terça-feira, 8 de setembro de 2009

A miopia estratégica e a indigência militar são as maiores ameaças à soberania do Brasil

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Luiz Eduardo Rocha Paiva


O Brasil se deixou levar pela histeria populista dos líderes bolivarianos contra o acordo para a utilização de bases na Colômbia pelos EUA. Qual foi, até hoje, a alternativa apresentada pelo Brasil e vizinhos ao governo colombiano, eleito democraticamente, para apoiá-lo contra a narcoguerrilha que busca tomar o poder pela força?

Ao contrário, o governo brasileiro, veladamente, tem simpatia pelas FARC, enquanto o Equador e a Venezuela já não conseguem esconder o apoio ostensivo àquela organização criminosa. A quem a Colômbia poderia recorrer?

Mais uma vez, nossa política exterior usou de "dois pesos e duas medidas", deixando a Nação em dúvida sobre quem dá o tom nos assuntos de América Latina. O profissional Misnistério das Relações Exteriores ou o ideológico "assessor especial de assuntos internacionais" ?

O governo omitiu-se quando o presidente Chávez propôs à Rússia instalar bases na Venezuela, em sua recente visita àquela potência. O Brasil passa a imagem de ator terceiro-mundista, agindo constantemente a reboque do presidente venezuelano e de seus aliados - Evo e Correa - todos os três peões do Foro de São Paulo e grandes óbices à integração regional. Esse perfil não credencia o Brasil como líder capaz de conduzir a integração latino-americana.

Há, nitidamente, o fator ideológico na posição adotada pelo País. Existem duas linhas de pensamento no governo, uma social democrata e outra socialista radical, que segue as estratégias do Foro de São Paulo para a tomada do poder e implantação de regimes totalitários e internacionalistas na América do Sul.

O segmento socialista ocupa a Casa Civil, o Ministério da Justiça, a Secretaria de Comunicação de Governo, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e a Assessoria Especial de Assuntos Internacionais, além de outras instâncias do Executivo. Esse setor não tem lideranças nacionais expressivas e precisa contar com o presidente da República, que parece observar a evolução dos acontecimentos para adotar, no futuro, a linha com maiores chances de prevalecer.

As bases colombianas, mesmo usadas pelos EUA, não seriam um problema se o Brasil dispusesse de poder militar à altura da posição que pretende ocupar no cenário internacional. O que nos ameaça é a nossa fraqueza, pois "entre outros males, estar desarmado significa ser desprezível" (Maquiavel).

Nas relações internacionais, o poder do mais forte é aplicado sempre que estão em jogo interesses importantes ou vitais. Se a opção militar for necessária para resolver um conflito, uma potência empregará as Forças Armadas desde que o oponente e seus possíveis aliados não tenham capacidade de dissuasão. Assim fizeram os EUA nos Balcãs, no Oriente Médio e na Ásia Central, e assim farão na Amazônia se o país não integrar a região.

As Forças Armadas brasileiras estão totalmente incapacitadas para resistir à intervenção militar de potências, em face do absoluto e indesculpável desprezo de sucessivos governos pela defesa nacional. Em que pese o admirável valor moral e profissional do militar e da tropa, que mantêm o compromisso com a Nação, a crença em seus ideais e o amor às Instituições, a despeito de toda adversidade, as exigências do campo de batalha atual estão, e continuarão por muito tempo, bem acima do nível de preparo e equipamento de nossas Forças.

As sociedades das potências ocidentais atingiram um elevado nível de vida e consomem imensa quantidade de recursos, que seus países não podem prover a partir dos próprios territórios ou precisam tê-los como reserva estratégica. É interesse vital garantir o acesso privilegiado a matérias primas e, para isso, projetam poder político-militar sobre áreas detentoras de tais recursos. Assim, precisam manter o status de potências dominantes para controlar regiões de alto valor geopolítico ou negá-las a seus rivais.

Na Amazônia, as potências ocidentais aplicam uma estratégia tácita e velada, desde o início dos anos 90, para impor-nos a soberania compartilhada na região. São ações sucessivas exitosas, pois os governos a elas se dobram voluntariamente, negociando soberania por interesses menores e tornando efetiva e interna uma ameaça antes latente e distante.

É incoerência preocupar-se com as bases em tela e não ver ameaça na demarcação de dezenas de imensas terras indígenas (TI) na faixa de fronteiras, onde o índio é liderado por ONGs estrangeiras financiadas por potências alienígenas, inclusive os EUA. Nessas terras, haverá grandes populações indígenas em algumas décadas, que não se sentirão brasileiras por não estarem integradas à Nação.

Há 18 anos, quando foi demarcada a TI Ianomâmi, quem alertava para o risco à soberania nacional era ridicularizado. Hoje, ONU, OEA, ONGs, líderes e povos estrangeiros já não reconhecem o indígena como brasileiro e defendem a autonomia das TI com base em Declaração aprovada na ONU com voto favorável do Brasil. Essas TI desnacionalizadas estão dentro do Brasil, ao contrário das bases colombianas.

A ameaça na Amazônia só será revertida se for implantada uma estratégia soberana e corajosa de ocupação, desenvolvimento, preservação e integração da região e se for trocada a atual política indígena segregadora por uma integradora. Portanto, é o campo político o principal ator para neutralizar a ameaça antes que ela chegue ao campo militar, pois este será extremamente vulnerável por muito tempo.

