sábado, 2 de janeiro de 2010

“Crise” militar para embalar Dilma

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Jorge Serrão

A tal “crise” militar interessa, diretamente, aos fabricantes da imagem de “mulher de luta, vítima da dita-dura e que sonha ser Presidente do Brasil (com grandes chances)”. A marketagem política (subliminar) em favor da ex-guerrilheira Dilma Rousseff é uma das maiores irritações das Legiões com a polêmica aberta pela criação da criação da Comissão da Verdade para lembrar e punir apenas os crimes dos quais os militares são acusados, livrando a esquerda revolucionária que abusou do terror e da violência no período pós-64.

Analistas de inteligência já advertiram aos comandantes militares que a atual “guerra psicológica” contra as Legiões pretende apenas criar “pré-condições factuais”, no consciente coletivo, para as futuras ações da campanha política de Dilma Rousseff. A batalha comunicativa é literalmente de “memória”. Os marketeiros de Dilma querem “relembrar” os tempos da dita-dura para a maioria do eleitorado que não sabe ou nem lembra o que aconteceu pós-64.

Recriando na cabeça da opinião pública o período por eles definido como “repressão militar”, fica mais fácil vender a imagem de Dilma como “uma mulher guerreira, que teve a coragem de lutar contra um regime militar, no qual foi torturada e que lhe dá resistência para ser a futura líder da democracia no Brasil”. O roteirinho deste filme pró-Dilma é mais que manjado e irrita os militares tanto quanto qualquer manobra político-ideológica para a revogação da Lei de Anistia de 1979. Os militares já identificaram o que está por trás da presente Guerra Psicológica Midiática, usada ideologicamente como estratégia e sistema avançado de manipulação e controle social.

È simplório o movimento coordenado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, seguindo as diretrizes do Foro de São Paulo, para criar a tal “Comissão da Verdade”. Os petistas se aproveitam do fato midiático que produziu a “crise” militar. Ao mesmo tempo, empregam a propaganda e conduzem a ação psicológica, para direcionar condutas da opinião pública em favor das “vítimas da dita-dura”. Uma das vítimas apresentadas é Dilma. A outra é o próprio Lula.

Perguntar só ofende aos canalhas da história. Por que foi concebido (com a ajuda da máquina cinematográfica das Organizações Globo) um filme “Lula, o Filho do Brasil” apenas para contar a história do nascimento do personagem principal até os anos 80, descrevendo a luta dele contra a “ditadura militar”? O objetivo é criar um clima romântico, de novela, facilmente assimilável pelos brasileiros, para reforçar a já bem consolidada imagem de Lula e resgatar, do baú da história, os tempos pós-64 – na leitura que interessa à esquerda hoje vitoriosa, mas antes “derrotada” pelos “militares”.

Novamente, é preciso frisar que a guerra psicológica contra os militares tem uma razão prática. Eles são os defensores naturais da soberania nacional. Logo, enfraquecendo-os perante a opinião pública, fica mais fácil servir ao esquema do globalitarismo, que joga contra tudo aquilo que os militares juraram defender: o patriotismo. Os militares brasileiros são o alvo preferencial dos agentes de influência a serviço da Oligarquia Financeira Transnacional que deseja manter o Brasil como uma “colônia de idiotas submissos”.

O cinismo do pessoal do Foro de São Paulo é tanto que o ministro Paulo Vannuchi teve a cara de pau de dar uma entrevista à Agência Brasil para alegar que a criação da Comissão da Verdade não é um ato contra as Forças Armadas. Craque em contra-inteligência, Vannuchi dá um show de dissimulação:

“Criar a Comissão da Verdade é a favor das Forças Armadas, que são formadas por oficiais militares das três armas, pessoas dedicadas à pátria, ao serviço público, com sacrifícios pessoais, das suas famílias. Esses oficiais não podem ser misturados com meia dúzia, uma dúzia ou duas dúzias de pessoas que prendiam as opositoras políticas, despiam-nas e praticavam torturas sexuais, que ocultaram cadáveres. É um grande equívoco e eu tenho certeza de que o ministro da Defesa (Nelson Jobim) sabe disso”.

Além de contracenar na mesma peça teatral que tenta vender a imagem de Nelson Jobim como o “paladino dos militares”, Vannuchi promove outro contorcionismo de discurso que faz parte da ação psicológica para confundir os militares: “É necessário terminar um processo sem revanchismo, sem retorno ao passado e de mãos estendidas para a reconciliação nacional. Mas essa reconciliação não pode representar acobertar, jogar milhares de bons cidadãos brasileiros, do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, na defesa de pessoas que praticaram crimes de lesa-humanidade”.

