sábado, 26 de setembro de 2009

Momento decisivo

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Adriano Benayon


Há bastante tempo trato do colapso mundial e de suas seqüelas. Insisto nesse tema, porque se está diante de algo cuja dimensão implica um salto de qualidade, para baixo, na história do homem.

A tendência é instalar-se longo período de trevas, como na Europa no final da Idade Média, ou ainda pior: o império totalitário, que se quer implantar em definitivo, controlando os recursos tecnológicos e tudo mais. É, portanto, importante que se despertem consciências para evitar a supressão da humanidade, em andamento por conta desse desígnio da oligarquia concentradora.

Continuam em expansão imensas bolhas especulativas nos mercados financeiros mundiais, aumentadas por meio de mais emissões de moeda e de títulos que as dinastias oligárquicas forçam os governos a fazer.

Nada disso foi revertido. Bem ao contrário. Entretanto, políticos e grande parte da mídia, na Alemanha e na França comemoram o “próximo fim” da crise e a recuperação da economia, porque as estatísticas indicam ligeira elevação no PIB desses dois países, de abril a junho, além da alta das bolsas de valores.

A causa dessa alta, que infla mais as bolhas, é que parte dos trilhões de euros despejados nos bancos são aplicados nessas bolsas e nas de mercadorias, como mostrei em artigo deste mês, “Às vésperas do desenlace”.

Leia-se Ulrich Rippert, na Global Research, em 23.08.2009:

“Comparada com um ano atrás, a economia alemã apresenta declínio de 7%. Dentro de poucos meses, o esquema alemão de ‘dinheiro para sucatas’ vai expirar, acelerando a queda da indústria automobilística e de autopeças. As conseqüências para as indústrias siderúrgica, química e de máquinas ferramentas alemãs já se fizeram sentir.”

Mesmo na França e na Alemanha, onde - ao contrário do Reino Unido, da Espanha, da Itália e da maioria dos demais na Europa - o Estado ainda não se considera falido, as dívidas públicas crescem vertiginosamente. Há, pois, sérias dúvidas sobre a capacidade financeira e política dos governos de conceder novos pacotes trilionários para cobrir os rombos das antigas bolhas, não de todo rebentadas, e os das mais recentes.

É o que acontece em maior dimensão nos EUA, onde o Tesouro federal e os dos Estados têm dívidas incontroláveis.

Cito Bob Chapman (Global Research, 13.08.2009): “A bolha do FED em favor de Wall Street, vai precisar de, pelo menos, US$ 2 trilhões mais em 2010, apenas para que a economia não soçobre.”

Há liquidações em massa por fazer nos bancos e indenizações de seguros. O que o Tesouro dos EUA e o FED terão de meter nisso ultrapassa, em muito, os US$ 23,4 trilhões já despejados, usando dinheiro dos contribuintes e emitindo moeda e títulos públicos.

Aduz Chapman que o FED está em processo de monetizar US$ 2 trilhões em títulos do Tesouro e das agências públicas da área imobiliária, bem como obrigações em colateral, detidas por emprestadores. Diz mais: “É segredo o que o FED está pagando por esses papéis quase sem valor.”

Enquanto isso, órgãos da imprensa mundial transbordam de otimismo: O semanário Die Zeit, de Hamburgo: “Finalmente, a Recuperação!” O New York Times: “Banqueiros de Investimentos estabelecem tendência de alta.” E o Wall Street Journal: “Mais progresso no mundo dos negócios”

Rippert observa que essas manchetes lembram as de 1931, quando as bolsas haviam recuperado parte do perdido em 1929, embora, em 1931, a depressão estivesse em marcha. Como tenho afirmado, ela só terminou nos EUA em 1943, enquanto a maior parte do Mundo era devastada com a 2ª Guerra Mundial.

O emprego nos EUA galopa para o fundo, já se tendo acumulado mais de 9 milhões de novos desempregados nos últimos 30 meses. Na Europa a taxa de desemprego também cresceu e aumentará mais, com a dispensa dos que estão em horário reduzido.

BRASIL

Há poucos indicadores positivos e sempre, é claro, dentro dos absurdos estruturais que fazem vegetar na miséria ou em condições inadequadas a maioria da população, em afronta a seu belo potencial e aos maravilhosos recursos naturais.