A reação brasileira no episódio das bases, ainda que impedisse a concretização do acordo entre a Colômbia e os EUA, pouco contribuiria para a segurança da Amazônia. O Brasil supervalorizou o periférico em detrimento do fundamental, demonstrou falta de percepção da real ameaça e desnudou seu alinhamento ideológico. A rigor, as bases e os índios, em si, não são ameaças à soberania, mas sim a miopia estratégica, a indigência militar e a ultrapassada orientação ideológica socialista-internacionalista de nossa liderança.

Luiz Eduardo Rocha Paiva é general da reserva e professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. Artigo originalmente publicado no Globo On Line de 4 de setembro.

8 comentários:

Anônimo disse...

Cumprem-se as diretrizes do Diálogo Interamericano e do Consenso de Whasghinton: prá que soberania? Prá que FFAA se todos estaremos amparados pelo Governo Mundial?

Anônimo disse...

Excepcional matéria do brasileiro General Luiz Eduardo Rocha Paiva. Parabéns.
Seguindo, entretanto, o que diz o Professor Armindo Abreu, egresso da mesma ESG, toda esta corrida armamentista pode fazer parte de um bem concebido plano maior de dominação pela divisão, pela discórdia, pela guerra, e, posteriormente, pela dominação territorial e de suas riquezas. Parte deste plano, possivelmente, já se pôs em marcha com a demarcação das terras indígenas, veja a recente Raposa Serra do Sol.
A miopia é olhar todos estes acontecimentos de forma isolada.

Como seria bom um comentário do Professor Armindo Abreu e do Jornalista Jorge Serrão a este respeito...

Anônimo disse...

Está claro: O simplório presidente LULA não sabe o que diz nem o que faz no cenário internacional. Marco Aurélio Garcia e Celso Amorim estão no comando. Flerta com Fidel, Chavez, Correa, Morales, Lugo e as FARC, o que há de mais retrógrado na América Latina. Entregou o vasto território Raposa Serra do Sol às ONGs, entregou os investimentos da Petrobrás na Bolívia, fez concessões não autorizadas no Tratado de Itaipu e perdoou inúmeras dívidas de governos corruptos e incompetentes. Enfim, cedeu gratuitamente às custas da nação brasileira. E agora compra armas francesas alegando proteção da Amazonia e das reservas do pré-sal. Proteger o quê mesmo, e contra quem? Diante das potencias militares de primeira grandeza, as FFAA nacionais continuarão sendo uma força tecnicamente inexpressiva se o Brasil seguir vulnerável sob lideranças entreguistas.

Luiz Tadeu Seidel Bernardina disse...

Sobre comentário do anônimo, achar que um governo mundial tomará conta de todos é triste e inconcebível.
Com relação à matéria do General Luiz Eduardo Rocha Paiva, muito boa.

Jbmartins-Contra o Golpe disse...

Leiam mais, comecem pelo Livro "quem vai pagar a conta" da Editora Record,
Ja coloquei alguns comentarios que não foram publicados????por que????

Unknown disse...

Vivo na amazônia há alguns anos, específicamente no Estado de Roraima. Inaceitável a atual demarcação da TI Raposa-Serra do Sol, a qual somente o ilustre Ministro e PATRIOTA Marco Aurélio Melo teve a coragem de se insurgir. É uma afronta às pessoas que dedicaram suas vidas a ocupar, desenvolver e proteger aquela região. Não devíamos estar felizes com a compra de 36 novos caças, pois nossa necessidade é bem maior, enquanto nosso belicoso vizinho Chavez se aparelha. Parabéns General Eduardo Rocha Paiva, como reservista do serviço militar, corroboro com vosso brilhante pensamento, pois precisamos de conferir às nossas FFAA modernidade e capacidade de dissuasão, fazendo nossos possíveis agressores pensarem duas vezes antes de qualquer ação atentatória à nossa soberania.

Anônimo disse...

Ao anônimo 7:15 AM

Estamos cada vez mais próximos dos planos do globalismo mundial e o objetivo mais urgente para eles é implantar os micro-chips.

Leia o blog: http://umanovaordemmundial.blogspot.com/

Anônimo disse...

Que a narcoguerrilha é um fator de instabilidade para o continente, não tenho dúvidas, General. Entretanto, ponho em dúvida a hipótese que "as bases norte-americanas não seriam problema caso o Brasil estivesse equipado à altura"... Esta observação soaria otimista até mesmo para um cego. Com efeito, caso a nação Brasileira dispussesse, em bases bem equipadas, de 4 porta-aviões nucleares da classe Nimitz ou meia dúzia de naves da categoria do Kuznetzov - com um montão de SU-27B no convés. Nesse caso, poderia ser. E faríamos bonitos num confronto com o Império do Norte. Mesmo assim, nos faltaria alguma coisa. Ah, já sei: umas duas mil ogivas nucleares instaladas em ICBMS. Não, o Brasil tem que se firmar como potência regional. Suave na diplomacia, mas com recado forte no campo militar. Parece-me que a aproximação com a União Europeia é a saída mais adequada. Afasta-nos do corrupto e decadente E.U.A, situa-nos num campo ideológico "neutro" (vive la politique française!), ao mesmo tempo em que coloca paisecos pretensiosos como a Venezuela nos seus devidos lugares. A "bordoada" que Monsieur Lulalá está a dar não se dirige somente à face ianque, mas também ao bochechudo do Chaves.
Curioso mesmo, é o fato do FHC ter adquirido um montão de porcarias como o MBT M-60, dos tempos do Vietname, e ninguém abrir o bico para reclamar. Agora, os pelados reclamam dos Rafale... Vá entender!