quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Tenho direito a anistia, sim!

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por José Anselmo dos Santos

Prezado Serrão, mais uma vez, solicito espaço neste outdoor virtual que é o Alerta Total, para agradecer aos que comentaram sua matéria e a entrevista veiculada pela Rede Bandeirantes. Também para manifestar publicamente minha gratidão ao Dr. João Saad, às equipes profissionais da Band, editores e entrevistadores, pela fidalguia que manifestaram e pelo respeito à liberdade de expressão.

As reações que tenho lido reafirmam a percepção mais antiga sobre o valor da educação para o diálogo racional, para o respeito entre pessoas na construção de qualquer obra. Mais ainda para a construção de uma nação. Existem mais de 300 mil citações nos mecanismos de busca repetindo as mesmas mentiras, entremeadas de xingamentos e ameaças contra o personagem-mito-inventado “Cabo” Anselmo.

Pela primeira vez posso ler comentários positivos e coerentes de pessoas identificadas e anônimas que percebem que as Forças Armadas são os mocinhos e não os “bandidos” na história mal contada.

Que a violência e a truculência de um pequeno grupo estava em cena para lidar com a violência e a truculência de moços brasileiros e internacionalistas que acreditavam numa revolução. Fanatizados que não alcançaram perceber o quanto se distanciaram dos reais anseios da nação crente e pacifica, para defender a causa dos sem pátria.

Perguntaram se não sentia medo. E não estamos todos expostos às balas perdidas, aos seqüestros relâmpago, aos acidentes naturais, à violência cotidiana que restringe a segurança dos cidadãos? Não é o medo uma arma política amplamente utilizada pelos poderosos para submeter os simples? Como dizia Guimarães Rosa, “viver é muito perigoso”... em qualquer circunstância.

Viver é cumprir a missão humana extraordinária, buscando dignidade, buscando a razão e compreensão da vida. A diferença entre as pessoas está no que acreditam e que determina escolhas, continuadas. Os que têm crenças procedem de um modo.

Os fanáticos parecem mover-se teleguiados, como se tivessem um chip de comando que os limita e impede de ouvir e pensar livremente. Estes desejam eliminar tudo e todos que os impedem de destruir a obra humana, para reconstruir à sua imagem e semelhança.

Espero sim que se cumpra a Lei da Anistia. Quero sim alertar a juventude para que se ultrapasse a onda de revanchismo, xingamentos, pré julgamentos e opiniões ligeiras como as dos Ministros da Justiça e do Meio Ambiente, que parecem sinalizar: a Lei não será cumprida. O Estado Democrático de Direito garante a liberdade das pessoas atentas aos deveres da sociedade.

Nesta crença e linha de conduta, meu defensor certamente recorrerá a todas as instâncias até obter o cumprimento da Lei, em obediência às regras do estado democrático de direito, que ainda estão acima, creio, dos argumentos explicitados pelos fanáticos da ideologia neo comunista ou pela paixão radical de meia dúzia de moucos em estado de cegueira.

Um amigo me diz: “o que ficou claro para mim foi que tortura e porrada, nem a morte faz alguém "mudar de lado". Como o conheço, aprendi que o que faz é a quebra do paradigma, da convicção do deixar de crer nesta ou naquela verdade...é a desilusão”. Bingo!

Foi mesmo a desilusão, a percepção do envolvimento com a loucura sanguinária, a experiência de dois anos em Cuba, a mesma impossibilidade de convencer fanáticos clandestinos alheios à realidade um fator de decisão. Foi o contato com o ambiente de ferocidade e desprezo humano, de ambos os lados, que reforçou a escolha que rotulam de traição, sem considerar as verdadeiras intenções e conseqüências pendentes naqueles dias.

Hoje li mais de cem manifestações. Umas poucas com xingamentos normais, linguagem preferida nas manifestações dos que não suportam ou não sabem dialogar. A quase totalidade acrescentando raciocínios lógicos, eqüidistantes do que se costuma rotular de esquerda ou de “ditadores”, “torturadores”, “animais” que os impediram de comunizar o Brasil e vencer a guerra contra o “imperialismo americano” para submeter-se ao “imperialismo soviético ou chinês ou albanês - ou cubano?

Alguém escreveu sobre a “coragem de admitir seus erros”. Não considero coragem, mas dever perante a nação (que chamam “povo”). Dever de consciência - “Perguntem aos parentes vitimas do terrorismo imposto pelos Revolucionários, como aqueles que estavam saindo do cinema Gazeta na Av paulista...” – e tantos outros, incontados e não identificados, que sofreram as conseqüências e carregam, calados, as cicatrizes.

A estes últimos dirijo meu apreço. Como também aos milhões que trabalham e aos milhões que esperam poder trabalhar com dignidade, sem depender de bicos ou esmolas. Sou solidário com os que se mobilizam, contribuem e mantêm abertos os sentidos e a esperança em dias melhores. Sou solidário com os que percebem que a história recente foi distorcida e os grandes “traidores” usurparam o poder. Democratas e nacionalistas foram calados. Ainda estão à margem.