Vannuchi avisa que toda questão será resolvida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma reunião que deverá ocorrer assim que ele voltar ao trabalho, a partir de 11 de janeiro. Vannuchi insiste na mistificação de militante para enganar militar:

“O programa não é contra a Lei da Anistia. Não se trata nem de revisão e nem de anular a Lei de Anistia. Está lá, no item que propõe a ação programática 23, que propõe a elaboração de um projeto de lei, até abril, instituindo uma Comissão Nacional da Verdade, nos termos definidos pela Lei da Anistia. Não vou ficar neste momento correndo atrás da imprensa para explicar. Não há nenhum sentido revanchista”.

Se continuar assim, Vannuchi ganha, facilmente, o Oscar de melhor ator, junto com o de melhores efeitos especiais. Os militares que aturem as manobras sinistras do Darth Vader com jeitinho de Princesa Leia. Os Jedi que tomem conta da espada... O lado petralha da Força anda mais vivo que nunca neste Star Wars Tupiniquim.

Releia os artigos: A quem interessa a “crise” militar em 2010? e Guerras de quarta geração e em rede social

Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total:
www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 2 de Janeiro de 2010.

7 comentários:

Anônimo disse...

É isso mesmo, pois, nesta altura dos acontecimentos, o que essa comissão irá fazer é fabricar uma verdade que interessa a esses cubanos.

Ainda bem que o chavismo, ou cubanismo que é pomposamente chamado de bolivarianismo está em franca decadência em nosso continente, uma vez que seus propósitos são meramente ditadoriais.

Martim Berto Fuchs (64) disse...

Mais uma vez, Serrão, você descreve com muita propriedade as estratégias dos nazi-petistas. Eu lamento e muito que esses trogloditas não tenham nenhuma proposta séria à apresentar para a sociedade. A Dilma não ganharia uma eleição honesta para vereador, que dirá para Presidente da República. Isto constatado, a vanguarda do atraso que tem no Brasil sua representação maior no PT, passou a utilizar de todo marqueting possível para eleger essa insignificância chamada Dilma. Como os candidatos que teriam melhores chances foram todos excluídos temporariamente da vida pública por serem ladrões, o chefe da quadrilha, Luiz 51, que escapou covardemente por alegar que não sabia de nada, não obstante ter todo serviço de informações diretamente ligado à ele, escolheu provavelmente o último candidato disponível, Dilma. Agora são obrigados à fazer das tripas o coração para não entregar a chave do cofre. Apelação total. E é nas mãos dessa gentalha que estamos entregues. Vamos acabar com os Partidos Políticos, não precisamos deles para nada e não seremos mais obrigados a aceitar um referendo, eleições como eles denominam, entre bandidos, terroristas e ladrões.

Anônimo disse...

Serrão, estou te enviando, abaixo, um "comentário" em forma de texto.

Como o número de caracteres é maior do que o permitido, segue em duas postagens sucessivas.

Se achares oportuno, publica, se não, descarta.

Um abraço fraterno,

Roberto Santiago.

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“O bode na sala”

O “affaire” atual sobre a tal “Comissão da Verdade”, do tão decantado “Programa Nacional de Direitos Humanos” me faz lembrar a famosa historieta “O bode na sala”, a qual relata a esperteza de um rei que, ao receber um súdito que lhe pedia uma ajuda para melhorar as suas agruras, aproveitou a ocasião para melhorar a sua imagem perante a vassalagem. O rei espertalhão prometeu ao infeliz que iria de imediato “resolver aquele pequeno problema” e, matreiro, cumpriu a palavra e logo no outro dia mandou um “presente”, uma enorme caixa para ser entregue na casa do súdito. Quando o “presente real” chegou, a família toda ficou numa alegria só, e trataram logo de abrir a caixa.

Que surpresa! Assim que a caixa foi aberta pulou de dentro um enorme bode preto, que foi logo destruindo tudo que encontrava pela frente, e os poucos pertences do súdito ficaram em frangalhos. O indigitado, com a ajuda de toda a parentada, tratou logo de prender o animal novamente e voltar à presença de “Sua Majestade”, para pedir que mandasse buscar o “presente” de volta.

O final e o moral da historieta todos sabem. E é justamente isso que o muito esperto “rei” $talinácio faz agora com as Legiões.

Como astuta serpente, que há muito espreita a sua presa, ele viu na recente “Conferência do Clima” — para a qual se fez acompanhar de mais de 700 (SETECENTOS!!!) “cumpanhêros”, que apenas aproveitavam o momento para fazer um agradável tour na bela Copenhagen, às custas dos nossos suados impostos — a ocasião tão esperada para “dar o bote” sem medo de errar, ou, como o populacho diz, “sem medo de ser feliz”.

Assim, não teve dúvidas, dando todas as orientações necessárias sobre o assunto, mandou seus “pau-mandados” redigirem um documento que, intencionalmente, provocasse celeuma. Para $talinácio, o “caminho das pedras” é provocar discórdia, gerar contendas e promover argumentos para “endeusar” a “cumpanhêra Estela” perante a opinião dos eleitores.

