sábado, 10 de outubro de 2009

Dia especial para a meta de um Brasil de leitores

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Rosely Boschini

Rio de Janeiro, 5 de novembro de 1924: o presidente da República, Arthur Bernardes assina o Decreto nº 4.867, instituindo o Dia das Crianças. Brasília, 8 de janeiro de 2009: o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sanciona a Lei nº 11.899/09, criando o Dia Nacional da Leitura. Embora separados por 85 anos, os dois documentos apresentam instigante coincidência: ambas as comemorações ocorrem em 12 de outubro. Analogia ainda mais emblemática, contudo, refere-se ao fato de ser decisiva para o sucesso d o desenvolvimento brasileiro a capacidade de prover em larga escala o acesso aos livros por parte da infância e da juventude.

Ler, não há dúvida, é fator crucial à eficiência da escolaridade e para que os indivíduos alcancem, ao longo de toda a vida, as prerrogativas essenciais da assistência médica, alimentação, esporte, lazer, profissionalização, dignidade e liberdade. Portanto, simultaneamente às políticas públicas da União, estados e municípios, todos devem engajar-se numa verdadeira cruzada nacional em prol da leitura, em especial no universo das crianças e jovens. O setor do livro vem-se empenhando muito para fazer sua parte nesse processo, a começar pela maior oferta de livros.

Resultados desse esforço são visíveis na Pesquisa “Produção e Vendas do Mercado Editorial 2008”, recentemente divulgada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel). No ano passado, o número de títulos voltados ao público infantil cresceu 14,02% na comparação com 2007. Também houve incremento de 41,88% nos novos títulos de literatura juvenil. As editoras também colocaram no mercado 4,95% a mais de obras infantis e 9,26% de juvenis.

O fato de os jovens e as crianças estarem lendo mais já havia sido evidenciada em levantamentos anteriores. A Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, de 2007, revelou que cerca de 39% dos 95,6 milhões de leitores brasileiros têm entre cinco e 17 anos. A estatística aumenta na faixa etária dos 11 aos 13 (8,5 livros por ano) e cai levemente entre os jovens de 14 a 17 anos (6,6). O estudo demonstra, ainda, a importância da escola e da família como incentivadores do hábito de ler.

Além da maior oferta, são prioritários programas capazes de facilitar o acesso ao livro pelas crianças e jovens matriculados na rede pública de ensino. Nesse sentido, além da ampliação das ações federais (como o Programa Nacional do Livro Didático — PNLD e Programa Nacional Biblioteca da Escola), são necessárias mais iniciativas conjuntas entre União, estados e municípios e a iniciativa privada. Exemplo bem-sucedido da viabilidade desse objetivo é o projeto Minha Biblioteca, iniciado em 2007 na cidade de São Paulo, com forte apoio e participação da CBL.

Outro passo importante foi a recente aprovação, na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, do projeto de lei 278/08, agora em trâmite na Câmara dos Deputados, que autoriza a criação da Cesta Básica do Livro. Trata-se de proposta do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), autorizando o Governo Federal a distribuir, a cada bimestre letivo, dois livros de literatura, ficção ou paradidáticos, às famílias com filhos entre seis e 18 anos que estudem em escolas públicas.

Multiplicar a oferta de livros, igualar as condições de acesso, incentivar as crianças e jovens de maneira positiva e envolver cada vez mais o governo, a sociedade, os pais e professores na missão de criar novas gerações de leitores são providências fundamentais para o destino do Brasil. Portanto, disseminar essa consciência é a melhor maneira de comemorarmos, em 12 de outubro, o Dia da Criança e o Dia Nacional da Leitura.

Rosely Boschini é presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

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