas o ministério advertiu que só vai analisar o caso a partir do dia 1º de agosto.

Entrevista de segunda

Entrará para os anais do antijornalismo amestrado e bajulador do poder a entrevista transmitida ontem à noite pelo Jornal da Record com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rouseff.

Sob o mote de anunciar a milagrosa cura do câncer de Dilma, a conversa entre ela e a prestigiada repórter Christina Lemos ficou com todo jeitinho de “matéria paga” (ou, no mínimo “bem recomendada”) – como se diz na gíria do jornalismo de primeira em extinção, porque perdeu a distinção entre realidade, fatos objetivos e a mais pura verdade.

A “entrevista”, que ficou parecendo mais uma conversa informal em um salão de beleza, teve até erros técnicos condenados pelo mais tacanho manual de edição – como, por exemplo, o entrevistado falar olhando direto para a câmera, e não para o repórter que lhe faz perguntas.

A “entrevista” também brigou com a notícia, ao não exibir Dilma dando qualquer resposta ou
esclarecimento sobre o tema que mais abalou a imagem dela nos últimos dias: as falsas informações (que configuram crime) na plataforma de currículos Lattes, do CNPq, sobre os títulos de mestrado e doutorado que Dilma não concluiu.

CPI sai mesmo?

A base do governo no Senado aceitou dar quórum para instalar a CPI da Petrobras na semana que vem.

O governo conta com o PMDB para ter maioria na comissão.

A base governista aposta na fidelidade de oito dos 11 membros.

Horror político

O desgoverno petralha terá de contratar um especialista em limpeza de esgoto em vez de gênios em propaganda ou assessoria de imprensa.

Ainda mais depois que a revista inglesa The Economist chamou o Senado brasileiro de “Casa dos Horrores”.

O título da matéria é: “O que os membros do parlamento britânico podem aprender com os senadores brasileiros”.

Lei de Anistia vale

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, condena qualquer mudança na interpretação da Lei da Anistia para punir, agora, integrantes da estrutura repressiva da ditadura militar.

Não tem nenhum problema em relação à memória. Meu problema é que não sou partidário do revisionismo. Acho que não temos que rever o acordo de 1979, aprovado pelo Congresso”.

Foi a mensagem de Jobim, ontem, durante audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.

Causa Hondurenha

Um leitor atento nos avisa que o Grupo de Trabalho do Foro de São Paulo (FSP) emitiu uma resolução no último dia 6, na qual insta os partidos membros da “associação” a:

(...)

“c) Fazer chegar a seus respectivos países a necessidade de aumentar a pressão, incluindo, desde a ruptura de relações diplomáticas até o congelamento de todas as relações comerciais e similares”.

“d) Enviar representantes para a reunião que o Grupo de Trabalho fará dia 18 de julho, em Manágua”.

Não é curioso que esta gente, que vive clamando pelo fim do embargo a Cuba, exija agora a mesma coisa dos seus comparsas em relação a Honduras? http://www.pt.org.br/portalpt/foro/noticias.php?codigo=88

Vida que segue...

Ave atque Vale!

Fiquem com Deus.

O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Inteligente (analítico e provocador de novos valores humanos) com análise estratégica, conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva.

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 10 de Julho de 2009.

10 comentários:

Esperança disse...

O castelo de Sarney: segundo o Jornal Pequeno, senador ‘escondeu’ da Justiça castelo em Portugal
http://www.lucianacapiberibe.com/2009/05/26/o-castelo-de-sarney-segundo-o-jornal-pequeno-senador-escondeu-da-justica-castelo-em-portugal/

Quinta dos Lagos foi comprada no final de sua presidência, por meio de uma ‘offshore’ com sede num ‘paraíso fiscal’. Castelo, em estilo que lembra o período medieval, teria sido do presidente do Senado por pelo menos quatro anos
(...)

Anônimo disse...

A questão em Honduras, em minha modesta opinião, coloca em cheque a última resistência liberal no continente.
Não seria exatamente por isso, que está havendo esse "esforço" esquerdista para tentar desestruturar o pequeno país?