Em dois anos, de 2007 a 2009, a taxa oficial de desemprego dobrou para quase 15%. O salário médio caiu mais de 20% desde 2005. De janeiro a julho de 2009, em comparação com 2008, as inadimplências de empresas cresceram 30%, e houve queda de 24% no valor das exportações e de 30% no das importações.

Como tenho dito, o Brasil não está imune à depressão mundial, que se aprofunda. Em 1º lugar, as empresas grandes e medias estão nas mãos de transnacionais sediadas no exterior, à exceção de poucas estatais, como a Petrobrás, e alguns conglomerados privados, ainda assim com participação estrangeira.

Em 2º lugar, nas exportações os bens intensivos de recursos naturais têm participação cada vez maior, já da ordem de 70%, no total. Isso denota a estrutura semicolonial do País, uma vez que no comércio mundial a participação desses bens é da ordem de 10%.

As commodities tiveram alta em 2009, em função da especulação com o dinheiro que sobra nos países importadores, cujos detentores não investem produtivamente, em face da depressão. Com o prosseguimento desta e a acumulação de estoques, especialmente na China, a demanda pelas commodities vai cair muito.

A China, que se tornou o principal importador do Brasil, também está às portas de crise, decorrente da especulação, tendo os lucros das empresas caído 30%, enquanto o índice da bolsa de Changai se elevou em 80%. Ademais, forma-se naquele país colapso imobiliário de grande intensidade.

Há, ainda, enormes perdas à vista com o iminente afundamento do dólar. Para China, Japão e outros, o montante dos títulos em dólar é catastrófico. No Brasil, eles formam a quase totalidade das reservas. Ora, sem contar o impacto proveniente da queda econômica naqueles países, isso é suficiente para tornar insustentável a posição das contas externas.

Mesmo antes de isso ocorrer, a economia brasileira vem sendo, há muito tempo, enfraquecida por se ter tornado a zona livre de saqueio que descrevi em numerosos artigos anteriores.

A estreiteza do campo de visão, por ideologia e pela mesquinhez da ótica partidária, faz que a maioria da opinião se divida em dois grupos: 1) os que imaginam estar tudo bem, acreditando que Lula faz o melhor possível, dadas as pressões do poder econômico (estrangeiro); 2) os que crêem que as coisas estão péssimas, em face de crise ética, fomentada pela mídia e por políticos “atucanados”, cujo próprio rabo fingem não enxergar. Pretendem fazer esquecer os profundos estragos estruturais infligidos ao País nos oito anos do deletério reinado de 1995 a 2002.

Uns e outros ignoram o baixo potencial de progresso e de criação de empregos sob a atual estrutura econômica, que o próprio BNDES torna ainda mais concentrada, financiando principalmente empresas transnacionais, além de poucas estatais e conglomerados privados, como mostrou M.A. Campanella, em artigo disponível em www.horadopovo.com.br.

Vai ser precisa perspectiva bem diferente para que o Brasil se salve do naufrágio global.

Adriano Benayon é Doutor em Economia. Autor de “Globalização versus Desenvolvimento”, editora Escrituras. abenayon@brturbo.com.br

5 comentários:

Anônimo disse...

Um cenário similar descambou na II Guerra Mundial. Então o que temos de esperar é que o Hitler da Venezuela comece a devastação bolivariana com armas e os aliados do norte venham socorrer a "democracia'(?) e determinar a nova divisão territorial, atrelada ao governo mundial.
É o fundo do poço...

Esperança disse...

Molecagem

Armação bem ao gosto de subversivos e terroristas que infestaram o Brasil por duas décadas foi a que aplicaram em favor do deposto Zelaya, candidato a ditador por Honduras. E que armação. Na verdade uma molecagem do governo brasileiro através de apoio logístico até a embaixada, e lá está ele proferindo até discursos, ao arrepio da lei. Esse tipo de expediente não deve surpreender em se tratando de integrantes da gang do Planalto.

Há um Diógenes por lá que sabe muito bem como programar esse tipo de ação, ele que não raras vezes puxou o gatilho, assassinando até pessoas inocentes. O caso mais explosivo foi a morte do Capitão Chandler, adido militar americano que, por ser americano, tombou na frente da esposa e das filhas. Foram seis tiros disparados da arma do criminoso Diógenes, hoje petista pendurado no ubre do governo.