O estratagema armado surtiu efeito — e não poderia ser diferente. Para as Legiões e seus comandantes só haveria uma opção: espernear... ou não espernear. Mas qualquer das reações seria bem-vinda. $talinácio é mesmo ladino!

Para um observador atento, a idéia de $talinácio poderia gerar duas consequencias, mas ambas previstas e desejadas por ele e sua troupe:

Cenário 1: no caso de haver reação, como houve dos comandantes, permanecendo a tropa apenas desconfortável e expectante — neste caso, Jobim, devidamente orientado, reage, para “ficar bem na foto” com a tropa —, $talinácio passa a demonstrar “grande surpresa”, como se, outra vez, de nada soubesse. E de imediato cria o factóide de que “assinou em meio à Conferência do Clima, não tendo atentado para os detalhes do documento”, e informou que “irá pedir alterações no mesmo”, ressaltando que “o governo não tem interesse em provocar os militares”. O manhoso $talinácio, para ganhar tempo, aumentando o desconforto das Legiões que aguardam o desenrolar dos fatos e aproximar mais do período das eleições, vai “empurrando de barriga” o “pepino” deliberadamente criado e adubado. Para ele, quanto mais tumulto, melhor. A mídia amestrada divulga, e o povão, apalermado, fica achando que “o cara” é que está sendo pressionado pelos militares, e que estes, sim, é que são os “vilões torturadores” dos “coitadinhos revolucionários democratas”. Ponto para $talinácio!! E votos para a “cumpanhêra” Estela!! $talinácio juntou a fome com a vontade de comer!!

CONTINUA NA PRÓXIMA POSTAGEM.
Roberto Santiago

Anônimo disse...

Serrão, segue, abaixo, a segunda parte do "comentário", intitulado "O bode na sala", do qual ja te enviei a parte inicial.

Um abraço fraterno

Roberto Santiago

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O bode na sala - CONTINUAÇÃO


Cenário 2: no caso de não haver reação, isto é, se nem os comandantes nem as Legiões se pronunciassem, $talinácio continuaria “rindo de orelha a orelha”, pois a tropa iria achar que os seus superiores não reagiram por medo ou por reconhecer, talvez, um “mea culpa”, merecendo qualquer “castigo” advindo. As Legiões, assim, ficariam mais do que desconfortáveis, ficariam atônitas, sentindo-se abandonadas, e, obviamente, poderiam surgir conflitos com o seu comando maior, gerando mais desgaste para as Legiões, o quê sempre é desejável pela ótica vesga ora dominante. A mídia amestrada divulgaria, e o povão, apalermado, achando que “o cara” é que está sendo pressionado pelos militares, e que estes, sim, é que são os “vilões torturadores” dos “coitadinhos revolucionários democratas”. Conclusão, mesmo desta segunda hipótese, novamente: Ponto para $talinácio!! E votos para a “cumpanhêra” Estela!! $talinácio da mesma forma atingiria o seu objetivo, juntaria a fome com a vontade de comer!!

“Eureka!”, agora só falta o maquiavélico gran finale, muito bem pensado, e estudado com toda atenção por $talinácio. Como prometeu, talvez ele inicie a “solução” para abril de 2010, mas,certamente, não terá nenhuma pressa em concluir os seus “estudos” para “resolver” a pendenga... quanto mais tempo decorrer, melhor, pois a mídia amestrada dará combustível para que a fogueira não se extinga logo. E, depois de “longos estudos” e consultas aos seus áulicos, $talinácio, finalmente, proporá “revisões” no texto do tal documento, atendendo os “anseios de ambas as partes”. Aí $talinácio assumirá a postura costumeira de “bom moço”, de “salvador da pátria” perante a opinião pública... e em outras palavras, $talinácio apenas tirará o bode da sala! E, novamente: Ponto para $talinácio!! E votos para a “cumpanhêra” Estela!! $talinácio atingirá o seu objetivo!! $talinácio, é ou não é “o cara”?

Anônimo disse...

Independente dessa crise militar ser ou não uma grande manobra pró-Dilma, não devemos esquecer as cruéis humilhões pelas quais passaram os militares brasileiros na Era FHC.

Anônimo disse...

Respondendo ao "Anônimo", das 3:16 PM:

Concordo com você, em gênero, número e grau!
$talinácio e FHC, se equivalem. Aliás, penso que o "candidato ideal", i.e., o desejado, para o $talinácio é o FHC. Só que ele não pode contar com isso... ainda, pois em política, eu só não vi foi boi voar!
Um asbraço fraterno,

Robeerto Santiago

Anônimo disse...

Obrigado, Serrão! Pela publicação do meu, digamos, "comentário": "O bode na sala".

Um abraço fraterno

Roberto Santiago