sábado, 10 de outubro de 2009

Educação às avessas ninguém merece!

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Arlindo Montenegro


Outro dia, um surpreendente comentário chegou ao blog viverdenovo. Começava assim:

“Caro amigo venho humildemente lhe pedir ajuda para um problema que não sei ao certo como resolver, venho relatar um episódio ocorrido em sala de aula , Meu Nome é (TMF) , 16 Anos Curso o 3° ano do ensino médio.”

Em resumo: durante a aula de matemática o aluno perguntou ao professor: “colocar uma foto de "hitler" no orkut é ilegal??" O professor “respondeu bondosamente: “Sim é proibido , pois o ato é caracterizado Neo-nazismo". Na aula seguinte, uma pequena discussão fez com que o professor, convidasse,“gentilmente”, o aluno a retirar-se da sala de aula. O jovem argumentou seu direito de permanecer, já que pagava a mensalidade à escola.

O professor saiu com os alunos para outra sala, deixando o “rebelde” sozinho. Humilhado o moço recorreu à diretoria que apoiou o professor. Ameaçou denunciar à Secretaria de Educação... E o professor interferiu dizendo que “ se eu chegasse a denunciá-lo ele me acusaria de RACISMO, pois se sentiu "ofendido" quando o questionei sobre "a foto de Hitler"... O mesmo professor que “a todo momento em sala de aula faz comentários racistas sobre sua própria etnia: “- Aí , odeio negros , ainda bem que eu sou Branco”...

Li, reli e resolvi responder no estilo que a juventude costuma chamar de “careta”. Mais ou menos assim:
Jovem T.

Tenho 68 anos e fui educado no seio de uma família católica e conservadora, num tempo em que os valores éticos e morais eram incutidos pela família e pela igreja, como fundamentos da educação para a vida inteira.

O respeito, amor, veneração mesmo, aos pais em razão da autoridade familiar e aos professores pelo conhecimento que transmitiam na escola, na formação, eram considerados alimentos para a construção diferencial da própria vida – era um respeito indiscutível.

No meu curto e ralo entendimento, a comunicação e relacionamento entre jovens e pessoas maiores, que deviam ser significativas, carecem da presença de dois vetores:

1. A vontade e aplicação dos moços, o entendimento de que a aprendizagem é ferramenta essencial e diferencial para toda a vida.

2. Autoridade moral suficiente da família e dos professores, para cativar e orientar a juventude, que no futuro, logo ali, vai pegar o bastão para construir uma nação de homens livres ou de servos de um regime totalitário qualquer.

As dúvidas e a busca de respostas coerentes se ampliam na sua idade. O artigo que você leu, é de um renomado jurista. O Dr. Ives Gandra em defesa do “Estado Democrático de Direito”, um princípio constitucional ignorado pelos governantes e até pelos juizes que respondem a diretrizes ideológicas. Assim o que deveria ser a Lei igual para todos, não se cumpre.

A referência constitucional feita, diz respeito ao: Art. 3º da Constituição:
“Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - garantir o desenvolvimento nacional;
III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.

Os senhores deputados e senadores da república têm a obrigação de pegar cada item constitucional e criar as designadas “Leis Ordinárias”, que mostram o como fazer, como proceder para realizar os objetivos pátrios. Assim a estrutura jurídica baseada na Constituição, enquadra os relacionamentos sociais já provados como eficazes, para a formação de uma nação (povo) e de uma pátria (território) independente e soberano.

A Lei não obriga ninguém, mas coage, tipo dizendo assim - “olha aí peão, escreveu e não leu, o pau comeu!” – O indivíduo que não a cumpre, compromete a estabilidade física ou emocional do grupo e da nação. As Leis sinalizam os comportamentos e a punição. Todos devem proceder de modo igual perante a Lei. Respeitando-a e obedecendo-a se contribui para a construção do “Estado Democrático de Direito”. Garante-se a liberdade de movimentos, opiniões, crenças, e até de comportamentos exóticos, desde que não comprometam a integridade física ou moral dos outros.

Finalmente, como você pediu um conselho a um desconhecido, vai a consideração de um velho que tem como objetivo de vida a compreensão da mesma vida e das pessoas. De um velho que tenta ainda seguir o mais difícil dos ensinamentos: “Amai-vos uns aos outros”.

Meu jovem: você está apenas começando a ocupar-se com os relacionamentos sociais. Este enfrentamento com o professor de matemática é apenas um evento menos significativo entre os milhares de enfrentamentos que você terá pela vida afora. Meta a viola no saco. Fique frio. E lembre do velho poeta mineiro Drummond de Andrade “este é um tempo de partidos... tempo de homens partido”.

Quer ser livre? Observe, ouça, leia mais – seja livre! – nada é definitivo. A única coisa permanente na vida é a mudança. Não tome partido enquanto não estiver convicto, sabedor, dominando todos os contornos de uma idéia produtiva ou de uma técnica, ou de uma filosofia, no sentido de fazer a diferença, ampliando ou melhorando contribuindo para a vida.

O professor e a diretoria são os representantes locais de uma política educacional que objetiva formar seguidores de um só partido na direção de um estado totalitário. Segundo seu relato, o professor é tão racista como Hitler o foi. Eleja para a sua vida um objetivo e exemplos morais superiores. Descarte o resto.

Faltou dizer ao adolescente que a educação e aprendizagem formam uma via de mão dupla. A eficácia do sistema está na tolerância e na capacidade de ensinar aprendendo e aprender ensinando. Faltou dizer que tais eventos e outros mais cabeludos e insolentes só podem ocorrer dentro de um sistema de ensino que doutrina a juventude para o cabresto de uma ideologia totalitária.

Faltou dizer que o comunismo que nos esfregam nas ventas é irmão siamês do nazismo. Que as chacinas nazistas foram superadas em número de vítimas pelas chacinas realizadas pelos comunistas na Rússia, na China, na Coréia e o número continua crescendo pelo mundo afora.

Arlindo Montenegro é Apicultor.

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