Em nome do comunismo que queriam implantar no Brasil. Marco Aurélio Garcia, aquele do indecente top-top, é outro “linha de frente” do terrorismo, Dilma Rousseff, da Var Palmares, algo como um “Comando Vermelho” da época, mas mais sanguinário, José Genoino, Carlos Minc, o próprio Zé Dirceu, enfim, nesse governo não faltam especialistas para esses tipos de trapaças. Afora outros que tombaram em confronto, embora familiares estejam hoje se locupletando com dinheiro público pelo fato de seus bandidos terem sido eliminados. Eliminados para o bem do Brasil. A propósito: Todos eles eliminados em confronto. Todos os delinqüentes que tombaram o foram em confronto. E pelo lado das forças que defendiam o País da tentativa comunista, cento e oitenta morreram através de emboscadas, bombas em locais públicos, assaltos a bancos, seqüestros, etc.

Hoje, o que provoca repulsa são molecagens dessa natureza de Honduras serem perpetradas “em nome do Brasil”, como se o País fosse quintal de Petralhas desqualificados para a vida diplomática. De que me adianta não me considerar representado por esse bando? De que me adianta não reconhecer Lula como meu presidente ? De que me adianta me colocar à margem dessa desfaçatez e cruel destempero ? Eles falam em nome do Brasil e lá fora acabamos todos comprometidos. Eta sisteminha cruel, brutal e indigesto para aqueles que pelo menos sentem vergonha em ter que tolerar tanto atrevimento, insolência e cinismo.

Isto Posto - Coluna de Paulo Martins na Gazeta do Paraná

Esperança disse...

Molecagem

Armação bem ao gosto de subversivos e terroristas que infestaram o Brasil por duas décadas foi a que aplicaram em favor do deposto Zelaya, candidato a ditador por Honduras. E que armação. Na verdade uma molecagem do governo brasileiro através de apoio logístico até a embaixada, e lá está ele proferindo até discursos, ao arrepio da lei. Esse tipo de expediente não deve surpreender em se tratando de integrantes da gang do Planalto.

Há um Diógenes por lá que sabe muito bem como programar esse tipo de ação, ele que não raras vezes puxou o gatilho, assassinando até pessoas inocentes. O caso mais explosivo foi a morte do Capitão Chandler, adido militar americano que, por ser americano, tombou na frente da esposa e das filhas. Foram seis tiros disparados da arma do criminoso Diógenes, hoje petista pendurado no ubre do governo.

Em nome do comunismo que queriam implantar no Brasil. Marco Aurélio Garcia, aquele do indecente top-top, é outro “linha de frente” do terrorismo, Dilma Rousseff, da Var Palmares, algo como um “Comando Vermelho” da época, mas mais sanguinário, José Genoino, Carlos Minc, o próprio Zé Dirceu, enfim, nesse governo não faltam especialistas para esses tipos de trapaças. Afora outros que tombaram em confronto, embora familiares estejam hoje se locupletando com dinheiro público pelo fato de seus bandidos terem sido eliminados. Eliminados para o bem do Brasil. A propósito: Todos eles eliminados em confronto. Todos os delinqüentes que tombaram o foram em confronto. E pelo lado das forças que defendiam o País da tentativa comunista, cento e oitenta morreram através de emboscadas, bombas em locais públicos, assaltos a bancos, seqüestros, etc.

Hoje, o que provoca repulsa são molecagens dessa natureza de Honduras serem perpetradas “em nome do Brasil”, como se o País fosse quintal de Petralhas desqualificados para a vida diplomática. De que me adianta não me considerar representado por esse bando? De que me adianta não reconhecer Lula como meu presidente ? De que me adianta me colocar à margem dessa desfaçatez e cruel destempero ? Eles falam em nome do Brasil e lá fora acabamos todos comprometidos. Eta sisteminha cruel, brutal e indigesto para aqueles que pelo menos sentem vergonha em ter que tolerar tanto atrevimento, insolência e cinismo.

Isto Posto - Coluna de Paulo Martins na Gazeta do Paraná

Anônimo disse...

Excelente artigo! Parabéns!

Anônimo disse...

Jorge, você é maçon?

Lima