Unknown disse...

Por falar em PMDB

Sob condições “normais”, a imolação pública de José Sarney mereceria lautos festins. Acontece que a febre moral da grande imprensa visa apenas desgastar o PMDB governista antes das disputas de 2010. É pura campanha eleitoral.
As sucursais brasilienses existem há décadas, com repórteres alimentados por centenas de fontes em todos os níveis de poder, e nenhum deles, nenhunzinho, jamais soube de falcatruas operadas por diretores do Senado antes do governo Lula. O Sarney que presidiu a Casa e coordenou a base parlamentar do governo FHC (1995-97) era probo, literato e elegante. E nunca é demais lembrar que Agaciel Maia esteve lá por 14 anos.
Parece que duvidar da imprensa virou elogio ao coronel maranhense. Sei. Então tá. Proponho o seguinte: aspiremos bons fluídos republicanos, montemos na vassoura ética e investiguemos o PMDB de uma vez por todas. Que tal começar pelo quercismo?
Sugiro um levantamento dos órgãos e cargos ocupados por peemedebistas na atual gestão paulistana de Gilberto Kassab. Como se sabe, a vice-prefeita, Alda Marco Antônio, foi secretária dos “polêmicos” governos estaduais de Orestes Quércia (1987-90) e Luiz Antônio Fleury (1991-94) – aquele do massacre do Carandiru.
Alguém pode aproveitar o embalo para escarafunchar também o governo de José Serra, que se aliou a Quércia para vencer a disputa estadual e manter sólida maioria na Assembléia. Não parece razoável que uma aliança dessa envergadura tenha transcorrido sem qualquer, digamos, retribuição. Ora, deve restar alguma irregularidade, mínima que seja, escondida nos milhares de departamentos e incontáveis gabinetes dessas portentosas máquinas administrativas.
Ops. Cadê o furor investigativo? Agora deu preguiça?

Anônimo disse...

A Record vai empregar a "doutora" Dilma na emissôra?




kkkkkkkkkkkk
kkkkkkkkkkkk
kkkkkkkkkkkk

Anônimo disse...

Essa é boa!!!

Do Claudio Humberto:

LDO na pauta.
O Senado deve votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias até o dia 16. Ou não tem recesso. O problema é o capítulo que afasta o Tribunal de Contas da União da fiscalização de obras do governo. Deve ser rejeitado.

Anônimo disse...

Esta ''entrevista'' da Dona Dilma na Record, é para mostrar para os Bragas da vida, que aqui acessam, quando estes dizem que o jornalismo da Record é imparcial!

Renato

Paulo Figueiredo disse...

Caro Serrão,
Sarney deve ter contrariado algum interesse muito poderoso e que não pode ser revelado. O cara é ladrão notório há mais de 60 anos e era muito respeitado e reverenciado por todos, inclusive pela mídia venal, vil e servil. De repente esta pauleira? Sei não.

Paulo Figueiredo disse...

Caro Serrão,
Sarney deve ter contrariado algum interesse muito poderoso e que não pode ser revelado. O cara é ladrão notório há mais de 60 anos e era muito respeitado e reverenciado por todos, inclusive pela mídia venal, vil e servil. De repente esta pauleira? Sei não.

Esperança disse...

Censura na maior comunidade Fora Lula do Orkut.
Além de um aviso ridículo, não se pode abrir novos tópicos.

http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=73071

Anônimo disse...

Gente,

Sarney não tem jeito pois nasceu sem princípios éticos, morais e de nacionalismo. Ainda não há remédio, vendido a quilo, para modificar o caráter das pessoas. O octogenário Sarney morrerá (e espero que seja breve) com a mesma disformidade de caratér com que ele nasceu! Portanto, apenas afastá-lo da presidência do Senado é pouco. Ele deve é renunciar o mandato de senador e continuar furtando dinheiro público pelas vielas sombrias e salas de encontros existentes no Senado Federal.