quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Por que agora?

Reprodução de Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por César Benjamin

DEIXO de lado os insultos e as versões fantasiosas sobre os "verdadeiros motivos" do meu artigo "Os Filhos do Brasil". Creio, porém, que devo esclarecer uma indagação legítima: "por quê?", ou, em forma um pouco expandida, "por que agora?". A rigor, a resposta já está no artigo, mas de forma concisa. Eu a reitero: o motivo é o filme, o contexto que o cerca e o que ele sinaliza.Há meses a presidência da República acompanha e participa da produção desse filme, financiado por grandes empresas que mantêm contratos com o governo federal. Antes de finalizado, ele foi analisado por especialistas em marketing, que propuseram ajustes para torná-lo mais emotivo.

O timing do lançamento foi calculado para que ele gire pelo Brasil durante o ano eleitoral. Recursos oriundos do imposto sindical - ou seja, recolhidos por imposição do Estado - estão sendo mobilizados para comprar e distribuir gratuitamente milhares de ingressos. Reativam-se salas pelo interior do País e fala-se na montagem de cines volantes para percorrerem localidades que não têm esses espaços. O objetivo é que o filme seja visto por cerca de 5 milhões de pessoas, principalmente pobres.

Como se fosse pouco, prepara-se uma minissérie com o mesmo título para ser exibida em 2010 pela nossa maior rede de televisão que, como as demais, também recebe publicidade oficial. Desconheço que uma operação desse tipo e dessa abrangência tenha sido feita em qualquer época, em qualquer país, por qualquer governante. Ela sinaliza um salto de qualidade em um perigoso processo em curso: a concentração pessoal do poder, a calculada construção do culto à personalidade e a degradação da política em mitologia e espetáculo. Em outros contextos históricos isso deu em fascismo.

O presidente Lula sabe o que faz. Mais de uma vez declarou como ficou impressionado com o belo "Cinema Paradiso", de Giuseppe Tornatore, que narra o impacto dos primeiros filmes na mente de uma criança. "O Filho do Brasil" será a primeira -e talvez a única- oportunidade de milhões de pessoas irem a um cinema. Elas não esquecerão. Em quase oito anos de governo, o loteamento de cargos enfraqueceu o Estado. A generalização do fisiologismo demoliu o Congresso Nacional. Não existem mais partidos. A política ficou diminuída, alienada dos grandes temas nacionais.

Nesse ambiente, o presidente determinou sozinho a candidata que deverá sucedê-lo, escolhendo uma pessoa que, se eleita, será porque ele quis. Intervém na sucessão em cada Estado, indicando, abençoando e vetando. Tudo isso porque é popular. Precisa, agora, do filme.

Embalado pelas pré-estreias, anunciou que "não há mais formadores de opinião no Brasil". Compreendi que, doravante, ele reserva para si, com exclusividade, esse papel. Os generais não ambicionaram tanto poder. A acusação mais branda que tenho recebido é a de que mudei de lado. Porém os que me acusam estão preparando uma campanha milionária para o ano que vem, baseada em cabos eleitorais remunerados e financiada por grandes grupos econômicos.Em quase todos os Estados, estarão juntos com os esquemas mais retrógrados da política brasileira. E o conteúdo de sua pregação, como o filme mostra, estará centrado no endeusamento de um líder. Não há nada de emancipatório nisso.Perpetuar-se no poder tornou-se mais importante do que construir uma nação.

Quem, afinal, mudou de lado? Aos que viram no texto uma agressão, peço desculpas. Nunca tive essa intenção. Meu artigo trata, antes de tudo, de relações humanas e é, antes de tudo, uma denúncia do círculo vicioso da extrema pobreza e da violência que oprime um sem-número de filhos do Brasil. Pois o Brasil não tem só um filho.Reitero: o que escrevi está além da política. Recuso-me a pensar o nosso país enquadrado pela lógica da disputa eleitoral entre PT e PSDB.

Mas, se quiserem privilegiar uma leitura política, que também é legítima, vejam o texto como um alerta contra a banalização do culto à personalidade com os instrumentos de poder da República. O imaginário nacional não pode ser sequestrado por ninguém, muito menos por um governante. Alguns amigos disseram-me que, com o artigo, cometi um ato de imolação. Se isso for verdadeiro, terá sido por uma boa causa.

