sábado, 5 de setembro de 2009

O Globo e os lobistas, Tudo a ver...

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por José Carlos Moutinho

O presidente da AEPET (Associação dos Engenheiros da Petrobrás), Fernando Leite Siqueira, após analisar diversas matérias dos jornais deste final de semana, que terminou no dia 30/08, avaliou que os lobistas do setor privado, notadamente das multinacionais, jogaram tudo em suas matérias contrárias às mudanças na atual legislação do petróleo (Lei 9478/97). Destaque em tais textos: o presidente do IBP e ex-presidente da Repsol (Brasil), João Carlos De Luca, `lobista-mór` do empresariado.

A estratégia é clara: atrasar ao máximo o processo de mudança na legislação, pois eles, na opinião de Siqueira, pretendem ganhar tempo para eleger os candidatos do PSDB e retornar aos tempos do FHC, com a consequente retomada da entregar do patrimônio nacional`.
Outro personagem destacado pela mídia foi o secretário de Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro, Júlio Bueno, afirmando que o Brasil tem pressa. Siqueira rebateu: `O Brasil não tem pressa nenhuma, pois já tenha a autossuficiência para daqui a vinte anos`.

O presidente da AEPET destacou, também, que a pressa pode gerar uma `doença holandesa`, notadamente pelo fato de ocorrer uma volumosa entrada de dólares no País, o que poderá desvalorizar o real e quebrar todos os segmentos fora do setor petróleo, tornando o Brasil dependente de um único produto. `Isto é péssimo para o desenvolvimento nacional. O pré-sal deve ser desenvolvido de forma gradativa e coerente com a estratégica energética do País`, sublinhou.

O questionável editorial do `O Globo` - Sobre o editorial do jornal `O Globo` deste domingo (30/08), intitulado `Retrocesso`, Siqueira destacou alguns pontos cruciais. Disse o editorial: `Qualquer que seja a proposta que o governo deverá anunciar amanhã, para a exploração do pré-sal, será um retrocesso`... Siqueira: `Como pode o jornal, que desconhece a proposta, antes da divulgação desta segunda-feira (31/08), dizer que é um retrocesso?`.

O editorial disse, também, que a Lei 9478/97 `mostrou sua eficácia` e atribui a esta o descobrimento do pré-sal. Para Siqueira tal afirmativa é uma `falácia brutal`, a citada lei não permitiu a autossuficiência nenhuma, pois 95% dos poços em produção, hoje, foram descobertos antes da vigência desta lei. Os poços foram descobertos na vigência da Lei 2004/53.

O jornal carioca disse, também, que as empresas estrangeiras trouxeram contribuições importantes. Siqueira afirmou: `Elas não trouxeram nenhuma contribuição, apenas se associaram à Petrobrás para comprar blocos nos leilões da ANP, pois não possuem a tecnologia que a Petrobrás dispõe. A Estatal brasileira foi obrigada a se associar nos leilões, pois o FHC estrangulou a Empresa economicamente - cortando orçamento, impedindo que ela elevasse os preços dos derivados, impedindo que ela tomasse empréstimos de qualquer tipo, tanto no Brasil quanto no exterior entre outras medidas. FHC colocou a Empresa numa situação de ter que admitir associação com outras empresas. Essas empresas, notadamente estrangeiras, sem tecnologia, pegaram carona na Petrobrás`.

Outra afirmativa da direção de O Globo foi a de que a atividade da indústria do petróleo fez com que a União arrecadasse somas consideráveis provenientes dos diferentes impostos.
Siqueira destacou que o Brasil recebe, hoje, menos da metade dos impostos do que recebem os países exportadores mundiais, onde a média é 84%. O Brasil recebe, no máximo, 45%.

O auge do discurso entreguista de O Globo foi quando afirmou que o contrato de partilha, proposto pelo Governo Federal, após discussões na comissão interministerial, é autoritário. `O contrato de partilha é extremamente controverso, pois é mais usual nos países de regime autoritário`, disse o jornal.

`Essa é uma outra grande mentira, pois o contrato de partilha é o mais usado pelos países produtores de petróleo de um modo geral. Desses países, só nos EUA vige o regime de concessão, pois as empresas são todas norte-americanas ou anglo-americanas, mas são do mesmo dono - os Rockfeller e os Rotschild`. E Siqueira sublinhou que os EUA não deixam que o seu petróleo seja exportado em nenhuma hipótese.

O referido editorial destacou que União faz distribuição de sua parcela de recursos oriundos do petróleo com outros Estados. `O correto seria a União ter uma participação de 84%. E aí sim, ela poderia manter os atuais recebimentos dos estados produtores e estender esses recursos, embora num percentual um pouco menor, a todos os Estados e municípios do País`.
Siqueira ressaltou que o pré-sal gerará uma riqueza da ordem de US$ 30 trilhões, ou seja, quinze vezes a atual dívida interna brasileira.

Por último, O Globo afirma que a proposta do governo `é retornar o velho e retrogado monopólio, induzido pela ideologia estatizante que reina em Brasília. É um saudosismo sem fundamento, que já interrompeu o transcurso de novas concessões do pré-sal`.

Sobre tal assertiva, Siqueira lembrou que no mundo todo a tendência é pela estatização do setor petróleo, tendo em vista que petróleo não é uma `commodity` ou um produto qualquer, mas um recurso estratégico. Ele sublinhou que no mundo, hoje, há cerca de 75% do petróleo de posse de empresas estatais e mais uns 5% estatais menores. Ou seja, 80% das reservas de petróleo pertencem a empresas estatais, com tendência de aumento.