José Anselmo dos Santos ainda não é um cidadão brasileiro normal, porque precisa receber, por ordem da Justiça Federal, sua carteira de identidade, para ter o direito a anistia, se a Comissão do Ministério da Justiça não lhe aplicar um golpe administrativo – conforme pregam alguns radicalóides ideológicos, como o ministro Paulo Vanuchi, dos Direitos Humanos.

6 comentários:

Anônimo disse...

Sr. Anselmo: quero parabenizá-lo pela coragem de se expor para esclarecimento de fatos obscuros da história do brasil, que certamente virá a dar mais elementos aos historiadores imparciais, uma vez que agora pudemos ouvir sua versão dos fatos. Caso o Sr. não consiga editora p/ publicação do seu livro, sugiro que o faça de maneira independente e divulgue e venda pela internet, como tem feito alguns autores renegados pela mídia. E continue firme c/ a verdade. Assinado: um brasileiro.

Unknown disse...

Tudo o que Anselmo diz é resultado da coerência que ele aprendeu a perceber in loco, sofrendo e comendo o pão que o diabo amassou, primeiro numa escolha equivocada, quando jovem marinheiro e depois por ter reconhecido corajosamente o seu equívoco, enxergando o que seria desse país como mais um satélite da extinta URSS e outras porcarias comunistóides...

Unknown disse...

Sr. Anselmo
Compreendo perfeitamente tudo o que narra e o fato de ter seguido o lado certo do caminho da sua vida.
Com a experiência que tenho de vida, 66 anos, passei por muitas fases da política do nosso país. Aos fanáticos que aceitam a ditadura cubana e repudiam a revolução militar em 1964, no Brasil, lembro os anos que antecederam a revolução. Caso nada fosse feito o nosso país mergulharia numa anarquia total. Sofri muito, na minha vida de estudante, a intolerância dos fanáticos.
Se os guerrilheiros, anarquistas e sequestradores estão agora sendo beneficiados com aposentadorias, indenizações altas e até cargos no governo, por que não lhe dar a merecida anistia? Um abraço e boa sorte!

Anônimo disse...

Sr. Anselmo, triste sina a sua, ter os direitos negados por pessoas que acreditam estar acima da lei, mas o mais grave é esta sina vai aos pucos se tornando a de todos os brasileiros.

José de Araújo Madeiro disse...

Estimado SR. José Anselmo,

Sou um pouco mais jovem do que o senhor.

Em 1964 eu era apenas uma criança e o que sabemos foi através das leituras, onde invariavelmente o senhor é citado como um ¨agente da CIA¨que patrocinou um motim num navio de guerra, que resultou numa crise na Marinha do Brasil e num Golpe de Estado pelas mãos do General Olímpio Mourão Filho, estimulado pelo governador de Minas Gerais, o SR. Magalhães Pinto.

Daí culminou com uma Militar Militar no Brasil.

É óbvio que tem os exageros proclamados pela Esquerda Escocesa,hoje no poder e comandada pelo SR. Lula, um apedeuta sem escrúpulos, corrupto e sem respeito pelo cidadão brasileiro.

1964 foi, em síntese, um Contra-golpe, para preservação das instituições democráticas do nosso país seriamente ameaçadas pelas ações terroristas, comandadas e orientadas por Fidel Castro, com vista da dominação e transformação do Brasil num mero satélite da ditadura cubana.

Todavia, a Lei de Anistia saneou todo esse panorama de confrontos ideológicos e de violências, quando V.Sa. teve participação ativa, não como um agente a serviço dos Estados Unidos, mas num momento de conturbação por toda América Latina. O SR. é brasileiro e além disto um militar em 1964.

O SR. então faz parte da história, também deve ser reconhecido e ter direito de gozar de todos benefícios tais como os dos outros, conforme os dispositivos da Lei de Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, agora, definitivamente, reconhecida pelo Supremos Federal, conforme placar de 7x2.

Que o SR. seja vitorioso e volte a exercer a sua vida de normalidades, como um cidadão brasileiro anistiado.

Que pacificado o Brasil avançe na construção do seu grandioso futuro, de prosperidade, civilidade, democracia e fraternidade. Uma conquista tão desejada por brasileiros de boa-fé

Att. Madeiro

Anônimo disse...

Élamentável ver o que está acontecendo em nosso pais hoje.Um povo pacifico sendo levado ao desespero e a mendicância. Valores invertidos e desmoralização dos poderes. O tempo é senhor da razão e isso certamente se fará visivel e compreensivel a todos os brasileiros de bom senso e inteligência para definir o certo e o errado e os terroristas serão os aterrorizados do futuro. O bom senso imperará a favor de Anselmo; quem viver verá.