César Banjamin, 55, militou no movimento estudantil secundarista em 1968 e passou para a clandestinidade depois da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro desse ano, juntando-se à resistência armada ao regime militar. Foi preso em meados de 1971, com 17 anos, e expulso do país no final de 1976. Retornou em 1978. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995. Em 2006 foi candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Heloísa Helena, do PSOL, do qual também se desfiliou. Trabalhou na Fundação Getulio Vargas, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. É editor da Editora Contraponto e colunista da Folha. Artigo publicado na Folha de S. Paulo de 2 de dezembro.

2 comentários:

Anônimo disse...

Por que agora? Resposta: pelo que está escrito, abaixo, nesta "CARTA ABERTA AOS DEPUTADOS FEDERAIS"! 3 de Dezembro de 2009
CARTA ABERTA AOS DEPUTADOS FEDERAIS
Senhores Deputados Federais,

O Brasil está vivendo uma fase de ilusões. Estão todos eufóricos, achando que nós já somos primeiro mundo, quem dera, e o Presidente Lula está fazendo a maior farra com o dinheiro minguado dos brasileiros, e os Senhores estão sendo co-responsáveis por essa farra, pois estão aprovando tudo que ele impõe ao Congresso Nacional, senão vejamos:

- Redução de IPI para o ramo automobilístico; para o ramo de eletrodoméstico; para o ramo de materiais de construção; para o ramo de fabricação de móveis.

- PL 6.176/2009 – Autoriza o Poder Executivo a realizar empréstimo de US$14 milhões ao FMI;

- PL 6.175/209 autoriza o Poder Executivo, a doar quatro aeronaves H-1H à Força Aérea Boliviana; PL 6.175/2009 utoriza o Poder Executivo a doar aeronaves C 115 Buffalo à Força Terrestre Equatoriana;

- PL 5.234/2009 – Autoriza ao Poder Executivo, a doar 3 aeronaves T 27 Tucano à República do Paraguai;

- PL 4.760/2009 – Autoriza o Poder Executivo, a realizar doação para reconstrução de Gaza;

- PL 4.145/2008 – Autoriza à União a doar recursos à República de Moçambique, para a primeira fase de instalação de fábrica de anti-retrovirais e outros medicamentos;

- PL 6.751/2006 – Autoriza à República Federativa do Brasil, a efetuar doações a iniciativas internacionais de auxílio ao desenvolvimento;

E ainda tem mais: Perdoa 95% da dívida de Moçambique; perdoa mais da metade da dívida da Nigéria; perdoa US$52 milhões da dívida da Bolívia; perdoa US$4 milhões da dívida de Cabo Verde; perdoa 95% da dívida da Nicarágua, estimada em US$141 milhões; facilita o pagamento de 20% da dívida de cerca de R$134 milhões , de Cuba com o Banco do Brasil e serão investidos R$20 milhões do BNDES na construção de uma Usina de Álcool combustível; assina acordo com Cuba para amortizar dívida com o governo brasileiro, que já chega a 40 milhões de euros; perdão da dívida do Gabão, no valor de US$36 milhões; anistia US$700 milhões de países africanos, governados por ditadores; doa US$320 milhões para a construção de estrada na Bolívia; cedeu o patrimônio da Petrobrás ao governo boliviano, debaixo de humilhação; dobrou o valor da cota anual de pagamento ao Paraguai pelo uso da energia não consumida da Usina de Itaipu, e por aí vai....!

Senhores Deputados, os Senhores são responsáveis por toda essa farra do governo Lula com o dinheiro do pobre povo brasileiro. O Poder Legislativo existe para legislar e fiscalizar. Se o governo tem dinheiro para toda essa farra, por que negar aos aposentados e pensionistas a recuperação das suas perdas? Por que não investir primeiro aqui dentro, onde há tanta deficiência? Por que os Senhores não decidem logo a sorte dos velhinhos, antes que eles morram, aprovando os PLs 3299/08, 4434/08, 01/07, e PLC 18/06? O Senado já fez a sua parte, agora, será a vez de a Câmara mostrar que está com os aposentados, pensionistas e trabalhadores do Brasil, futuros aposentados, fazendo-lhes justiça.

Em 2010, os mais de 80 milhões de eleitores, formados pelos velhinhos, seus familiares, amigos, vizinhos e os trabalhadores da ativa, estarão vigilantes e serão implacáveis com quem estiver contra os direitos legítimos dos velhinhos.

Espero que os Senhores correspondam e lhes façam justiça.

Autor: Alcides dos Santos Ribeiro

Anônimo disse...

Serrão, cria coragem, e publica a "CARTA ABERTA AOS DEPUTADOS FEDERAIS"!