`O que é retrogrado, hoje, é o cartel das empresas privadas, que já tiveram a posse de 90% do petróleo mundial, hoje estão apenas com 3% a 5%. Nesse sentido, aumentar a propriedade dessas empresas é que será um retrocesso brutal. E os países que aceitarem tal retrocesso, estarão abrindo mão de sua soberania e poder econômico que podem obter com o petróleo`, asseverou Siqueira.

Assim, O Globo mais uma vez se revelou como uma liderança midiática dos lobistas internacionais. Ou seja, `O Globo e os lobistas, tudo a ver`.

José Carlos Moutinho é Jornalista.

5 comentários:

Anônimo disse...

Afinal Sr.Serrão. De quem é o petróleo brasileiro? É do estado? Esse estado corrupto e incompetente que faz do Brasil sua cloaca? Afinal, o petróleo não é nosso. É deles, os que mamam nas tetas deste estado. E agora contrataram guardiões. A curriola do PT. Salve-se quem puder...

Armando Andrade disse...

FHC=Privatiza ou ULA=Sindicalismo.
O que é que muda? Internacionalização?
Ambos são da mesma laia.
No fundo, querem poder e o deles. A BR está nas mãos de quem hoje? Não sabe? Vá lá e pergunte aos antigos concursados que eles mostrarão que "entrou pela janela", "as empresas terceirizadas vinda do rincão paulista e dos covis petistas", "nauseabundos salários dessa gentalha", "manipulações daqui e do além" ou royalties pro esbanjamento. Este não é um país sério!

Honório Salgado disse...

Serrão,

voce bebeu suco de carambola? O que este defensor do capimunismo tupiniquim está fazendo aqui no Alerta Total?

É por isto que só temos candidatos comunistas em 2010.

Paulo Pereira disse...

blog foi invadido?!?!?!

Anônimo disse...

Serrão

Explicação 1- A populista e demagógica

Se o "petróleo é nosso", por que a Petrobrás investe tanto dinheiro lá fora e não deixa todo o nosso dinheiro aqui dentro, para que o petróleo do pré-sal venha mais ligeiro, para resolver os nossos problemas da fome e da educação? A senhora e o senhor sabiam que a Petrobrás , onde a Dilma é presidente do Conselho de Administração, investiu R$ 25 bilhões pelo mundo á fora, para produzir "petróleo que não é nosso"? E que vai investir mais R$ 3l bilhões até 2013, na Venezuela, em Angola, na Bolívia, no Equador e em Cuba, entre outros países? Se o "petróleo é nosso", por que a Dilma, que é presidente do Conselho de Administração da empresa, quer gastar o nosso dinheiro, o DINHEIRO DO BRASIL, para produzir "petróleo que não é nosso"? A Dilma e o PT acusam o governo Fernando Henrique Cardoso de QUERER PRIVATIZAR a Petrobrás, mas vejam a diferença: enquanto FHC invstiu R$ 5 bilhões lá fora, a Petrobrás , onde quem manda é a Dilma , investiu R$ 15 bilhões! E agora que investir mais R$ 30 bilhões na Venezuela, na Bolívia , no Equador e em Cuba. Afinal de contas, quem é que esta ENTREGANDO A PETROBRÁS PARA OS ESTRANGEIROS? Quem é que esta tirando dinheiro aqui do Brasil para tirar "petróleo que não é nosso" lá do fundo do mar? Queremos uma PETROBRÁS BRASILEIRA! Chega de mandar dinheiro para Chavez, para Fídel, para o Evo Morales, que nos tirou duas refinarias para o Rafael Correa, que nos expulsou de lá, e botar mais dinheiro no Brasil. Com este dinheiro que a Petrobrás gasta lá fora, para tirar "petróleo para os outros", poderia ser feita mais uma refinaria no Ceará , outra no Rio Grande do Norte, sem precisar do Chávez! Não adianta a Dilma falar que o "petróleo é nosso", enquanto a Petrobrás manda o nosso dinheiro para outros países, para produzir o "petróleo dos outros".
Explicação 2- A politicamente correta.

Você sabia que graças á lei do petróleo, aprovada pelos tucanos, a Petrobrás tornou-se a oitava maior empresa do mundo? Se a Petrobrás tivesse ficado fechada, como os petistas queriam quando estavam na oposição, vocês acham que ela estaria explorando petróleo no mundo inteiro? Você sabe: que para trabalhar em outros países, você precisa deixar os outros trabalharem no seu país. É uma troca que dá lucro para todo mundo. Tanto é que, depois que FHC mudou a lei do petróleo, a Petrobrás só cresceu, se transformando na oitava maior empresa do mundo! Então vamos convidar você para viajar pelo mundo, para ver onde a Petrobrás está, graças a ela ter se tornado uma multinacional brasileira(citar dados do relatório 2008 da empres, na página 74). Depois de ver a nossa Petrobrás fazendo sucesso no mundo, só temos a dizer uma coisa: a Dilma não acha isso ruim, não. Ela, que sempre mandou na empresa, pois era a presidente do seu Conselho de Administração, tornou a Petrobrás ainda mais multinacional: os investimentos no exterior triplicaram, saltaram de R$ 5 bilhões para R$ 15 bilhões. Dilma viu o quanto estava certo fazer a Petrobrás crescer lá fora. Tanto é que, agora, em vez de acelarar o pré-sal, pretende botar mais R$ 30 bilhões em outros países, três vezes o dinheiro da Bolsa Família. Se a Petrobrás tivesse que cair nesta conversa mole o "petróleo é nosso" ela deixaria o dinheiro aqui, não é mesmo? Então, quando a Dilma falar essa bobagem do "petróleo é nosso" pergunte para ela: mas quando o "petróleo não foi nosso"? Ela vai ficar sem ter o que responder, pois a Petrobrás não seria tão grande no mundo inteiro, se o Brasil tivesse ficado fechado para o mercado.